domingo, 30 de abril de 2017

A MINERALIDADE DOS VINHOS

 “ A MINERALIDADE DOS VINHOS “ – Embora "mineralidade" seja uma nova palavra que aparece em notas de prova de vinhos,  causando alguma confusão, não há ponto de vista definitivo sobre o que significa. Vinhos descritos como minerais também costumam ser descritos como "elegantes", "magros", "puros" e "ácidos". Têm um paladar que lembra o ato de lamber pedras molhadas e muitas vezes uma textura de giz. Alguns argumentam que o termo só se aplica a vinhos brancos, mas quem quer que tenha experimentado um Priorat do solo de licorella (ardósia) da região vai saber que ele também surge em tintos. Alguns argumentam que você pode sentir seu aroma mais do que sua presença no paladar.


Imagina-se que os vinhos minerais são superiores aos vinhos básicos e de massa, como os do Novo Mundo, onde a fruta predomina no aroma e no sabor. Eles trazem uma imagem romântica, como se feitos à mão por artesãos e expressam o mistério do solo, tendo o viticultor como mediador mágico. Exemplos típicos são encontrados em Chablis, no Priorat, nos Mencías de Ribeira Sacra e Bierzo, e, claro, nos Sauvignon Blancs do Loire, nos Rieslings do Mosel e Rheingau, na Alemanha, e de Wachau e Kremstal na Áustria. Note-se que estes são exemplos europeus. Este não é um caráter simplesmente europeu, mas parece ser mais presente em lugares onde os vinhos mostram menos frutas e mais acidez.
O interessante é que a "mineralidade " só começou a se tornar difundida na década de 1980. Ele não aparece no livro de Emile Peynaud, A Taste of Wine (1983), nem na Roda dos Aromas de Ann Noble (1984) ou no The Oxford Companion to Wine 2006, embora esteja presente na 4ª edição de 2015.
De onde vem essa obsessão? Entre muitos consumidores, o caráter mineral de quem "lambeu pedras" é visto como negativo. Mudaram a viticultura ou a vinicultura? Ou estamos apenas sendo seduzidos por um marketing inteligente? Muitos produtores veem-na como uma expressão do terroir, enquanto alguns especialistas em enologia associam-na a compostos produzidos no processo de vinificação. Seja qual for a origem, não existe uma definição consensual de mineralidade, mas, para muitos, é uma palavra muito útil para descrever alguns aspectos do vinho e que parecem seduzir amantes de Chablis por exemplo.
A International Mineralogical Association define "mineral" como "um elemento ou composto químico normalmente cristalino e que foi formado como resultado de processos geológicos". Então a vinha colhe elementos do solo e isso dá aos vinhos seu sabor distinto? Certo? Errado! Os elementos minerais no vinho são escassos - só potássio e cálcio, que sequer chegam perto de 1.000 partes por milhão. Não há como saboreá-los. Como resultado, a ciência dá ao sabor "mineral" pouca atenção.
Como diz a professora Dra Monika Christmann da Universidade Geisenheim: "Há muitos contos de fadas e um monte de ilusões. Podemos concordar facilmente com salgado e doce, e podemos descrevê-los, mas não existe uma definição de mineralidade e por isso as pessoas a interpretam de forma muito diferente".
No entanto, qualquer pessoa que já esteve numa vertiginosa vinha de ardósia no Mosel vai acreditar que o vinho deve seu sabor a suas origens. Álvaro Palacios, o mago do Priorato, que extrai seus vinhos dos solos de Licorella (ardósia e quartzo), é um dos defensores do conceito de mineralidade em vinhos tintos, mas isto não pode ser uma obsessão técnica.
Alguns acreditam firmemente que a mineralidade é o resultado direto da vinificação e apontam para níveis elevados de acidez e a ausência de compostos aromáticos poderosos, como terpenos ou ésteres frutados. Vinhos que passaram pela fermentação malolática parcial (não completa) - onde o ácido málico "da maçã" é convertido em ácido lático "leitoso, ou com aroma e paladar amanteigados" - têm muito mais potencial mineral na textura, diz, por causa da complexidade do perfil ácido. Há outro ácido a observar: "o ácido succínico pode ser o ácido mais importante na questão mineral, e, como o ácido lático, está relacionado com a produção de vinho. Níveis mais altos de ácido succínico são alcançados em fermentos turvos, quentes, espontâneos. Muitos analistas sugerem que compostos de enxofre desempenham um papel forte, com o caráter defumado ou de pedra de isqueiro que podem dar.
O debate sobre a origem e a definição de mineralidade continua. É decepcionante para aqueles que acham que é uma expressão muito útil. Felizmente, Palacios e Molina nos deixam uma brecha na conclusão, pois estão dispostos a admitir que pode haver moléculas que, de uma forma ou outra, são um lembrete "por associação olfativa e/ou gustativa do mundo dos minerais, embora o solo ou os minerais que a compõem não precisem ser a única fonte para ela. Aguardamos mais provas.
Por enquanto, poderíamos expressar os mistérios da mineralidade em uma fórmula divertida: [SR + A + CF] - [E + T] - [O²] = mineralidade, onde SR é Solo Rochoso, A é ácido, CF é clima frio, E+T são os aspectos de vinhos frutados em Ésteres e Tióis, e O² é oxigênio. Em síntese, procure vinhos que vêm de solos pedregosos e climas frios, têm acidez marcante, não são abertamente frutados e não foram muito expostos a oxigênio. Se você gosta deste estilo, este pode ser uma dica útil para encontrá-lo mais facilmente.

