sábado, 25 de fevereiro de 2017

COMO A COR DO VINHO PODE INFLUIR EM NOSSA EXPERIÊNCIA GUSTATIVA ?

“ COMO A COR DO VINHO PODE INFLUIR EM NOSSA EXPERIÊNCIA GUSTATIVA ? “ – Na percepção sensorial do vinho, a cor costuma ocupar um distante terceiro lugar em importância, depois do aroma e do sabor. Mas essa posição é justificada? Se o mundo do vinho tivesse uma bandeira, teria de ser vermelha, branca e rosa. Afinal, a cor de um vinho é algo com que todos podemos concordar. Não é?
Bem, o vinho nunca é realmente branco. O Chablis costuma ser descrito como amarelo palha com reflexos verde-limão enquanto o Sauternes é dourado; o vinho tinto vai do roxo brilhante dos Malbecs argentinos jovens à cor granada desbotada do Pinot Noir clássico; ele nunca é chamado simplesmente de vermelho. Mesmo o rosé tem 21 tons diferentes, segundo uma pesquisa da Provence.
A cor acaba sendo tão contraditória e discutível quanto quaisquer outros fatores do vinho, causando um grande impacto sobre as expectativas, a vinificação e, talvez o mais importante, a percepção gustativa do degustador.
 A primeira impressão causada por um vinho vem de sua cor, e daí a importância do uso de taças transparentes. Em seu livro Wine Science, o Dr. Jamie Goode discute o "fenômeno da pré-atenção", segundo o qual fazemos suposições subconscientes automáticas sobre o gosto de alguma coisa com base em sua aparência.
Vinhos tintos fechados evocam naturalmente uma expectativa de sabor concentrado, e talvez de tanino e álcool elevados. Goode cita um especialista em cores, o Prof. Charles Spence da Universidade de Oxford, que explica que "a cor vermelha normalmente representa o amadurecimento dos frutos na natureza", e daí a associação natural entre a cor mais profunda e o sabor mais intenso.
Mas muitos vinhos tintos podem desafiar essas expectativas. O Beaujolais Nouveau, por exemplo, costuma ser roxo brilhante, mas com corpo e taninos muito leves. O olho também pode pregar peças no palato. Em um experimento de 2001 realizado pelo vinicultor, consultor de vinhos e professor de enologia de Bordeaux Denis Dubourdieu, os provadores usaram expressões como cereja, ameixa e chocolate depois de degustarem um vinho branco que tinha sido tingido de vermelho com antocianinas insípidas.
No caso dos vinhos brancos, os de cor mais dourada sugerem inevitavelmente algo peculiar sobre seu sabor – geralmente, doçura, contato com as cascas, uso de carvalho, ou mesmo todos os três. A moda recente de brancos fermentados com as cascas deu origem a um gênero chamado de vinho laranja, imediatamente reconhecível por sua sensação tânica palpável, perfil de sabor habitualmente oxidativo e, é claro, sua cor laranja. De um modo geral, no entanto, a maioria dos brancos varia muito menos do que os vinhos tintos ou rosados.

v A INFLUÊNCIA DO ENÓLOGO - Até ao momento, vimos que o tema é complicado - mas existe pelo menos uma certeza: qualquer que seja a cor do vinho, a presença do castanho ou do marrom é um indicador infalível de oxidação, sendo, portanto, um importante sinal de maturação - deliberada e intencional ou não, como os devotos dos Borgonha brancos sabem muito bem.
Sabendo como a cor influencia nossa percepção do vinho, não é de admirar que haja muitas pesquisas sobre o tema - e, consequentemente, milhares de opções para o produtor. A manipulação de vinho não é nova: os enólogos sempre usaram misturas, aquecimento e outros processos na cantina para alterar o estilo de um vinho. Alguns destes processos afetam a cor de vinho propositalmente, enquanto outros fazem-no por coincidência. Nesta última categoria, acham-se a acidez (mais especificamente o pH), a manipulação e a maceração (contato das cascas com as uvas na vinificação em tinto).
O ajuste de acidez é comum no mundo do vinho, mas é mais provável ser feito para se obter estabilidade microbiológica e equilíbrio do sabor do que pela cor: um pH inferior cria um vermelho mais brilhante.
Da mesma forma, os méritos da manipulação oxidativa versus redutora estão principalmente voltados para o sabor e os taninos, embora acabem afetando inevitavelmente a cor. A maceração dos tintos – com remontagens, pigeage e assim por diante - é praticada para extrair sabor e taninos, sendo a cor um elemento importante, se não o principal.
A temperatura de fermentação é outro fator a se considerar. Inevitavelmente, as temperaturas mais elevadas ajudam na extração de cor das cascas de uvas escuras. Como um exemplo extremo, é possível usar a termovinificação: o Iain Munson, do Languedoc, diz que 30 minutos a 65 ºC extrai quase tanto a cor quanto a maceração clássica de três semanas.
No entanto, de todas as ações deliberadas tomadas para influenciar a cor, a mistura está "em primeiro lugar", de acordo com Munson. "Aqui no Languedoc, é sempre bom ter um tanque ou dois de Alicante Bouschet. Mesmo 10% dela em um vinho com pouca cor faz um mundo de diferença", diz ele, acrescentando: "Há rumores de que se você viajar pela Borgonha durante o outono, pode ver algumas fileiras com folhas vermelhas brilhantes - a Alicante entre as Pinot Noir!"
A Alicante Bouschet é uma variedade tintureira – cuja polpa e casca são vermelhas – e é um ingrediente muito usado para dar a cor a uma mistura final. Muito mais controversa é a utilização de Mega Purple. Este concentrado de uva fortemente processado é feito a partir da híbrida Rubired, e uma pequena quantidade pode alterar radicalmente a cor de um vinho (bem como sua sensação na boca e doçura). Geralmente, é usado com discrição, mas há rumores de que é um ingrediente importante de muitos vinhos tintos mais baratos de sua Califórnia natal.

