domingo, 24 de abril de 2016

VIVA OS VINHOS DO ALENTEJO




Escrevi o artigo VIVA OS VINHOS DO ALENTEJO ” – Belo Horizonte receberá em breve dói belos eventos para celebrar os vinhos do Alentejo. O primeiro deles acontece no sábado, 30 de abril das 10:00 às 17:00, na Casa Fiat De Cultura Antigo Palácio dos Despachos, em plena Praça da Liberdade, na próxima edição da Feirinha Aproxima. Será uma harmonização perfeita dos vinhos desta região de Portugal com os melhores produtos mineiros, comidas, sanduíches, quitandas, queijos e muito mais. Sem contar, claro, que haverá cafés especiais e cervejas artesanais. A Feirinha Aproxima será realizada nos jardins da Casa Fiat de Cultura, que fica no andar de cima. ENTRADA GRATUITA.
            O segundo evento acontece em BH no dia 05 de Maio, promovido pela Adega Alentejana. O Road Show percorrerá 11 cidades brasileiras que receberão a 8ª edição do evento. A Adega Alentejana trará ao Brasil grandes produtores de Portugal e apresentará os novos produtores e parceiros do Chile e da Espanha. Uma mega degustação com mais de 100 rótulos diferentes para serem degustados, além de azeites, conservas de peixe, geléias, chocolates e biscoitos. Com toda a certeza, trata-se de uma excelente oportunidade para provar grandes vinhos e conversar com os próprios enólogos/produtores. O preço por pessoa é R$ 150,00 e as vagas são LIMITADAS! Contatos para compra de Ingressos em BH, com: Salles – 99615-2860 ou salles.vinhos@gmail.com  e Rui Zorzi – 99973-0419 ou rui_zorzi@yahoo.com.br  
Mas qual é o segredo de tanto sucesso dos vinhos do Alentejo ? Num universo onde o mundo todo faz vinho, tudo em Portugal é diferente !!! Única coisa em comum é que o vinho português também é feito com uvas. O TOP 5 de uvas clássicas  do vinho, ou seja, as castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Chardonnay e Sauvignon Blanc é comum a todo mundo e também estão presentes em alguns rótulos de vinhos portugueses, mas o rico patrimônio de uvas autóctones vai além das 250 uvas e são todas elas usadas em vinhos conforme as suas regiões de plantio.
Este rico patrimônio de castas nativas chama a atenção para um diferencial na forma de fazer vinhos. No Novo Mundo predominam os vinhos varietais, enquanto na Europa predomina a lógica de compra de vinhos pela região de produção. Independente de serem varietais ou blends, compra-se Borgonha, Loire, Alsácia, Bordeaux, Barolo, Barbaresco, Brunello, para citar alguns exemplos. Em Portugal, 95% do vinho produzido é vinho de corte, com um blend de várias uvas.
Ocorrem mais diferenças em Portugal, como o fato dos vinhedos serem plantados como no passado, com várias castas co-plantadas com tudo misturado, mesmo numa única linha, enquanto no resto do mundo os vinhedos são plantados por variedades separadas. É tudo tão misturado, que numa mesma linha do vinhedo podem coexistir castas brancas e tintas. A dificuldade de todas maturarem ao mesmo tempo na época da vindima é “corrigida” pela mãe natureza que acaba por ajustar as diferenças, com uma variação máxima de 4 dias, o que convenhamos, não é nada! Em vinhedos de parcelas isoladas, as diferentes castas podem maturar com prazos diferentes entre 6 a 7 semanas entre cada uma delas. Os vinhedos co-plantados têm também a vantagem de serem mais resistentes às doenças.
