segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

SAFRAS MADURAS

“ SAFRAS MADURAS “ – No processo de orientação de Confrarias de Vinho tenho me deparado com perguntas interessantes  sobre a questão “safra do vinho”. Há perguntas de todo tipo, tal como até que ponto uma safra importa na qualidade do vinho? Porque vinhos de safras diferentes têm preços diferentes? Melhor beber vinhos jovens ou melhor bebê-los maduros?
Então, vamos tentar esclarecer alguns pontos desta questão. A primeira delas vem a ser o que quer dizer “safra”. É o período compreendido entre o preparo do solo para o plantio até a colheita de determinada cultura. Em Portugal a colheita das uvas é tão importante que a palavra elegida para definir esta atividade é “vindima”. Como a floração, o desenvolvimento dos cachos de uvas e colheita se dá no mesmo ano, safra portanto, descreve todo este processo.
Em alguns anos as condições climáticas favorecem a melhor formação e maturação dos cachos e bagos, e têm-se a possibilidade de produção de grandes vinhos, criando o conceito de safras excepcionais. Além disto, há o ditado que “quanto mais velho, melhor!”, mas se o vinho for de uma safra medíocre, “quanto mais velho, pior será!”. A idéia de que um vinho antigo é melhor e mais valioso é tão aceita quanto o fato de que sua qualidade estar associada ao preço que se paga pela garrafa.
O que é importante é mostrar que vários “ditados” na realidade não condizem com os fatos que podem apurados nas provas de vinhos. Como trabalho com degustações “ás cegas”, nas quais os vinhos são provados sem saber o que está sendo bebido, há a vantagem de não ser criado nenhum pré-conceito em relação a garrafa que está sendo servida. As degustações às cegas são verdadeiras provas de humildade, nas quais muitas vezes um vinho de valor mais acessível ganha o gosto dos participantes na degustação, provando muitas vezes que nem sempre o mais caro é melhor !
De longe, a razão mais importante e impactante para que um vinho fique diferente a cada ano é o clima, pois numa mesma região, num mesmo vinhedo, é comum que elas possam variar ano após ano. E mais difícil ainda as condições climáticas (especialmente o regime de chuvas e temperatura) sejam perfeitas em todos os anos. Assim, o homem procura adaptar os vinhedos as estas condições regionais específicas, plantando clones mais propícios evitando os problemas que o clima pode causar. O excesso de chuvas deixa a polpa da uva muito diluída, enquanto que temperaturas muito baixas não permitem que a fruta amadureça de forma eficiente. Assim sendo, podemos dizer que os vinhos de regiões de clima instável sofrem muito mais alteração ano após ano do que de regiões mais estáveis e previsíveis como Mendoza, onde chove menos de 300mm por ano.
 Existem outros fatores que influenciam a qualidade do vinho a cada ano. A atuação do enólogo pode fazer toda a diferença na qualidade final do vinho, mesmo que o ciclo da videira não tenha sido o esperado, a verdade é que as técnicas de produção têm-se desenvolvido favoravelmente.
Vinhos mais baratos e de marcas mais populares, com processo de produção em grande escala industrial, apresentam pouca ou quase nenhuma variação entre uma safra e outra. O processo dificilmente muda de um ano para o outro e os produtores utilizam de artifícios que compensam problemas que podem ter sido causados durante a safra, tais como a evolução do ciclo da videira, regime de chuvas, temperaturas extremas, e assim por diante.
Uma boa forma de aprender avaliar as variações entre as safras é degustar vinhos maduros junto com vinhos mais jovens. As frutas maduras dos vinhos jovens vão cedendo espaço para aromas etéreos, de couro, defumados, notas balsâmicas, tabaco, café, mostrando a complexidade do bouquet formado pela guarda na garrafa.
Há dois anos, provamos numa degustação os vinhos Chateau Latour Malartic Pessac-Leognan 96, Seña 96, Alion Vega Sicilia 97, Ser Giovetto Roca della Macie 97, Cabo de Hornos 98, Crozes Hermitage Domaine des Remizieres 98 como safras maduras, junto com o Guado al Tasso 2007 e Excelsus Banfi 2009 como safras novas.
Ao final da noite, às cegas, por votos, o vinho Chateau Latour Malartic Pessac-Leognan 96, com 18 anos de guarda, tendo atingido sua plena maturidade foi eleito como o melhor da noite. Na realidade, todos eram vinhos excelentes, mas ele cresceu ao longo do tempo em taça, revelando nuances de aromas e complexidade além das expectativas. Em paralelo aos votos no final da degustação, preenchemos uma ficha de anotações e estatísticas, e fazendo o resumo destas avaliações, o Guado AL Tasso 2007 atingiu a mesma nota do Latour Malartic, com 92 pontos.  Prova que o Guado AL Tasso tem muito a crescer com a guarda.
Recentemente degustamos vinhos do Chile criados entre 1999 e 2003. Vinhos portanto com idade entre 13 e 17 anos, chegando próximos da sua maioridade. Vinhos de 2000 como o Almaviva e 2001 como El Principal mostraram estar em plena forma, com o melhor de suas características sendo provadas nas taças.
No final das contas, avaliar a importância da safra também depende do nível de conhecimento do degustador, do volume de vinho que ele degustou ao longo da vida, percebendo as diferenças entre regiões e sutilezas de cada safra, e ainda da intenção de cada produtor. É claro que enólogos ou entusiastas, que estudam as regiões e seus vinhos, vão procurar entender as diferenças e comparar cada ano em particular, elegendo as melhores safras.
Por outro lado, se você só quer degustar o vinho com uma refeição ou enquanto relaxa com uma boa companhia, a safra não precisa ser um motivo de preocupação. As diferenças para vinhos do dia-a-dia não são tão significativas e o consumidor em geral não conseguirá perceber as nuances se não tiver duas ou mais safras ao mesmo tempo para comparar.