v COR POR NÚMEROS - Técnicas alternativas que ajudam a atingir o mesmo fim são menos reservadas, embora não menos controversas. A adição de enzimas, pó de carvalho e taninos buscam influenciar a cor dos vinhos. Gavin Monery, enólogo da London Cru, explica: "Volta e meia, as operações comerciais usam as enzimas para auxiliar a extração de cor e adicionar tanino para estabilizar essa cor (mediante a formação de taninos pigmentados). O pó de carvalho durante a fermentação primária também ajuda".
A maioria destas técnicas aplica-se especificamente aos vinhos tintos, mas a cor dos brancos e rosés também pode ser controlada na adega. Monery menciona a caseína para combater o escurecimento em vinhos brancos, e o uso de carvão ativado para tirar a cor dos rosés, ajustando-a à atual preferência do mercado.
Ken Mackay MW, gerente de compra de vinhos da Waitrose, explica: "A moda é de tons mais rosados - não muito laranja e não muito escuros", acrescentando que "isto é particularmente importante para os vinhos rosés em garrafas claras, onde a aparência do líquido pode realmente ajudar a vender o vinho".  O consultor e enólogo Nayan Gowda lembra um cliente que chegou a presenteá-lo com uma cartela de cores Dulux para especificar o tom certo de rosa. Com tamanho imperativo para se obter uma tonalidade exata, Munson sugere que alguns produtores podem adicionar pequenas quantidades de vinho tinto num rosé pálido, a fim de obter exatamente a cor "certa" – mesmo que isso seja estritamente contrário aos regulamentos da UE em qualquer lugar fora de Champagne.
No mercado chinês a cor mais escura de um vinho está associada à mais qualidade... Mackay observa que as tendências atuais parecem favorecer os brancos mais pálidos e tintos de cor mais profunda, e Munson observa que "o mercado chinês equivale a cor mais escura a uma melhor qualidade". No entanto, Gowda acha que a França, a Austrália e os EUA não estão muito preocupados com densidade de cor. Mas isso vem junto com a tendência no sentido de vinhos mais leves, menos extraídos, que o mercado atualmente parece preferir".
Há apenas uma coisa que pode compensar completamente a influência da cor na sua avaliação de um vinho: quando ele é degustado sem que se veja sua cor. Muitos experimentos têm tentado investigar que diferença isso pode fazer.

v SENTIDO E PERCEPÇÃO - Usar óculos escuros é uma manobra favorita em algumas competições. No final do concurso de Sommelier do Ano de 2012 no Reino Unido, Jan Konetzki do restaurante de Gordon Ramsay tinha que provar seis bebidas (não só vinhos) em taças escuras e agrupá-los por ingredientes em comum. "É complicado, porque você perde o senso de confiança, mas, ao mesmo tempo, reforça seu olfato e paladar", explica Konetzki, que ganhou a competição.
O Mestre Sommelier Xavier Rousset, dos restaurantes londrinos 28-50° e Texture, concorda que os óculos escuros fazem com que a prova seja extremamente difícil. "Eu nunca tinha confundido vinho tinto com branco, mas já vi isso feito e posso me imaginar fazendo isso. É especialmente difícil distinguir Champagne branco do rosé".
Esta idéia foi levada ainda mais longe em um estudo de 2009 do Journal Of Sensory Sciences, onde foram utilizados óculos escuros e cores alteradas na luz ambiente da sala de degustação. Os resultados sugerem que um Riesling seco seria considerado de melhor qualidade quando provado sob luz vermelha ou azul do que sob luz verde ou branca.
Habitualmente, a cor recebe a mais breve consideração quando se degustam vinhos, com muito mais ênfase nos aromas, nos sabores e na estrutura no palato. No entanto, a pesquisa mostrou que a cor pode influenciar muito nossa percepção do vinho. Como uma extensão lógica desta, quando se oculta a cor de um vinho, torna-se muito mais difícil avaliá-lo.

Embora aroma, sabor e qualidade sejam questões eternamente discutíveis, talvez a cor seja a única faceta do vinho que não é subjetiva. Ela varia do marrom ao roxo, do limão ao âmbar, do salmão ao rosa, com cada nuance no meio. Essa diversidade de cores pode revelar um monte de verdades sobre um vinho, o que significa que é uma parte vital não só da ciência e da compreensão de vinho como também de sua experiência. * Baseado em artigo da Revista Decanter, traduzido com maestria por Marcello Borges.

CROSSBARN BY PAUL HOBBS 2009 PINOT NOIR SONOMA COAST – CALIFÓRNIA – ESTADOS UNIDOS

● Vinho da Semana 092017 - ● CROSSBARN BY PAUL HOBBS 2009 PINOT NOIR SONOMA COAST – CALIFÓRNIA – ESTADOS UNIDOS – Um dos maiores nomes do vinho californiano, Paul Hobbs é tão conhecido por seus elegantes Pinot Noirs quanto pelos profundos e aristocráticos Cabernet Sauvignon. Este é um lançamento que vai deixar com água na boca os apreciadores dos vinhos californianos em estilo mais elegante.
            Para quem acompanha de perto o mundo do vinho, o nome de Paul Hobbs dispensa apresentações. Enólogo experiente, traz no currículo marcas invejáveis como a mítica nota 100 de Robert Parker e lugar cativo na lista dos melhores vinhos do mundo da Wine Spectator.
            Um dos pioneiros na vinificação de vinhos com uvas de vinhedo único, Paul Hobbs produz verdadeiros ícones da Califórnia - vinhos de classe mundial, exuberantes e poderosos. Seus vinhos tintos e brancos mostram impressionante finesse e elegância, em um estilo tão característico que não deixa de lembrar certos vinhos de Angelo Gaja. Seus maravilhosos vinhos Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Chardonnay de vinhedo são todos vinhos fantásticos, de minúscula produção, disputados por filas de enófilos e colecionadores em seu país de origem.
            A gestão meticulosa das vinhas aliada a modernas técnicas de vinificação minimamente invasivas, permitem que Paul Hobbs produza vinhos que expressam as singularidades da região com finesse, complexidade e autenticidade. Os vinhos Paul Hobbs são fermentados com leveduras nativas e envelhecidos em barris de carvalho francês, responsáveis por adicionar aos exemplares maior complexidade e riqueza de aromas e sabores.
            Localizada na região da Califórnia, a vinícola Paul Hobbs foi fundada em 1991 e, após sete anos, Hobbs compra uma parcela de terras em Sebastopol, que se tornará o vinhedo conhecido como Katherine Lindsay Estate. Em 2005, o vinho Cabernet Sauvignon 2002 recebe os icônicos 100 pontos de Robert Parker, na The Wine Advocate.