A mineralidade pode ter chegado de repente em nossas notas de degustação, mas vai demorar um pouco mais para a ciência explicá-la. Nesse meio tempo, como um desses românticos, vou continuar a usar o termo. Notas de degustação dizem respeito a metáforas e ideias transferidas, e a mineralidade é uma palavra que funciona a meu ver. * (Baseado em texto publicado originalmente na página da revista Decanter, traduzido por Marcello Borges, com finalidades didáticas para os alunos do Curso de Formação de Sommeliers e Profissionais da ABS-SP).

APOLLONIO VALLE CUPA SALENTO ROSSO IGP 2007

● Vinho da Semana 182017 - ● APOLLONIO VALLE CUPA SALENTO ROSSO IGP 2007 – PUGLIA -  ITÁLIA – Salento fica a leste da região da Apúlia, no sul profundo da Itália. Calorosa e amigável e preservada por um isolamento de séculos de idade, manteve folclore genuíno e antigo sua tradição vitícola vivo. Como o calcanhar da península italiana em forma de bota, bem como sua parte mais oriental - das belas falésias do mar Adriático para as praias suaves, areia do mar Jónico - Salento possui o maior número de vinhos DOC produzidos em Apulia.           Entre acres de vinhas alternar olivais fechado por paredes baixas de pedra seca e arbustos do Mediterrâneo. Seus densa vegetação, frutas e flores foram uma fonte de inspiração para os artesãos habilidosos que trabalham na cidade de Lecce Durante o período barroco, a OMS ricamente igrejas ornamentadas, conventos e palácios Com os símbolos da idade, representando de forma - ou invocar - a generosidade e fertilidade de uma terra amigável e rico.
É graças a esta beleza natural e arquitetônica que Salento é hoje um dos destinos mais populares na Itália. Sua capital é Lecce, qual a sua manteve histórico e cultura mais do que qualquer outra cidade identidade de Apulia. Nomeado "a Florença do Sul da Itália" por seus belos monumentos, Lecce é conhecida por sua arquitetura e esculturas barrocas, que se espalhou toda a província desde o século graças 16 a um calcário maleável, compacto, liso, cor de mel conhecido como "pedra Lecce "que é usado para enriquecer ruas, varandas, palácios e igrejas.
Em 1870 Noé Apollonio plantou sua própria vinha e produziu vinho pela primeira vez. A experiência foi herdada de seu pai Tommaso (um comerciante produtor de vinho nascido em 1828), e de seu avô Giuseppe (um camponês nascido em 1805). No final do século XIX a filoxera afligiu viticultores em toda a Europa, e froam obrigados a plantar novos tipos de vinhas. Na época, o vinho era tudo: era alimento, remédio para os cuidados, alívio para as dores.
Noé resolveu transformar suas uvas em vinho e vender seus produtos, a partir de vinhedos de uvas Negroamaro e Primitivo, colhidas nas aldeias de Aradeo, Neviano, e Cutrofiano. Motivados pela mesma paixão herdada de seu pai Noé, Marcello provou ser tão trabalhador e entusiasmado, dando continuidade a produção, e comprando alguns vinhedos em todo o território de Salento, a partir de "Valle della Cupa" (Vale do Cupa) até "Arneo", e até aqueles localizados na região de Basilicata. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, Marcello conseguiu atender seus numerosos clientes, especialmente do norte da Itália. Salvatore, que sucedeu Marcello com o mesmo empenho e capacidade de compreender as mudanças do mercado, enquanto a pobreza foi lentamente dando lugar a um boom econômico e o mercado foi mudando, criando novas oportunidades de negócios. Com a introdução de gestão de negócios, caracterizada por uma produção mais moderna e eficiente, em 1975 começou a engarrafas os vinhos de alta qualidade com a marca Apollonio.
À frente da empresa desde 1995, Marcello e Massimiliano Apollonio são a quarta geração da família. Impulsionada pelo entusiasmo e paixão e pela experiência adquirida no campo Eles, eles decidiram perseguir o objetivo ambicioso de expansão além das fronteiras nacionais seus produtos. Sob nova gestão, Apollonio tem se especializado em envelhecimento do vinho e expandiu sua rede de varejo. Tem a sua oferta alargada de produtos vitivinícolas, com excelência como objetivo. Os vinhos da Apollonio agora são vendidos em 35 países, onde são muito apreciados por sua identidade e autenticidade intocadas.
● Notas de Degustação: O Valle Cupa é um corte 50% Negroamaro e Primitivo que passa 12 meses em barricas de carvalho. Seu estilo é internacional com abundante quantidade de amora e cereja maduras, toques de defumado e nota floral de erva doce. Encorpado, maduro, “mastigável”, franco, cria uma sensação envolvente com um ligeiro final de carne de caça e um tostado de carvalho que traz o gosto doce da baunilha. Rico e opulento com forte personalidade, não filtrado. Excelente persistência final num vinho que apesar de encorpado, está muito harmonioso e agradável de beber.
● Estimativa de Guarda: 10 anos pelo menos. Nesta amostra com 8 anos os taninos estavam macios e tínhamos um vinho de extrema elegância na taça.
Reconhecimentos Internacionais: Vins du Monde Paris 2008: medalha de Ouro / Valle Cupa IGP Rosso 2011/2012 - 88 punti - Robert Parker Wine Advocate (2016) / Medaglia di bronzo - International Wine Challenge (2015) / Medaglia di bronzo - Decanter World Wine Awards (2015) / Valle Cupa IGP Rosso 2007 - Medaglia d'argento - International Wine Challenge / Medaglia d'argento - Decanter World Wine Awards / Medaglia d'argento - Concours Mondial de Bruxelles
Notas de Harmonização: ótimo com qualquer tipo de caças, carnes vermelhas grelhadas ou guisados, queijos duros ou picantes. Servir entre 18 e 20°C.