Além disto, em Portugal, outra diferença em relação aos demais países produtores é a pisa a pé nos seus melhores vinhos, evitando o esmagamento das sementes de uvas, que em geral trazem aromas e sabores amargos para o vinho. Além disto, nos lagares de pisa, o contato entre as cascas e o mosto se faz por mais tempo, e lembremos que o aroma e a cor do vinho estão nas cascas das uvas! A pisa a pé cria uma remontagem no vinho (as uvas vão até a altura dos joelhos, e as pessoas efetivamente tem que subir as pernas nesta atividade, e não simplesmente pisar sobre as uvas). Isto tudo se revela em vinhos espetaculares que vem chamando cada vez mais a atenção para a qualidade consistente dos grandes vinhos portugueses.Em algumas regiões de Portugal, em especial no Alentejo, usa-se a fermentação em talhas de barro (ânforas). Um método antigo, da época em que a região foi colonizada por romanos (estamos falando de 7 séculos antes de Cristo !!!) e que hoje em dia só se faz em Portugal e na Geórgia. O fato é que a diversidade de mais de 250 castas nativas, de microclimas e de solos, mais o fator humano da tradição de fazer vinhos a mais de 2700 anos em diferentes terroirs coloca Portugal a frente de uma grande diversidade de estilos, com vinhos produzidos com teor alcólico entre 7 a 21%.
Tal como o milagre das bodas de Canaã, as vinícolas do Alentejo mudaram da água para o vinho. A região que foi até os anos 1960 conhecida pela produção de vinhos baratos e rústicos, (com poucas exceções), tem hoje o maior nível médio de qualidade de Portugal. No total, são cerca de 21 mil hectares de vinhas, divididos por várias cooperativas, centenas de vinícolas familiares e diversos estilos.
O Alentejo conquistou recentemente o título de Melhor Região Vinícola do Mundo para Visitar num concurso a nível mundial promovido pelo USA Today. Neste concurso, a região, concorria com destinos com Okanagan Valley – que ficou em segundo lugar na lista dos dez melhores -, Maipo, Marlborough, Croácia, Napa Valley, Toscana e Mendonza.  O jornal descreveu a região alentejana como tendo “ótimos enoturismos, hotéis e restaurantes, e excelentes vinhos – principalmente tintos -, fatores que proporcionam uma grande experiência e viagem pelo universo vinícola a quem visita o destino”. O USA Today destaca ainda a qualidade e diversidade das vinhas e dos olivais, as aldeias pitorescas, os prados floridos e as serras, afirmando ainda que “o Alentejo é um território rural e intrigante que oferece aos turistas uma verdadeira viagem no tempo”. Alem disto, a gastronomia alentejana, assim como as praias e a excelência do acolhimento são igualmente referidas pelo jornal, no artigo onde anuncia a eleição do Alentejo como a Melhor Região Vinícola do Mundo para Visitar.
Os fenícios, gregos e romanos apreciavam as uvas produzidas entre as suaves colinas e a fértil paisagem do Alentejo. Esta famosa região que abrange cerca de um terço do território de Portugal tem uma longa história vinícola e é hoje tão popular como outrora. O plantio da vinha nesta região data do período romano, como atestam vestígios vários dessa época, como as sementes de uva descobertas nas ruínas de São Cucufate, perto de Vidigueira, e alguns lagares romanos. Os primeiros documentos escritos sobre o plantio da vinha datam do século XII. Na imensidão de horizontes planos, ou quase planos, o Alentejo tem como acidentes orográficos mais importantes as serras de Portel (421 m), Ossa (649 m) e São Mamede (1025 m). O Nordeste Alentejano, próximo da fronteira espanhola, é mais montanhoso e possui uma paisagem verdejante, propícia à criação de microclimas muito favoráveis à cultura de uvas de elevada qualidade. Para o sul, onde o clima é mais quente, os vinhedos prosperam entre as suaves colinas e intermináveis planícies. É nas elevações isoladas que se geram os microclimas propícios ao plantio da vinha e que conferem qualidade ao vinho.  A posição meridional e a ausência de relevos importantes são responsáveis pelas características  Mediterrânica e Continental do clima.  A insolação tem valores elevados, que se reflete na excelente maturação e sanidade das uvas, principalmente nos meses que antecedem a vindima, propiciando a perfeita acumulação dos açúcares e de matérias corantes na pele dos bagos.