O vinhedo Richard Dinner, localizado a noroeste de Sonoma County, recebe uma excelente exposição solar durante o dia. Já a noite, as vinhas recebem a névoa da manhã proveniente do topo da baía de San Pablo, dando origem a uvas com sabores e aromas concentrados.
            O vinhedo Hyde Carneros, situado em Napa Valley, é responsável por dar origem aos excepcionais vinhos Pinot Noir e Cabernet Sauvignon desde 1991. As colinas suaves oferecem uma série de microclimas e condições geográficas privilegiadas, proporcionando que as uvas atinjam o exitoso cultivo.
Este é o Pinot Noir da linha Cross Barn de Paul Hobbs, elaborado a partir de uma seleção rigorosa de vinhos de vinhedo único de Sonoma Coast. Trata-se de um vinho complexo e elegante, com frutas negras e vermelhas doces e maduras, especiarias e um toque mineral inconfundível. De textura deliciosa, tem profundidade e persistência e está na mesma faixa de preços dos outros Cross Barn, linha de entrada deste prestigioso produtor.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor rubi, cristalina. Olfativo sedutor com aromas de cerejas e ameixas. No paladar os taninos são macios, o corpo é médio, com boa acidez e um acabamento aguçando o fim de boca. Surpreende pela vivacidade e maciez. Fermentação tradicional com controle de temperatura. Maceração de 14 dias. Fermentação com leveduras selvagens e selecionadas. A maturação se faz por 12 meses em carvalho francÊs. 23% novas.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 10 anos a partir da safra é indicação segura do produtor.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 16 e 17°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Degustação de vinhos brasileiros.

ASSOBIO TINTO RECEBE 90 PONTOS NA WINE SPECTATOR


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ASSOBIO TINTO RECEBE 90 PONTOS NA WINE SPECTATOR Vinho é reconhecido como “Best Value”


A revista americana Wine Spectator divulgou antecipadamente o ‘Buying Guide’ da edição de março. No guia, o vinho Assobio Tinto 2014 é reconhecido como “Best Value” – vinho com melhor relação custo-benefício, com 90 pontos. A publicação, com mais de 3,5 milhões de leitores em todo o mundo, destaca o frescor, a fruta, os toques de especiarias e os taninos macios deste vinho tinto duriense da Quinta dos Murças. O Assobio Tinto 2014 resulta do blend das mais tradicionais castas autóctones do Douro - Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca - respeitando a tradição vitivinícola da mais antiga região demarcada do mundo. O perfil equilibrado, fresco, versátil e gastronômico espelha as condições únicas do vale do Douro marcado por diferentes terroirs e um clima extremo, aliado a práticas agrícolas sustentáveis.

Além do Assobio tinto, há também o Assobio rosé e o Assobio branco.  A gama Assobio faz parte do portfólio de vinhos da Quinta dos Murças, aos quais se juntam o Minas, o Reserva, o Margem, o VV47, o Porto Tawny 10 anos, o Porto Vintage e o azeite extravirgem. Importados pela Qualimpor, os produtos de Murças podem ser encontrados em supermercados, empórios e lojas especializadas.

Conteúdo sobre a Quinta dos Murças:
A origem dos vinhos e suas características:  http://esporao.com/quinta-dos-murcas/
A Quinta dos Murças é uma propriedade situada na sub-região do Cima Corgo, entre o Peso da Régua e o Pinhão. Os 155 hectares de área total beneficiam de um terroir muito marcado pelas montanhas, solos xistosos, diferentes altitudes e pela margem 3,2km ao longo do rio. As vinhas ocupam 48 hectares e apresentam diferentes idades, altitudes e exposições solares. Existem cerca de 300.000 videiras plantadas ao alto e em patamares. As castas são predominantemente autóctones – Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela, Tinto Cão, Touriga Franca, Tinta Francisca e Touriga Nacional. Para além da vinha, existem cerca de 6.000 pés de oliveiras e um pomar com 800 laranjeiras, tangerineiras, limoeiros e outras árvores de fruto. O restante terreno é área florestal.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

COM QUE VINHO ORGÂNICO EU VOU PULAR O CARNAVAL ?