Onde comprar: EM BH: CASA DO VINHO - End.: Loja Barro Preto - Av. Bias Fortes, 1543 – Barro Preto – Belo Horizonte (MG) - Tel: (31) 3337-7177. Loja Mangabeiras – Av. Bandeirantes, 504 – Mangabeiras – Tel: (31) 3286-7891. 

SAINT CLAIR FAMILY ESTATE VICAR´S CHOICE 2013

● Vinho da Semana 182017 - ● SAINT CLAIR FAMILY ESTATE VICAR´S CHOICE 2013 - MARLBOROUGH – NOVA ZELANDIA - Saint Clair Family Estate é o resultado da união da propriedade de Neal e Judy Ibbotson, dois dos pioneiros da viticultura em Marlborough, com o talento de uma das principais equipes de vinificação da Nova Zelândia, liderada por Matt Thomson e Hamish Clark. A vinícola, que teve sua primeira safra produzida em 1994, é destaque por ter sido a primeira a ganhar grandes troféus internacionais de Sauvignon Blanc e Pinot Noir no mesmo ano, o que ajudou a colocar a Nova Zelândia no cenário mundial de vinhos de qualidade!
A missão da empresa é criar vinhos de classe mundial que excedam as expectativas de seus clientes. Neal Ibbotson combina sua extensa experiência em viticultura, mais a mistura de clima e solos de Marlborough com o talento de uma das principais equipes de vinificação da Nova Zelândia, liderada por Matt Thomson e Hamish Clark.
A partir de 1994, quando vinhos da primeira safra todos ganharam medalhas, incluindo ouro, o nome de Saint Clair tem sido sinônimo de qualidade e seu recorde de prêmio continua hoje. Os prémios internacionais incluem o troféu de Matt Thomson, de Saint Clair, para o White Winemaker of the Year, no London International Wine Challenge, em setembro de 2008, e o cobiçado troféu de Melhor Produtor de Vinhos da Nova Zelândia no International Wine and Spirit Competition 2005. Saint Clair Family Estate também tem a distinção de ser a primeira empresa vinícola da Nova Zelândia a ganhar grandes troféus internacionais para Sauvignon Blanc e Pinot Noir no mesmo ano.
A linha Vicar´s Choice é uma gama de estilo de vida com uma personalidade de marca leve que oferece excelente valor para seu dinheiro, portanto, excelente relação qualidade x preço.
● Notas de Degustação: Os característicos aromas de frutas vermelhas frescas da Pinot Noir se mesclam com a tipicidade neozelandesa em aromas de azeitona preta e ervas secas, finalizadas com delicadas notas florais, de especiarias e café. No paladar a groselha e cerejas maduras se combinam ao tempero salgado, criando uma textura agradável e intrigante. Não é de hoje que a Nova Zelândia se destaca pela produção de Pinots elegantes, frescos e surpreendentes. Este rótulo, fruto do sonho da Saint Clair de fazer um “grande Pinot Noir”, é um perfeito exemplo e que mostra o sucesso da casta na Nova Zelândia.
● Reconhecimentos: ROBERT PARKER: 93 Pontos e STEPHEN TANZER: 91 Pontos +
● Estimativa de Guarda: Não espere muito para beber. Este vinho mostra todo frescor da casta e assim deve ser bebido jovem.
Notas de Harmonização: Carnes vermelhas, carnes de caça, trufas. Vai bem com cozinha asiática como a tailandesa, caesar salad. Servir entre 16 e 18°C.

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

ZINFANDEL SEGHESIO FAMILY VINEYARD 2012 SONOMA COUNTY

● Vinho da Semana 182017 - ● ZINFANDEL SEGHESIO FAMILY VINEYARD 2012 SONOMA COUNTY – CALIFÓRNIA – ESTADOS UNIDOS – Em dois continentes diferentes, o nome Seghesio indica grandes vinhos. Além dos fantásticos Barolo do "Seghesio piemontês", chegam agora os prestigiosos Zinfandel desta prestigiosa vinícola californiana de mesmo nome. Localizada no reputado condado de Sonoma, Seghesio é um dos maiores especialistas na uva Zinfandel nos Estados Unidos.