Os vinhos tintos típicos do Alentejo costumam ser descritos como frutados e ricos em aromas, macios nos seus tanino e fáceis de beber e de gostar. A casta tinta mais comum é a Aragonez (conhecida como Tinta Roriz no Dão e no Douro, e como Tempranillo na Espanha). A nova geração de tintos recorre também a castas importadas, como a Cabernet Sauvignon. Os vinhos tintos costumam ter cor rubi bem definida ou granada, com aromas de frutas vermelhas, maduras, com paladar de taninos macios, ou com ligeira tanicidade, com corpo e bom  equilíbrio, e via de regra com teores alcoólicos na casa dos 14 a 14,5%. Agradáveis para serem bebidos jovens e ganhando complexidade com a guarda. Nos vinhos brancos, a casta Antão Vaz é a mais utilizada, com resultados espetaculares, criando vinhos de cor palha, ou citrina, com aromas frutados cítricos, de maça verde, jambo, abacaxi, portanto com boa complexidade no aroma e sabor, ligeiramente ácidos a ácidos, com algum corpo e ótimo equilíbrio.
O patrimônio de castas na região do Alentejo é enorme. Nas tintas podemos encontrar vinhos feitos a partir das castas: Alfrocheiro, Alicante-Bouschet, Aragonez (Tinta Roriz), Baga, Cabernet-Sauvignon, Caladoc, Carignan, Castelão (Periquita1), Cinsaut, Corropio, Grand Noir, Grenache, Grossa, Manteúdo Preto, Merlot, Moreto, Petit Verdot, Pinot Noir, Syrah, Tannat, Tinta-Barroca, Tinta-Caiada, Tinta-Carvalha, Tinta-Miúda, Tinto-Cão, Touriga-Franca, Touriga-Nacional, Trincadeira (Tinta Amarela), Zinfandel, Gewurztraminer e Pinot-Gris. Nas castas brancas temos: Alicante-Branco, Alvarinho, Antão Vaz, Arinto (Pedernã), Bical, Chardonnay, Chasselas, Diagalves, Encruzado, Fernão-Pires (Maria Gomes), Gouveio, Larião, Malvasia-Fina, Malvasia-Rei, Manteúdo, Moscatel-Graúdo, Mourisco-Branco, Perrum, Rabo-de-Ovelha, Riesling, Sauvignon, Semillon, Sercial (Esgana Cão), Síria (Roupeiro), Tália, Tamarez, Trincadeira-das-Pratas, Verdelho, Viognier e Viosinho.
O Alentejo voltou a estar em grande destaque recente, desta feita numa prova de vinhos organizada pela revista Decanter, considerada uma das melhores revistas do mundo no tema. Um total de 82 vinhos tintos da região foram avaliados obtendo resultados excelentes, tendo em conta que as pontuações atribuídas são raras na Decanter e apenas são outorgadas a vinhos de excepção. O painel de prova foi constituído por Nick Oakley, Joanna Locke e Sarah Ahmed, a crítica de vinhos inglesa que faz frequentes visitas ao Alentejo e é conhecedora do panorama vínico da região. Segundo Nick Oakley, «The Alentejo is still na unsung region that is making wines every bit as good as more famous regions – but for a lot less money».
A revista inglesa Decanter, uma das revistas da especialidade mais influentes da Europa, tem vindo a destacar um teor altamente positivo sobre a evolução que tem sido revelada pelos vinhos Alentejanos. O Alentejo é a região líder no mercado português – quer na quota de mercado em volume (46,4%) quer em valor (45,0%), segundo os dados ACNielsen, na categoria de vinhos engarrafados de qualidade com classificação DOC e IG. Os Vinhos do Alentejo juntam 263 produtores e 97 comerciantes numa área total de vinha de 20.670,68 hectares, sendo que a área total de vinha aprovada para DOC Alentejano é de 14.698 hectares.

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