COM QUE VINHO ORGÂNICO EU VOU PULAR O CARNAVAL ? “ - Num mundo onde a preocupação com a sustentabilidade está cada vez mais em voga, cresce também a oferta de vinhos produzidos de maneira orgânica, biodinâmica e natural, sendo que nestes dois últimos, os cuidados e técnicas adotadas vão muito além da exclusão dos pesticidas e adubos sintéticos dos vinhedos.
Nunca se falou tanto sobre vinhos ecológicos, por isso, vale a pena explicar de maneira objetiva alguns detalhes de cada prática e em que elas diferem.
v ORGÂNICO - Produção orgânica é algo muito amplo que precisa incluir toda a propriedade. Toda ela precisa ser tratada como um organismo vivo e qualquer desvio que possa haver em um dos elementos deste contexto afetará todos os outros.
Pode se manusear o vinhedo organicamente, porém, se usar algum produto sintético para secar o matinho no quintal, por exemplo, ainda que não seja utilizado na vinha, descaracteriza a filosofia que orienta a pensar em todos os organismos existentes no solo, sejam plantas ou microorganismos. Quanto aos insetos que possam prejudicar o vinhedo, o intuito é espantá-los para que busquem o que necessitam em outros locais e plantas. Para a prevenção de pragas e doenças, utilizam meios alternativos de tratamento como água de cinza, sulfato de cobre, enxofre, cal virgem, sulfato de zinco, sulfato de potássio… estes são alguns dos produtos naturais usados que auxiliam no combate a pragas, bactérias e doenças fúngicas.
Também se fazem necessários alguns cuidados naturalistas durante a vinificação. Muitos produtores que se dizem orgânicos mantém esta prática apenas na vinha, neste caso deveriam mencionar no rótulo que o vinho é produzido com UVAS ORGÁNICAS, pois na cantina também existem cuidados a serem tomados para a preservação desta filosofia.
Penso que a nós não cabe esta discussão, uma vez que nem os órgãos certificadores chegam a um consenso, e, se a uva está livre de agrotóxicos já está de bom tamanho, não é?
Um exemplo de vinho ORGÂNICO – vinhos da linha ARROGANT FROG importados pela Decanter
v BIODINÂMICO (agricultura biológica) - A agricultura biodinâmica, adotada por muitas vinícolas em todo o mundo, inclusive as célebres Romanée Conti e Pingos, tem como base as teorias de Rudolf Steiner, filósofo austríaco falecido em 1925 cuja intenção era devolver à agricultura o papel social e cultural que perdeu durante o processo de industrialização de alimentos e a criação de animais em massa fora do seu ambiente natural.
Para ele, a agricultura é o fundamento de toda cultura, tem algo a ver com todos, por isso o ponto central da produção biodinâmica é o ser humano numa relação respeitosa com o universo, ou seja, tudo aquilo que o cerca, considera-se tudo, ar, água, terra, fogo, sol… A viticultura e a enologia são regidas pela astrologia, todas as etapas de produção, desde os cuidados com a vinha como a poda, adubação, até chegar à vinificação são feitas de acordo com as fazes da lua.
Para esta filosofia, as plantas são para a terra como instrumentos de percepção do cosmo. Não se aduba o solo para nutrir a planta, mas para vivificar a terra, que transmitirá parte de sua virtude á planta que passará ao homem ou outro ser qualquer. Todo ser vivo para ser perfeitamente equilibrado precisa estar plenamente integrado ao ecossistema onde ele vive, sendo o mais natural possível.
Na biodinâmica, a vinha deixa de ser uma monocultura e se torna uma vasta e complexa rede de microorganismos e animais trazendo equilíbrio ao meio. Na medida em que exclui o uso de pesticidas, aumenta também a incidência de pragas, porém, cada praga tem seus inimigos naturais que as devoram, é a cadeia alimentar, quanto mais pragas surgirem mais insetos inimigos também surgirão devido à alta oferta de alimentos. Quanto aos insetos, a grande maioria que existe são benéficas ao homem, por isso, quanto mais borboletas, joaninhas (predadoras de pulgões), vespas (alimentam os filhotes com larvas de gafanhotos, lagartas) no vinhedo, melhor. A ideia é contribuir para o aumento da população dos insetos inofensivos à vinha para combaterem os que são prejudiciais.
A única semelhança entre o cultivo biodinânico e orgânico é a não utilização dos pesticidas, adubos sintéticos, hormônios, etc. A primeira abrange outras esferas que vão muito além da exclusão de adubos sintéticos e venenos.
Um exemplo de vinho BIODINÂMICO – vinhos da linha COLOMÉ importados pela Decanter
v NATURAIS - Os vinhos naturais são aqueles cujos produtores têm por conceito interferir o mínimo possível na elaboração, a transformação do mosto em vinho se dá sozinha, naturalmente, iniciada pelos açúcares naturais do mosto em contato com as leveduras naturais (também chamadas de selvagens) presentes nas cascas da uva.
É uma maneira ancestral de produção, abrindo mão de quase todas (ou todas) as tecnologias disponíveis. O cultivo do vinhedo é orgânico ou biodinâmico, proporcionando o aparecimento destes microorganismos naturalmente, tanto que, no mundo antigo, extraiam o fermento que precisavam para produção de pães e outros alimentos da espuma da superfície do vinho quando em fermentação.
Na França, o mundo do vinho natural está cercado de polêmica desde 1907 (veja o postal da época) – ao mesmo tempo em que o país é expoente na produção de natuais. Integrantes do INAO, o Instituto Nacional de Origem e Qualidade do vinho francês, se reuniram para tentar chegar a uma definição precisa de vinho natural. O problema é que há discordância no conceito, inclusive entre produtores da bebida. E há ainda aqueles que não querem ser encaixados em uma categoria fechada.
A AVN, associação de produtores de vinhos naturais da França, diz que um vinho natural é aquele produzido por meio de métodos naturais, sem aditivos. Para alguns, a definição é vaga. Mas a AVN diz que a discussão está no começo e que espera esclarecer todas as dúvidas com produtores e consumidores.
Estudos afirmam que algumas localidades ou vinhedos apresentam tipos de leveduras naturais ou selvagens típicas, que só existem ali, dando caráter particular aos vinhos (quase como num conceito de terroir).
A vitivinicultura natural é teoricamente possível em qualquer lugar, mas França e Itália lideram atualmente. Isso talvez porque as mais antigas regiões vinícolas têm as mais longas histórias do povo trabalhando com a natureza, para o bem ou para o mal.
O uso de leveduras selecionadas e/ou correções finais acrescentando ácido tartárico e taninos não acontece, tampouco a adição de sulfitos durante a fermentação, pois, podem matar as leveduras indígenas, e tirar algumas características naturais da bebida além de anular o terroir. Alguns produtores adicionam quantidades mínimas após a vinificação enquanto que outros abolem totalmente o uso do SO2 (mesmo que não se adicione o SO2 pode ser que o vinho acuse a presença deste, uma vez que ele também é um produto resultante da fermentação, quantidades minúsculas aparecem após a elaboração).
Durante a fermentação, não se controla a temperatura, os vinhos não passam por colagem e nem são filtrados para não perderem elementos de aroma e sabor.
A vinificação natural quando bem feita atinge níveis altíssimos de qualidade e tipicidade, é a mais alta expressão do terroir que existe, portanto, são vinhos que precisam ser compreendidos. Talvez isto explique as muitas polêmicas existentes sobre esta prática.
Um exemplo de vinho NATURAL – vinhos do produtor GRAVNER ou SIMCIC importados pela Decanter.
            A pergunta que não quer calar é se estes vinhos são melhores que os vinhos “normais”, onde os conceitos de orgânico, biodinâmico ou natural não entram e que são a mioria dos rótulos nas nossas prateleiras.
A verdade é que já provei de todos estes rótulos e gostei de todos. Posso dizer que a opção de vinhos naturais, principalmente quando se fala de vinhos de Talha (leia o artigo de Rui Falcão) ou de vinhos Laranja exige maior cuidado para entender seus aromas e sabores únicos. Creio que o mais importante é que estes vinhos nos proporcionem a harmonia e prazer e descobrir novas dimensões nas nossas taças.
Sem entrar em discórdias, nem privilegiar radicalismos, no final das contas não se discute qual tipo de vinho é melhor, desde que nos dêem prazer. Há bons e excelentes rótulos em todas as opções, mas é claro que também há vinhos sofríveis em todas elas.