A Zinfandel é a mesma uva Primitivo encontrada no sul da Itália, e já vem sendo cultivada na Califórnia há mais de 150 anos. Seghesio produz vinhos de incrível concentração, macios e frescos, verdadeiras delícias. A grande estrela é o Old Vine Zinfandel 2001, que obteve 92 pontos da Wine Spectator. Ele foi indicado por dois anos consecutivos para a lista dos "100 Melhores Vinhos do Mundo", feito único entre todos os Zinfandel californianos.
A vinícola Seghesio foi criada em 1985, quando o imigrante e enólogo italiano Edoardo Seghesio plantou sua primeira vinha Zinfandel – ícone da adega nos dias de hoje. Edoardo e sua esposa Angela, deram continuidade ao cultivo dos vinhedos e, durante o século XX, foi um dos principais fornecedores de vinho a granel para as grandes vinícolas da Califórnia.
            Com a chegada da era moderna, o quarto membro da família, Ted, deu origem a um dos primeiros vinhos rótulados como Seghesio. Atualmente, Seghesio recebe amplo prestígio pelos vinhos excepcionais elaborados com a uva Zinfandel, bem como a partir de castas italianas.
            O meticuloso trabalho com as vinhas, aliados a experiência transmitida de geração para geração e as práticas vinícolas modernas, garantem o exitoso cultivo de diferentes variedades, bem como elevada qualidade em cada vintage. O resultado de tal trabalho garante que os rendimentos das videiras estejam abaixo da média da indústria, proporcionando que as uvas concentrem melhor seus aromas e sabores, dando origem a vinhos excepcionais.
            A uva Zinfandel, especialidade da família Seghesio, é uma das castas com o cultivo mais difícil, uma vez que tende a amadurecer de forma desigual. Dessa maneira, Ted, ao lado dos demais especialistas e agrônomos da vinícola, visam eliminar o máximo dessa “variabilidade” durante todo o período de crescimento da variedade, cultivando vinhas equilibradas e que deem origem a uvas de alta qualidade.
● Notas de Degustação: Seghesio é um dos maiores especialistas em Zinfandel dos Estados Unidos, e este excelente tinto já foi indicado por várias safras seguidas para a lista dos "100 Melhores Vinhos do Mundo" da Wine Spectator - feito único entre todos os Zinfandel californianos. Encorpado e rico, com um toque italiano e muita personalidade. Um tinto rubi escuro profundo. Aromas de cerejas e ameixas maduras, evoluindo para defumados, tabaco e café, mostrando boa complexidade. No paladar tem excelente ataque, com taninos macios, boa acidez, ataque potente e que surpreende pela facilidade de gostar do vinho. Longo e com prazeroso fim de boca.
● Reconhecimentos: Nesta safra, mereceu nada menos que 90 pontos da Wine Spectator!
● Estimativa de Guarda: Aguenta fácil 10 anos, mas já agrada muita gente.
Notas de Harmonização: Carnes vermelhas, carnes de caça, trufas. Servir entre 16 e 18°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

THE FOOTBOLT D´ARENBERG 2009

● Vinho da Semana 182017 - ● THE FOOTBOLT D´ARENBERG 2009 SHIRAZ McLAREN VALE - AUSTRÁLIA – É em South Australia, região livre da filoxera, que se encontra uma das mais importantes vinícolas da Austrália, a d’Arenberg. A vinícola foi fundada em 1912 - curiosamente, por um abstêmio! - e ganhou sua famosa marca da fita vermelha no finalzinho dos anos 50, quando o filho do fundador decidiu dar o sobrenome de solteira da mãe à empresa familiar.
Situado entre as colinas e um litoral pitoresco, o clima mediterrâneo de McLaren Vale criou as condições ideais para o cultivo de uvas. Shiraz é a variedade mais importante produzida na região, respondendo por cerca de metade da produção da região. O clima e o solo proporcionam frutos e vinhos de sabor intenso, com uma cor púrpura profunda que pode durar décadas na garrafa.
Todas as uvas utilizadas na vinícola são primeiramente suavemente esmagadas em uma prensa francesa de dentes emborrachados e espaçados, de forma a manter os bagos ainda intactos. A prensagem de fato (das uvas brancas antes da fermentação e das tintas logo após a mesma) ocorre nas tradicionais “prensas de tábuas”, que remontam à idade média, o que é justificado pelo enólogo pela delicadeza do procedimento.
Finalmente, a fermentação dos tintos ocorre em tanques de concreto revestidos com cera e a dos brancos em tanques de aço inoxidável desenhados pelo próprio Chester, o enólogo chefe e bisneto do fundador. Ainda durante a fermentação, a capa ou chapéu do mosto de alguns dos tintos é revolvida através de pisa, o que pode ser identificado pelo selo impresso no rótulo com os dizeres “Foot Trod”.
            A d’Arenberg é uma das mais tradicionais casas vinícolas da Austrália, e a última geração de enólogos da família, representada por Chester d’Arenberg premiado repetidamente como Winemaker do Ano, soube unir os conhecimentos de longa tradição da família e dos produtores australianos a tecnologia e equipamentos modernos. O cuidado com cada um dos vinhos é minucioso e eles consideram todos os seus vinhos como “feitos à mão”.
Na década de 1970, os vinhos de d'Arenberg ganharam um significativo prestígio nacional e internacional. Em d'Arenberg, os antigos processos de fabricação de vinhos foram mantidos. Os vinhos são feitos em pequenos lotes e capturam o verdadeiro sabor da região de McLaren Vale. Todas as uvas são prensadas em tonéis. As tintas ainda são fermentadas da maneira tradicional e pela antiga técnica, pisando-as com os pés.
"Footbolt" era o cavalo de corrida que, vencendo páreos no início do século 20, permitiu a Joseph Osborn adquirir as terras já cultivadas e produtivas dos vinhedos Milton. As uvas Shiraz de "The Footbolt" são provenientes de algumas das videiras que foram adquiridas quase 100 anos atrás e o resultado é um vinho de grande concentração, com uma sedosidade surpreendente.
 ● Notas de Degustação: Cor rubi com leve halo mostrando a guarda do vinho. Aromas frutados e agradáveis conferidos pelo amadurecimento durante 12 meses em barris de carvalho bem integrados com frutas escuras como cerejas e ameixas maduras, sem contudo chegar ao estilo compota. No paladar apresenta bom volume de boca, com taninos macios o que lhe confere bom equilíbrio e facilidade de ser bebido. Vinho encorpado, ótimo rótulo no quesito qualidade e preço.
● Estimativa de Guarda: A guarda recomendada é de 10 anos, mas minha recomendação é bebê-lo de imediato, porque já está pronto (a safra é 2009).
● Reconhecimentos Internacionais: James Halliday: 94 pontos (2009) / RP: 90+ pontos (2007) / WS: 89 pontos (2009)
Notas de Harmonização: ótimo para acompanhar Risoto de filé-mignon, penne ao sugo, picanha em churrasco, maminha ao forno com batatas, talharim com polpetone, berinjela recheada. Servir entre 16 e 18°C.