O que me lembra que ficou famosa a resposta do professor Emile Peynaud, pai da enologia francesa em Bordeaux, quando lhe perguntaram qual o melhor vinho que provara. “Um Pinot Noir, disse. E o pior? Um Pinot Noir”, completou.

NUITS-SAINTE-GEORGES 1er CRU CLS DES GRANDES VIGNES 2007 – MONOPOLE – CHATEAU DE PULIGNY MONTRACHET – BORGONHA - FRANÇA

● Vinho da Semana 082017 - ● NUITS-SAINTE-GEORGES 1er CRU CLS DES GRANDES VIGNES 2007 – MONOPOLE – CHATEAU DE PULIGNY MONTRACHET – BORGONHA - FRANÇA -  O Château de Puligny-Montrachet é um ótimo produtor de Bourgogne, especializado em vinhos brancos e que produz tintos sedutores. Os rótulos desse Château são expressões clássicas da Borgonha, de suas denominações em geral e de seus terroirs específicos em particular. Os métodos de cultivo que utilizam contribuem para este estilo individual e seus métodos de vinificação visam evitar influências externas excessivas, a fim de trazer o equilíbrio que pode ser encontrado naturalmente no terroir da Borgonha.
            Todos os frutos de Puligny-Montreachet são colhidos à mão e, graças às prensas pneumáticas reguláveis e precisas, a qualidade das uvas e o perfil da vindima são controlados. Após uma ligeira sedimentação, os mostos são colocados principalmente em barris de 600 litros, bem como em barris de 228 litros, onde ocorrem as fermentações alcoólicas e maloláticas.
            Para o envelhecimento, são usados cerca de 5 a 20% de barris novos, feitos principalmente de madeira de Allier que propiciam um longo amadurecimento e notas de leve tostado. A primeira estratificação ocorre após cerca de um ano de envelhecimento em madeira. Depois disso tem início a segunda fase de envelhecimento, que dura de quatro a seis meses em aço inoxidável, que preserva o frescor e tensão do vinho. O envelhecimento termina com uma ligeira afinação seguida de uma filtração leve antes do engarrafamento.
● Notas de Degustação: cor rubi de boa intensidade, sem reflexo do tempo de guarda. Aromas intensos de cereja e toque típico de cogumelos e couro. O paladar é elegante, fino, com taninos macios, e textura aveludada. O final de boca é longo e a persistência permite saborear a sua complexidade. Corpo médio. Vinificação tradicional com controle de temperatura. Leveduras autóctones. A maturação é feita por 13 meses em barricas de carvalho francês com 20% delas novas.
● Estimativa de Guarda: Mostra que aguenta fácil 10 anos, mas tem potencial para mais uns 5 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 17 e 18°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

RIPPON JEUNESSE 2010 – LAKE WANAKA CENTRAL OTAGO – NOVA ZELÂNDIA –

● Vinho da Semana 082017 - ● RIPPON JEUNESSE 2010 – LAKE WANAKA CENTRAL OTAGO – NOVA ZELÂNDIA – Considerada uma das mais belas vinícolas do mundo, a Rippon fica em Lake Wanaka, Central Otago, e foi pioneira nessa que é hoje a mais dinâmica e efervescente região do país. Seu Pinot Noir, em estilo clássico, ajudou a consolidar a fama da Nova Zelândia como exponencial produtora dessa variedade. Seus brancos, de Riesling e Gewurztraminer, são elegantes e típicos. Desde 2002, a Rippon é conduzida por Nick Mills, filho dos fundadores, graduado em enologia e viticultura em Beaune, Borgonha. Antes de assumir a empresa da família, ele trabalhou nos Domaines Jean-Jacques Confuron, de la Vougeraie e de la Romanée-Conti, e na Maison Nicolas Potel. A Rippon possui 15 ha de vinhedos, cultivados pelo método biodinâmico, sendo 8 ha de Pinot Noir. Rippon Vineyard and Winery foi fundada em 1974. Devido à sua localização a 45º sul de latitude e a uma altitude de 330 metros, os vinhedos em Central Otago produzem típicos representantes de clima frio, que são trabalhados de maneira biodinâmica pela Rippon e têm a qualidade de seus vinhos reconhecida internacionalmente. Central Otago é a região vinícola mais ao sul do planeta e no inverno as temperaturas podem cair abaixo de -5 ºC durante a noite.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor rubi claro, cristalina. Olfativo sedutor com aromas de cerejas e ameixas. No paladar os taninos são macios, o corpo é médio, com boa acidez e um acabamento aguçando o fim de boca. Surpreende pela vivacidade e maciez, e apesar de ser feito exclusivamente de vinhas jovens, não mostrou nenhuma evolução com a guarda de 7 anos. Segundo o enólogo Nick Mil, o ano de 2010 foi excepcional para a Pinot Noir. No caso das vinhas jovens, é fragrante, franca e talvez a mais clara expressão da variedade, mais do que a do solo 
e a do Terroir, formado com solos antigos de cascalhos de xisto e solos de xisto de depósitos glaciares (terminal moraine). Vinhedos plantados entre 2000-2003. A colheita manual foi feita em 17 de abril de 2010, em caixas de 10 kg, com fruta extremamente sadia. As uvas chegaram intactas à adega e passaram pela mesa de seleção. 100% das uvas foram desengaçadas e colocadas em quatro tanques de fermentação de aço inox de 2 toneladas. As leveduras naturais começaram a fermentar o mosto no quinto dia, atingindo a temperatura máxima de 28 °C no décimo dia. O tempo total de contato com as cascas foi de 12 dias. Envelhecimento de 14 meses em barricas de carvalho francês de 1 a 4 anos de uso. A fermentação malolática ocorreu espontaneamente na primavera e o vinho passou por leve clarificação e filtração antes de ser engarrafado em setembro de 2011.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 7 anos a partir da safra mostrou um vinho vivo e gostoso. Aguenta fácil mais 3 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 16 e 17°C.

Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Arriba Mexico

Um roteiro pela arte e cultura mexicana envolvendo gastronomia, vinhos, paisagens históricas estonteantes. Uma viagem "imperdível "!!!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A CLASSIFICAÇÃO DE 1855 EM BORDEAUX

A CLASSIFICAÇÃO DE 1855 EM BORDEAUX “ - Alguns leitores do VINOTICIAS perguntaram-me sobre a Classificação dos vinhos de Bordeaux, estabelecida incialmente em 1855 e que praticamente permaneceu inalterada até 1973 quando o Château Mouton-Rothschild saiu da posição de Deuxième Cru para a de Premier Cru, por decreto presidencial de Charles de Gaulle.
A famosa classificação originou-se por conta da Exposição Internacional de Paris, na qual os grandes vinhos de Bordeaux (da região do Médoc), foram Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto e Quinto Cru, listando 61 propriedades ou châteaux renomados.
O conceito de cru não nasceu na França, como muitos pensam, pois os romanos adotaram dos egípcios e dos gregos a noção de que certos vinhedos, ou certas regiões bem definidas, produziam vinhos de qualidade especial – Vem daí o conceito de cru, que em francês é uma conjugação do verbo “croître”, que quer dizer “crescer”.
Cru, neste sentido, é uma palavra que não encontra uma tradução perfeita para o português, quando utilizada no contexto do mundo dos vinhos. O termo cru é usado para indicar um vinhedo específico e de reputação reconhecida, localizado em um terroir de renome; e é também usado para se referir ao vinho produzido a partir dessas videiras desse vinhedo.
Nas classificações dos vinhos franceses significa em geral uma qualidade presumida que varia de região para região, mas indica que estamos diante de algo bom e que merece ser provado com cuidado.
Mas largando o conceito de cru, qual foi o critério, além da qualidade dos vinhos, para nortear a classificação? Nada mais simples que o valor do vinho em dinheiro na época. Ou seja, os mais caros (e presumidamente melhores) ficaram com a primeira classificação: Lafite-Rothschild, Latour, Margaux, Haut-Brion, Mouton-Rothschild. Depois desses 5 Premiers Crus temos 14 Deuxièmes Crus (2ºs), 14 Troisièmes Crus (3ºs), 10 Quatrièmes Crus (4ºs), e 18 Cinquièmes Crus (5ºs).
Em Sauternes e Barsac, e ainda de acordo com a Classificação de 1855, Premier Cru Supérieur é a qualidade máxima para os vinhos brancos de sobremesa, e existe apenas 1 representante nessa categoria: Château d’Yquem. Depois desse Premier Cru Supérieur, vem 11 Premiers Crus e 15 Deuxièmes Crus.
A região de Bordeaux criou em torno de si a fama de produtora de grandes vinhos, mas somente 2% (isto mesmo – dois por cento) são os grandes nomes que aguçam o paladar dos amantes de vinho. Importante entretanto dizer que sendo catalogados 10.000 produtores na região, 2% já somam 200 propriedades produtoras de néctares dos deuses.
A ganância dos produtores de vinhos de Bordeaux estipulando preços cada vez mais caros para seus rótulos desde 1990 afugentou muitos amantes de vinhos que abriram seus olhos para outras regiões francesas ou mesmo de outros países. O mercado americano, que era grande consumidor destes vinhos, praticamente lhes virou as costas. Entretanto, chineses e coreanos assumiram este posto e os preços continuam subindo em função da demanda.
Alguns jornalistas especializados dizem que a classificação cairá por terra por que já há vinhos que hoje são tão bons quanto os Premiers Crus. Por conta dos avanços tecnológicos e enológicos, tais como uvas melhor selecionadas, vinificação mais precisa, uso de tanques de inox, adoção de sistema gravitacional, melhor controle de temperatura de vinificação durante a maceração, entre outras melhorias, observa-se uma alteração de estilo. Os vinhos mais recentes, a partir da safra 2000, estão mais opulentos, ricos, gordos e macios, suaves, e com níveis alcoólicos de deixar qualquer Bordeaux antigo no chinelo. Se na década de 80 era comum um Bordeaux ter 12 ou 12,5% de álcool, já degustamos vinhos atuais com 14,5%.  
Muitos dizem que o fato é derivado do aquecimento global, e que isto está criando vinhos de estilo globalizado ou padronizado.  Como a tecnologia está ao alcance de todos, a qualidade de todos subiu, mas também houve uma certa padronização do gosto, lembrando em certos casos vinhos do Novo Mundo em cortes do estilo bordalês. Por sorte, alguns produtores mantêm-se fiéis ao estilo, criando vinhos exuberantes, com boa capacidade de guarda, onde além de desenvolver sua complexidade, atingem grande elegância como em Cos d’Estournel, La Tour Carnet, Léoville-Poyferré, Lascombes.
Vinhos de grande excelência como Léoville Las Cases, Latour, Lafite, Mouton Rothschild, Ducru-Beaucaillou, Pichon-Baron, Pontet-Canet, Montrose convivem com vinhos mais tradicionais, que se destacam com o tempo, mostrando suas qualidades: châteux Batailley, Beychevelle, Boyd-Cantenac, Calon-Ségur, Brane-Cantenac.
Nada a ver com a Classificação de 1855, em Graves, de acordo com a classificação própria da região, existe apenas um nível de classificação, sem hierarquia. São os 16 Crus Classés de Graves.
Em Saint-Émilion, situada à margem direita do rio Dordogne, e que não constou da classificação de 1855, embora produzisse vinhos excepcionais, criou-se em meados do século XX, a sua própria classificação, que é revista a cada 10 anos. São dois os "Premier Grand Cru Classé A" e 13 os "Premier Grand Cru Classé B", além de 46 "Grand Cru Classé " e vários "Cru Classés".
E para esclarecer outra dúvida comum, é importante não se confundir um 2eme Cru com o segundo vinho de um Chateau. Entre os segundos Crus temos: Château Rauzan-Ségla, Margaux / Château Rauzan-Gassies, Margaux / Château Léoville-Las Cases, St.-Julien / Château Léoville-Poyferré, St.-Julien / Château Léoville-Barton, St.-Julien / Château Durfort-Vivens, Margaux / Château Gruaud-Larose, St.-Julien / Château Lascombes, Margaux / Château Brane-Cantenac, Cantenac-Margaux (Margaux) / Château Pichon Longueville Baron, Pauillac / Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, Pauillac / Château Ducru-Beaucaillou, St.-Julien / Château Cos d'Estournel, St.-Estèphe e Château Montrose, St.-Estèphe.
E o que vem a ser um segundo vinho de um Premier Cru? A grande maioria dos Châteaux de Bordeaux (sejam Premier, Deuxième, Troisième e assim por diante) produz um segundo vinho, ou "Deuxième Vin", abaixo do seu "Gran Vin". Por exemplo, o Deuxième Vin do Premier Grand Cru Classé Château Lafite Rothschild é o Carruades de Lafite, enquanto que os espetaculares Château Léoville-Las Cases e Château Cos d'Estournel são Deuxièmes Crus da Classificação de 1855.
Ter um segundo vinho não é algo recente nos châteaux de Bordeaux. Em 1904, Léoville-Las Cases fez o seu segundo rótulo (Clos du Marquis) e quatro anos depois foi a vez do Château Margaux desenvolver o Le Pavillon Rouge. No entanto, até a década de 1980, a maioria dos enófilos só conseguiam encontrar no mercado o Les Forts de Latour, o Pavillon Rouge e talvez o Moulin de Carruades (antigo nome do Carruades de Lafite). Atualmente, contudo, quase todos châteaux, mesmo alguns sem classificação, possuem um segundo vinho.