Onde comprar: Em BH – ZAHIL em BH é representada pela REX-BIBENDI: Tel.: (31)3227-3009 ou rex@rexbibendi.com.br  OUTONO 81 - Restaurante e Bar de Vinhos - Rua Outono, nº 81 - Carmo/Sion.

terça-feira, 25 de abril de 2017

SARGAS JAZZ RECEBE CLEBER ALVES

Sargas Jazz recebe Cléber Alves

Restaurante do Hotel Mercure BH Lourdes apresenta músico em trio, na próxima quinta-feira, 27/04

Belo Horizonte (MG), abril, 2017 – O Sargas Restaurante (Av. do Contorno, 7325 – Lourdes) (www.sargasrestaurante.com.br), no Mercure Hotel Belo Horizonte Lourdes, recebe na próxima quinta-feira, dia 27/04, Cléber Alves, que se apresentará em trio. O show faz parte do projeto Sargas Jazz, que oferece quinzenalmente noites dedicadas ao Jazz, com músicos convidados. Cléber Alves (saxofone), Christiano Caldas (piano) e Milton Ramos (baixo acústico) seguirão um repertório variado entre standarts de jazz e clássicos da música popular brasileira. 
 
Sargas Jazz
 
Sargas Jazz 
“A ideia é criar um ambiente agradável unindo boa música, vinhos e gastronomia de qualidade”, conta o gerente do Sargas, Luis Veríssimo. O menu é aberto. Como petiscos, por exemplo, tem o tapas de presunto cru, pimentão vermelho grelhado, mel e hortelã (R$ 24,00) ou almôndegas de cordeiro e molho tzatziki (R$ 28,00). Como pratos principais, algumas das sugestões são o carré de cordeiro, mousseline de moranga com sálvia, molho de jabuticaba e couve salteada (R$ 78,00), o prato vegano com espaguete de pupunha, shitake, tomate, rabanete, brócolis, molho de leite de coco e folhas mineiras (R$ 45,00), ou o bife chorizzo com batata assada recheada com creme de queijo canastra, shimeji e acelga (R$ 58,00). O couvert artístico por pessoa é R$ 15,00.

O Sargas Jazz é aberto. “É mais uma ação para aproximar o hotel do público belo-horizontino, para acolher os moradores daqui e mostrar que toda a nossa excelente estrutura não é apenas para os hóspedes do hotel”, ressalta Luis. “Estas noites de jazz são para tornar a experiência ainda mais agradável, única, inesquecível”, completa.
 
Sargas Jazz com Cléber Alves em trio (Cléber Alves (saxofone), Christiano Caldas (piano) e Milton Ramos (baixo acústico)
  • Data: 27/04, quinta-feira
  • Horário: 19h30 às 23h
  • Local: Sargas Restaurante, no Mercure Hotel Belo Horizonte Lourdes
  • Endereço: Av. do Contorno, 7325 – Lourdes
  • Couvert: R$ 15,00
Sobre o Sargas Restaurante 
Inaugurado em 2001, o Sargas Restaurante passou por ampla reforma no ano passado, que envolveu troca de cardápios e carta de vinhos, e nova decoração do ambiente. Localizado num dos hotéis mais renomados da cidade, o Mercure Hotel Belo Horizonte Lourdes, o Sargas tem ambiente climatizado, estacionamento e manobrista.
 
A ideia do Sargas Jazz é criar um ambiente agradável unindo boa música, vinhos e gastronomia de qualidade – Foto: Paulo Cunha / Outra Visão 
 
No menu, há cores, produtos orgânicos, ervas e especiarias, além de uma apresentação surpreendente. Os pratos favorecem a qualidade dos produtos, os alimentos saudáveis, respeitam os ingredientes que trazem o frescor vegetal, além de valorizar os produtos mineiros. Para almoço, opções do menu executivo, de domingo à sexta, que variam de R$ 28,00 a R$ 45,00. Para o jantar, há entradas, tapas e pratos mais elaborados, como bacalhau, cordeiro, camarões, por exemplo. Aos sábados, a tradicional feijoada é a opção do almoço, há dez anos fazendo sucesso e obtendo reconhecimento do público.
 
Sobre Cléber Alves
Cléber Alves é saxofonista, compositor e arranjador. É dono de uma carreira sólida, com uma mistura criativa de técnica impecável, bom gosto nas interpretações e composições ricas e originais. Boa parte de sua formação foi durante os dez anos em que morou na Alemanha, entre 1989 e 1998, quando fez graduação e mestrado em jazz e música popular na Universidade de Música de Stuttgart (Prof. Bernd Konrad). Nesta época, lançou dois discos: "Temperado" e "Saxophonisches Ensemble B".

Na Alemanha, tocou em festivais de jazz onde participaram músicos como Bobby McFerrin, Lionel Hampton, Chucho Valdés, Ralph Towner, John Taylor, Jerry Bergonzi, entre outros. Ainda na Europa participou de shows na Suíça, Holanda, França e Espanha. De volta ao Brasil em 2003 foi um dos vencedores do Prêmio BDMG Instrumental em BH.

Sargas Jazz
Sargas Jazz recebe Cléber Alves - Foto: Divulgação
 
Cléber já se apresentou ao lado de músicos como Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Juarez Moreira, Wagner Tiso, Túlio Mourão, Chico Amaral, Ed Motta, Flávio Henrique, Weber Lopes, Sérgio Santos, Zeca Assumpção, André Mehmari, Toninho Ferragutti, Alda Rezende, Gilvan de Oliveira, Hamilton de Yolanda, Paulinho Pedra Azul, Selma Carvalho e outros. Em 2005 gravou o cd "Revinda", que mereceu o Prêmio Marco Antonio Araújo de Melhor Disco Instrumental de 2006 em BH.

Recentemente Cléber esteve na Europa onde realizou quatro concertos na Alemanha e Suíça e lançou seu novo álbum, Cléber Alves Quarteto live in bird´s eye na Suíça.

Fotos – Alta Resolução – Sargas Restaurante  – https://drive.google.com/drive/folders/0B83sO8vRAMBfMndaa3BFdkJVUU0?usp=sharing
 
Serviços – Sargas Restaurante – Av. do Contorno, 7325 – Lourdes – Belo Horizonte – MG – No Mercure Hotel Belo Horizonte Lourdes – Telefone e Reservas (31) 3298-4150 – Aberto todos os dias para o Almoço de 12h às 15h e Jantar de 19h às 24h – Almoço aos sábados 12 às 16h30 – Capacidade: 164 pessoas – Estacionamento coberto, com manobrista: R$ 8,00 no almoço / R$ 14,00 no jantar e aos sábados e domingos no almoço  – Pagamento: Visa, Mastercard, American Express, Dinners, Elo, dinheiro, cheque, ticket refeição, Alelo – Acesso e banheiro para deficientes –  Facebook: facebook.com/sargasrestaurante – Instagram: @sargasrestaurante – Site – www.sargasrestaurante.com.br

segunda-feira, 24 de abril de 2017

CASA RIO VERDE APRESENTA VINHOS DA BODEGA CATALÃ DE MULLER

CASA RIO VERDE APRESENTA VINHOS DA BODEGA CATALàDE MULLER


Sempre trazendo novidades exclusivas para os amantes do vinho, a Casa Rio Verde e sua loja virtual VinhoSite recebem nos dias 26, 27 e 28 de abril a especialista em vinhos e gerente da bodega catalã De Muller, Nuria Vernis. Presente no portfolio da importadora há cerca de seis meses, os vinhos  são sucesso entre os clientes.
A programação contempla apresentação dos vinhos aos consumidores (dia 26/19h30), somelliers e proprietários de restaurantes (dia 27/15h) e formadores de opinião (dia 27/19h30), sempre na loja da Praça Marília de Dirceu, na capital mineira. Os ingressos custam R$50, com 30% de desconto para os sócios do VinhoClube e podem ser adquiridos na loja virtual da importadora pelo Vinho Site.  
A Casa Rio Verde trabalha hoje com três rótulos da vinícola: De Muller Solimar Branco 2015, De Muller Solimar Crianza 2014 e Vino de Misa Dulce Superior 2015. Dois novos rótulos estão a caminho e serão apresentados nas degustações: Priorat Les Pusses Crianza e De Muller Syrah.
Atualmente a De Muller produz uma extensa gama de vinhos de alta qualidade sob as denominações de origem "Tarragona" e "Priorat", além do Vino de Misa, que tornou a marca mundialmente famosa.  Hoje, 60% da produção é destinada aos mercados internacionais.

SOBRE A DE MULLER
A De Muller foi fundada em 1851 por Don Augusto de Muller y Ruinart de Brimont, procedentes de uma conhecida família de vinicultores de origem alsaciana, que viram grande potencial na província de Tarragona. Em 1995, depois de conduzir a vinícola por quatro gerações, a família De Muller passou a propriedade à família Martorell, de empresários catalães.
No início de 1996, a De Muller S.A. mudou suas instalações para uma nova vinícola rodeada de vinhedos em "Mas de Valls" em Reus (Tarragona), região considerada especialmente favorável ao cultivo de uvas nobres.  Com capacidade para 4 milhões de litros, ali são elaborados os vinhos de DO Tarragona, procedentes de quase 200 hectares de vinhedos próprios onde se cultivam variedades brancas como Macabeo, Muscat de Alejandria, Sauvignon Blanc, Garnacha Blanca e Chardonnay; e variedades tintas como Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Garnacha e Pinot Noir.

D.O. TARRAGONA: A região apresenta verões muito quentes e invernos suaves devido às influências marítimas do clima mediterrâneo. Com uma pluviometria de 500 mm/m2/ano que, conjuntamente com as horas de luz 2.600 horas por ano e um solo calcário, favorece a boa maturação da uva.  A Gama Solimar, da DO Tarragona,  é a mais clássica e tradicional da vinícola. Seu nome é uma referência ao clima e ao caráter  mediterrâneo que está impregnada.

D.O.C. PRIORAT: Os vinhos da DOC Priorat são produzidos na vinícola “Mas de les Pusses”, no município de El Molar, na parte sudoeste do Priorat. São 34 hectares de vinhedos e uma nova bodega, com capacidade para produção de 500 mil litros. Ali são encontradas as variedades Garnacha, Garnacha Peluda, Syrah, Merlot e Cariñena utilizadas na elaboração dos vinhos pertencentes a DOC Priorat, que com estilo próprio refletem a região de onde provêm.

VINOS DE “MISA”: Desde a fundação, a família De Muller se especializou na elaboração dos “Vinos de Misa”, seguindo as normas eclesiásticas e contando com a colaboração de um grande entendido na matéria, o padre jesuíta Eduardo Vitoria, doutor em química. Desde então, a De Muller elabora com carinho e profissionalismo seus vinhos de mesa, seguindo escrupulosamente as prescrições da Sagrada Congregação Romana do Santo Oficio e a disciplina dos sacramentos.  Os vinhos vêm acompanhados de um Certificado Eclesiástico concedido pelos arcebispos de Tarragona em 1883, uma garantia moral de honestidade e confiança.