A ideia ocorreu nos anos 80 devido às colheitas abundantes da década. Alguns jornalistas afirmam que isto aconteceu para que os Châteaux mantivessem os preços de seus primeiros vinhos em um patamar elevado. Dizem que um dos grandes incentivadores dos produtores de Bordeaux para a criação dos segundos vinhos foi o professor Emile Peynaud. Na década de 1990, o número de segundos vinhos cresceu mais de dez vezes e alguns Châteaux chegaram a produzir até mesmo um terceiro rótulo.

REMHOOGTE VALENTINO SYRAH 2010 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL

● Vinho da Semana 072017 - ● REMHOOGTE VALENTINO SYRAH 2010 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL - Este vinho é uma homenagem ao proprietário e primeiro enólogo de Remhoogte, Murray Boustred. Ele nasceu no Dia dos Namorados (Valentine Day). A África do Sul é conhecida por combinar em seus vinhos tintos e brancos o sabor e a intensidade do Novo Mundo, com a classe e a elegância dos rótulos da Europa.
O país é um dos maiores destaques da atualidade, com celebrados vinhos finos, equilibrados e saborosos, sempre de excelente relação qualidade/preço. Na verdade, tanto pelo estilo da viticultura quanto pela antiguidade dos vinhedos, é difícil decidir se é mais apropriado classificar a África do Sul como “Novo Mundo” ou “Velho Mundo” em matéria de vinhos.
A África do Sul produz alguns maravilhosos “Cape Blends”, cortes bordaleses ou com outras uvas. Os excelentes vinhos de Syrah estão entre as novidades mais celebradas no país na atualidade. A África do Sul também produz vinhos brancos excelentes e muito finos.
Algumas das melhores barganhas do mundo do vinho na atualidade estão na África do Sul, com vinhos tintos e vinhos brancos de fantástica relação qualidade/preço. São todos achados que realmente vale a pena descobrir!
● Notas de Degustação: cor rubi de boa intensidade, sem reflexo do tempo de guarda. Aromas intensos de ameixa e amora, groselha e toque doce da baunilha. O paladar é pleno dos mesmos frutos escuros encontrados no olfato. Os taninos estão macios, com uma textura aveludada. O final de boca é longo e a persistência permite saborear a sua complexidade. Passa 25 meses em barricas de carvalho francês (30% de primero uso).
● Estimativa de Guarda: um sul-africano no melhor estilo do Rhône que aguenta fácil 8 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 17 e 18°C.

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

REMHOOGTE CHENIN BLANC 2013 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL

● Vinho da Semana 072017 - ● REMHOOGTE CHENIN BLANC 2013 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL – Criado em 1812, Remhoogte é uma propriedade de 60 hectares, ao Sudeste de Simonsberg, perto de Stellenbosch. Uma das melhores regiões de vitivinicultura na África do Sul. Dany e Michel Rolland, que tinham se apaixonado pela África do Sul, assinaram em 2001, um acordo de parceria com a propriedade de Remhoogte. Fazem vinhos com grande potencial em um terroir altamente qualificado.
A uva Chenin Blanc é como um camaleão, podendo assumir características muito específicas, e diferentes, conforme seu terroir. Em climas quentes, aproxima-se mais da Chardonnay, da Viognier e da Torrontés. Em climas frios, da Sauvignon Blanc, da Alvarinho e da Pinot Grigio. Para ler mais sobre o conceito de terroir, clique aqui. O estilo de vinhos produzidos com a Chenin Blanc também varia, de secos a deliciosos vinhos de sobremesa, passando inclusive por espumantes. Mas sempre com uma acidez que oscila de média a alta.
Chenin Blanc é uma cepa usada tanto em vinhos varietais, como em vinhos de corte. Na África do Sul, é a principal branca nacional, muitas vezes é cortada com Sémillon, Viognier e Marsanne em vinhos mais encorpados, e com Sauvignon Blanc em vinhos mais secos. Em Languedoc, na França, a Chenin Blanc é cortada com Chardonnay e Mauzac, na produção de vinhos espumantes.
Colhida precocemente, a Chenin Blanc pode remeter a maracujás, enquanto o amadurecimento a aproxima dos pêssegos. Os aromas frutados e florais, com notas de nozes, são os mais frequentes nos vinhos de Chenin Blanc. Degustadores costumam identificar as frutas damasco, melão, maçã verde, ameixa verde, marmelo, limão, lima e toranja, além de flores silvestres, mel, amêndoas e marzipan.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor amarela clara, cristalino. Olfativo sedutor com aromas de damascos e figos turcos, notas de mel apoiado por aromas picantes de vegetação e mineral. No paladar aparece a nota de mel e frutas frescas combinando num vinho gostoso, suculento, com um acabamento fino e longo, com as notas minerais e vegetais aguçando o fim de boca. Surpreende pela vivacidade e maciez. Passa 7 meses em carvalho francês.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo jovem, de imediato, mas a guarda recomendada é por até 5 anos a partir da safra.
Notas de Harmonização: Carnes vermelhas, massas e embutidos. Servir entre 7 e 8°C.