OS VINHOS DA DEGUSTAÇÃO
Ø  DE MULLER SOLIMAR BRANCO TARRAGONA 2015 – O Solimar Branco é um vinho de cor clara e brilhante, oferece aromas profundos, minerais e florais. No paladar é fresco, elegante, equilibrado e macio. Produzido com as uvas Macabeo, Muscat e Sauvignon Blanc.
Ø  DE MULLER SOLIMAR CRIANZA TARRAGONA 2014 - O Solimar Crianza é um vinho elaborado com Cabernet Sauvignon e Merlot. É complexo tanto nos aromas quanto no paladar, resultado do envelhecimento em um mix de barricas francesas, americanas e eslovenas. Um vinho surpreendente, pela elegância, equilíbrio e variedade de aromas e sabores.
Ø  DE MULLER SYRAH TARRAGONA – Fruto de pesquisa e esforço enológico, com um estágio de 3 meses em barrica nova de carvalho navarro e esloveno. Possui esplêndida cor de amora com reflexos violetas e tons granada, elevada intensidade aromática e persistência no nariz. Apresenta um aroma completo de amoras roxas e negras, notas de marmelada de framboesa e aromas especiais de baunilha, café e chocolate, procedente das barricas de carvalho. Em boca, apresenta um grande ataque, mescla de juventude e estrutura, que proporciona uma evolução na garrafa digna dos melhores Crianzas. 
Ø  PRIORAT LES PUSSES CRIANZA -Os vinhos crianza são elaborados a partir de uvas procedentes de vinhedos próprios, no “ Mas de les Pusses”, na região de El Molar. Os vinhos repousam em barricas de carvalho durante 12 meses, e estagiam 6 meses nas garrafas. O Priorat Les Pusses Crianza é um vinho excepcionalmente original que deve sua personalidade ao envelhecimento em barricas novas de carvalho húngaro, sendo elaborado com as uvas  Merlot e Syrah.  Tem elegante cor de cereja escura com reflexos granadas e tons violáceos, com lágrimas muito pronunciadas. Intensamente aromático, nariz perfeitamente equilibrado e completo onde se distinguem notas ligeiras florais, e potente aroma frutado de amoras negras e cassis acompanhado de toques especiais de baunilha e cacau, originários do carvalho húngaro. Retrogosto generoso, com corpo e estrutura para prolongar sua vida na garrafa durante anos.
Ø VINO DE MISA DULCE SUPERIOR  2015-  A fascinante cor de ouro velho em tons de âmbar nos mostra a qualidade desse magnífico vinho, produzido com a uva branca Macabeo. Seu aroma elegante e espiritual nos remete a frutas maduras e cristalizadas, especialmente passas. Com toques originais de tâmaras, amêndoas e avelãs com mel, apresenta um paladar inicial doce, cheio e denso. Pode ser apreciado com todos os tipos de doces e nozes.

O QUE ESTÁ POR TRAS DAS VINHAS VELHAS

 O QUE ESTÁ POR TRAS DAS VINHAS VELHAS “ – Para a maioria dos amantes de vinhos a designação “Vinhas Velhas” é uma garantia de qualidade em relação ao que será colocado na sua taça. Mas na realidade, as vinhas velhas são uma contradição.
Por um lado, cada vez mais são arrancadas em algumas regiões, devido à sua diminuta produção, que muitas vezes não compensa a sua manutenção. Por outro lado, cada vez são mais apreciados por alguns produtores, que nelas baseiam os seus melhores vinhos.


Que magia têm estas vinhas que criam um estilo diferenciado de vinhos? Quais são os detalhes que fazem toda a diferença num vinho de vinhas velhas e um outro vinho das mesmas castas vindo de uma vinha jovem?
Levando em conta que a apreciação dos vinhos passa por uma avaliação pessoal e portanto subjetiva, podemos dizer que boa parte das perguntas não têm uma resposta concreta. Mas afinal, quantos anos tem uma vinha velha?
Comecemos então pelo princípio: uma vinha só pode produzir uva para vinho depois de 3 (às vezes mais) anos de idade. Mesmo nos primeiros 6 a 8 anos de idade a maioria dos viticultores do Velho Mundo não considera a vinha apta à produção dos melhores vinhos sendo as vindimas normalmente conduzidas para produção dos segundos ou terceiros rótulos da vinícola. Depois do oitavo ano de produção a vinha tem um sistema radicular e uma estrutura aérea vegetativa estabilizadas e inicia a sua idade produtiva propriamente dita.
Entre os 20 e os 25 anos de idade é consensualmente aceito que a videira começa a produzir menos, iniciando a produção de uma uva de sabor mais concentrado. A partir deste ponto aceita-se que a videira começa a envelhecer. Mas podemos considerar que está velha?
Uma videira entre os 20 e os 50 anos de idade atravessa a idade adulta rumo à maturidade, mas os índices de produção e o tempo de vida ainda não permitem chamar-lhe “vinha velha”.
A partir dos 50 anos de idade o termo “vinha velha” pode-se aplicar sem receios de ferir qualquer conceito. À medida que a velhice vai avançando, a videira produz cada vez menos, mas normalmente estas uvas são muito equilibradas e intensas no aroma e sabor. A película da uva da vinha mais velha é normalmente mais espessa, tem mais taninos e a polpa tem mais sabor. Contudo estas vinhas velhas têm uma exploração dispendiosa e para muitas vinícolas, uma vinha velha pouco produtiva, poderá ser inviável do ponto de vista econômico.
Em relação as vinhas velhas, a decadência da vegetação traz um equilibro entre folhas e frutos. Os frutos aparecem em menor quantidade gerando bagos pequenos mas mais concentrados em aromas e sabores. O sistema radicular é mais amplo e permite um aprofundamento nas raízes que sobrevivem bem à falta de água e ao calor. Esse fenômeno gera uma maturação mais regular e total. Permite, igualmente, uma maior absorção das características do solo da região. A produção é regular ano para ano, tornando as safras muito homogêneas. O mercado aprecia a constância da qualidade.
Se considerarmos que por volta de 1850 a vitivinicultura mundial atravessou uma de suas piores crises – com regiões inteiras sendo devastadas pela praga da filoxera, que literalmente dizimou vinhas e chegou a levar algumas variedades de uva à extinção – é de se supor que as parreiras mais antigas não tenham muito mais de 150 anos.
Marcelo Retamal conta uma história: “Há uns 15 anos, fiz um vinho de um Cabernet Sauvignon no Chile que tinha mais de 150 anos. Era incrível ver essas parreiras. No entanto, o vinho não era bom. O Cabernet estava plantado em um lugar muito quente e isso não é bom para a variedade. Ou seja, vinhos de vinhedos antigos não são garantia de qualidade. Dependerá do terroir”.
Portanto, não tente levar em conta neste tema a questão “que panela velha é que faz comida boa!”
Quanto a questão qual é a vinha mais velha do mundo, três disputam o título de mais antigas do mundo. A primeira fica em Maribor, na Eslovênia. Estima-se que a “stara trta” (vinha velha em esloveno) tenha mais de 400 anos, e este fato está registrado no Guinness Book de Records como a videira mais antiga do mundo. É uma idade considerável e venerável, especialmente porque as vinhas de séculos anteriores foram expostas a várias doenças e muitas não sobreviveram. Ela produz entre 35 e 55 quilos da variedade Žametovka ao ano, que são vinificados para produzir pequenas garrafas dadas de presente para celebridades que visitam a cidade. Tive a oportunidade de visitá-la em 2015.
A segunda vinha a disputar o título de mais antiga fica na região do Tirol, na Itália. Os proprietários do secular Castel Katzenzungen dizem possuir a vinha mais antiga do planeta, chamada de Versoaln. Eles acreditam que ela tenha mais de 600 anos de existência, apesar de um estudo ter calculado a idade em 350 anos. Assim como a videira eslovena, ela produz pouco, cerca de 500 garrafas numeradas.

Em Portugal fica a terceira videira considerada mais antiga, com 500 anos, está plantada na Quinta do Louredo, na rota dos vinhos verdes, que resistiu a Napoleão, à filoxera e a duas grandes guerras. Com idade estimada entre 480 e 500 anos, fica no noroeste de Portugal, em Santa Leocádia de Geraz do Lima, cerca de 10 Km de Viana do Castelo. Esta videira é da casta Doçal, também conhecida por Borralho nesta região. Segundo estudiosos, “é uma casta tinta de qualidade média, pouco produtiva e irregular dada a susceptibilidade a doenças criptogâmicas, e rústica. Dá origem a vinhos de cor rubi a vermelha granada, de aroma pouco acentuado, encorpados mas sem qualidade. No passado a casta era muito útil para ajudar o vinho a obter mais corpo”. A videira não está enxertada, seu pé é franco, e com o tempo criou resistências às pragas e sobreviveu até mesmo à filoxera que devastou a Europa a partir do ano de 1860 e chegou bem perto desta região de Portugal.

CATENA ZAPATA MALBEC VINHEDO NICASIA 2009 LA CONSULTA – MENDOZA - ARGENTINA

● Vinho da Semana 172017 - ● CATENA ZAPATA MALBEC VINHEDO NICASIA  2009 LA CONSULTA – MENDOZA - ARGENTINA – Catena Zapata é indiscutivelmente o melhor e mais reverenciado produtor da Argentina, na opinião unânime de toda a imprensa especializada internacional, de quem recebe sempre as melhores notas e prêmios. Para a Wine Spectator, trata-se do “líder inquestionável de qualidade na Argentina” e, para o prestigiado Robert Parker, “Catena representa o máximo em vinhos da América do Sul”. Sua criação máxima, o raro Nicolás Catena Zapata, é o melhor e mais prestigiado vinho da Argentina, sem dúvida entre os grandes exemplares tintos do mundo.
A linha Catena é imbatível, de incrível relação qualidade e preço, todos enormes sucessos. O grande lançamento recente fica por conta da bela linha DV Catena, que também traz vinhos de terroir ricos e elegantes. São todos cortes da mesma uva plantada em dois vinhedos de diferentes personalidades, alturas e microclimas, em uma verdadeira exploração do terroir da região de Mendoza. Graças ao histórico de talento e dedicação da família Catena, a vinícola conquistou relevância e prestígio no mundo do vinho, e hoje é conhecida e referenciada no mundo todo.
● Notas de Degustação: O Nicasia é elaborado com a primeira fileira do vinhedo Altamira, plantada em pé franco em uma altitude de 1.180m. Classificado com 94 pontos pela Wine Spectator, é um tinto "longo, cremoso e impressionante" para a revista. A The Wine Advocate de Robert Parker também achou o vinho impressionante, "denso e cheio de camadas", concedendo ao Nicasia a fantástica nota 95 na safra 2010. Excelente persistência final num vinho que apesar de encorpado, está muito harmonioso e agradável de beber.
● Estimativa de Guarda: 10 anos pelo menos. Nesta amostra com 8 anos os taninos estavam macios e tínhamos um vinho de extrema elegância na taça.
Notas de Harmonização: Carnes grelhadas e carnes de caça. Servir entre 18 e 20°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100