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Dica de fim de semana: 'O Mundo do Vinho', no GNT

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

VERDELHO, OUTRA UVA POUCO CONHECIDA DO BRASILEIRO

“ VERDELHO, OUTRA UVA POUCO CONHECIDA DO BRASILEIRO “ – Já que falamos na semana passada da Uva Verdejo nativa de Rueda, noroeste espanhol, agora é hora de esclarecer a diferença dela para a uva Verdelho, variedade nativa da Ilha da Madeira desde o século 15. Aliás, não vamos confundi-la também com a Gouveio nativa do norte de Portugal e Galícia onde é chamada de Godello. Em Portugal, no Minho com o nome de Gouveio e no vizinho Douro de Verdelho, e a Verdichio uva de Marche, na Itália. Ou seja, haja confusão.
Talvez haja algum parentesco distante com a Verdichio do Marche, e a Verdelho produz na ilha da Madeira, vinhos encorpados com acidez baixa, mas bastante vigorosos ao estilo Meio-Secos. Seus vinhos estão classificados como meio secos ficando entre os vinhos elaborados com a Bual e a Sercial. Lembrando que uma das classificações do clássico Madeira é por nível de doçura. O seco, meio seco, meio doce e o doce. Cada qual com seu varietal que traz o açúcar natural necessário.
Outro solo onde a uva se desenvolve com maestria é a ilha de Açores. Os vinhedos são muito resistente às intempéries provocadas pelo clima marítimo como ventos fortes, umidade e salinidade ela é cultivada nos canteiros de pedras chamados currais para a proteção física aos fortes ventos sendo a base do vinho fortificado de Açores onde traz ao vinho toques de avelã e nozes. Ali produz e produziu um vinho licoroso que foi vendido na Europa e fez um grande nome na Rússia dos Czares. Na época este estilo de vinho era muito requisitado.
A uva Verdelho, originária de Portugal, foi a variedade mais plantada na região da Ilha da Madeira durante o século XIX. No entanto, apesar do amplo cultivo desta casta, que chegou a ocupar cerca de dois terços dos vinhedos da área, a uva Verdelho só foi reconhecida como uma casta nobre no início dos anos 1900.
Fora das regiões portuguesas, é possível encontrar a casta Verdelho em áreas da Europa e em países do Novo Mundo, como na Austrália, Estados Unidos e África do Sul.
É uma uva branca de alta qualidade, encontrada na Itália e na península ibérica, que produz vinhos brancos equilibrados, saborosos, e de bom corpo e estrutura. A grafia Verdelho é portuguesa e a Verdello é espanhola e italiana. Hoje, a região que mais se destaca na produção de vinhos Verdelho é o Alentejo, em Portugal. Na Itália é encontrada na Sicília.
 Apresentando cachos pequenos e compactos, a uva Verdelho possui bagos miúdos e características como notável acidez, níveis consideráveis de açúcar natural e coloração verde amarelada. É uma uva fresca, com boa acidez e sabor presente.
Os aromas mais associados aos vinhos elaborados com a uva Verdelho são damasco, peras, pimentas brancas, além de frutas cítricas e tropicais. Nos vinhos brancos e secos, não fortificados, ela geralmente aparece sozinha, mas também é possível encontrá-la em cortes com Chardonnay ou Sémillon.
Para provar um vinho branco e seco produzido com Verdelho, procure um bom bacalhau ou um peixe de forte personalidade como salmão desde que não defumado. Considere, também, ostras ou vieiras. E, mesmo com fama de difíceis de harmonizar, os aspargos são bons companheiros para Verdelho.
Os vinhos brancos elaborados a partir dessa variedade de uva tem bom corpo e boa estrutura, além de excelente sabor e equilíbrio, com uma persistência agradável em boca, com aromas florais e sabor de frutas tropicais, com um toque de manga e de maracujá. Como a maioria dos vinhos brancos, vai bem com frutas de pomar e saladas, queijos finos, peixes e crustáceos. Tem guarda para 4 ou 5 anos, mas pode ser provado logo com 1 ano, sem perda de qualidade.
A Verdelho está entre as principais uvas que originam os renomados Vinhos Madeira, ao lado das cepas Tinta Negra, Boal, Malvasia e Sercial. Os exemplares denominados como Vinho Madeira são vinhos únicos, extremamente longevos e de altíssima qualidade. Esses vinhos são produzidos a partir de fermentação parcial do mostro das uvas utilizadas na composição da bebida e recebem aguardente vínica, conhecida em Portugal como bagaceira, para que o vinho se torne fortificado. Dessa maneira, os vinhos produzidos na Ilha da Madeira tem cerca de 19 graus Gl de teor alcoólico.
Neste estilo de Vinhos Madeira, os vinhos produzidos a partir da casta Verdelho tem estilo bastante similar aos Vinhos do Porto, que também são fortificados pela adição de aguardente vínica e dispõe de ampla variedade de aromas e sabores. Além disso, outro tipo de vinho muito parecido em composição e elegância aos elaborados com a Verdelho é o Jerez espanhol.

Herbáceos e fortificados, os vinhos secos originados a partir da uva Verdelho são exemplares com feixes de acidez e possuem aromas, geralmente, associados a damascos, pimentas brancas, peras, frutas tropicais e cítricas. Ideais para sobremesas ou para o fim de refeições, os vinhos madeira são versáteis, podendo acompanhar com maestria pratos de carnes vermelhas tão bem quanto podem ser coquetéis e aperitivos, na sua versão seco.