De qualquer forma, fica o convite para você buscar perceber estas nuances e ir aprofundando seu conhecimento em vinhos em 2017. Saúde !!!

SASSICAIA 2012 TENUTA SAN GUIDO – BOLGHERI – TOSCANA - ITÁLIA

● Vinho da Semana 522016 - ● SASSICAIA 2012 TENUTA SAN GUIDO – BOLGHERI – TOSCANA - ITÁLIA – Nos anos vinte, estudante em Pisa, Mario Incisa Della Rocchetta sonhava em criar um vinho de raça. O ideal era representado por grandes vinhos de Bordeaux. Depois de diversos experimentos com vários tipos de uva a decisão foi tomada escolhendo a Cabernet Sauvignon pela semelhança que tinha entre a região de Bolgheri na Toscana e a região de Graves em Bordeaux.
O nome Sassicaia vem mesmo da constituição do terreno pedregoso ou “sassoso”, daí Sassicaia ou lugar pedregoso. O primeiro vinhedo de Mario Incisa é hoje considerado o berço do Cabernet italiano. Um vinho composto prevalentemente desta uva francesa representando na época uma grande mudança na cultura toscana e piemontesa do Sangiovese e da Nebbiolo, tanto que as primeiras opiniões não eram positivas: os complexos vinhos obtidos da Cabernet Sauvignon necessitavam de um tempo para estruturar-se.
De 1948 a 1960 o Sassicaia foi bebido somente na Tenuta, mas a cada ano poucas caixas eram postas para envelhecer nas adegas de Castiglioncello. Na verdade, o Sassicaia não obteve um grande sucesso no começo, já que bebido jovem, como de costume na época, resultava ser um pouco áspero. Apenas por uma coincidência alguém o experimentou de um barril que tinha sido esquecido em uma adega e percebeu o quanto ele tinha melhorado, até podendo ser comparado com os mais famosos Bordeaux. Assim, ele obteve uma identidade e foi até eleito como o primeiro “SuperTuscano”.
Supertuscanos são aqueles vinhos toscanos que não respeitam a tradição da região: são produzidos a partir de uvas diferentes da clássica Sangiovese do Brunello ou do Chianti e muitas vezes são fermentados em barris por 12 a 24 meses. De fato, o Sassicaia é produzido principalmente com uva Cabernet Sauvignon. O Marquês se deu conta que com o tempo seu vinho melhorava, pois aquilo que antes eram considerados defeitos com o tempo foram se tornando virtudes. Em 1965 Mario plantou outros dois vinhedos de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.
A safra de 1968 foi a primeira a ser comercializada no mercado com uma receptividade de um Bordeaux premier cru. Nos anos seguintes a cantina foi transferida para um local com temperatura controlada para a fermentação em tanques de aço inox e para o envelhecimento começaram a ser usadas barricas de carvalho francês.
A safra de 1985 que alcançou pontuações altíssimas é um divisor de águas para o Sassicaia, pois deu visibilidade e reconhecimento internacional sendo considerada a partir daí por unanimidade um dos grandes vinhos italianos. A terra de Bolgheri continua a proporcionar ao mundo o Sassicaia, um vinho que tem alma nobre e a memória das pedras.
O Sassicaia é um verdadeiro Supertoscano, único e inigualável! A safra 2011 está excepcional e recebeu da conceituada revista Wine Spectator 95 pontos e de Robert Parker 94 pontos. Um presente inesquecível ou um marco para grandes comemorações, sem dúvida, um dos melhores vinhos produzidos na Itália, com um caráter inconfundível.
vVinificação - Após a colheita manual, a fermentação acontece por 15 dias em tanques de inox, com as cascas e temperatura controlada e em seguida, sua guarda é feita em barricas de carvalho francês durante 24 meses seguido de afinamento em garrafa por mais 6 meses.
● Notas de Degustação: Corte das uvas: 85% Cabernet Sauvignon e 15% Cabernet Franc.  Coloração vermelho rubi, brilhante e intenso. O olfato é elegante, potente, complexo com notas de frutas vermelhas e negras (cerejas e amoras), especiarias e toques defumados. O ataque em boca é o de um vinho encorpado, concentrado, com taninos macios e bem integrados no conjunto, com um final muito longo em boca. Perfil clássico de Bordeaux. Um vinho gastronômico, sedutor e que fez bela harmonia com um Bife Ancho.
● Reconhecimentos Internacionais: 94RP, 95 WINE SPECTATOR (Safra 2011)
● Estimativa de Guarda: um vinho que aguenta fácil 15 anos a partir da safra.
Notas de Harmonização: Delicioso com carnes vermelhas assadas, risotos elaborados com ingredientes de sabores fortes e massas em molho rico. Servir entre 18 e 20°C.

Onde comprar: Degustado em Confraria.

ARRIBA MÉXICO - CORES e SABORES | México | 29 MAR a 12 ABR 2017

ARRIBA MÉXICO - CORES e SABORES | México | 29 MAR a 12 ABR 2017 -  Ainda em fase de detalhamento, mas certamente iniciaremos por Saltillo, capital do Estado de Coahuila de Zaragoza, ao norte fazendo fronteira justo com o Estado do Texas, visitando o Pueblo Mágico de Parras onde está a vinícola mais antiga das Américas em operação até hoje desde 1597, entre outros atrativos, como a sua impressionante Catedral realizando uma visita especial acompanhada pelo Sacristán para nos mostrar certos segredos e mistérios. Ou o espetacular Museo del Desierto, para conhecer seus doces com Nozes Pecán. Esta fase do Roteiro pelo norte deve durar 4 noites.

Depois voamos para Cidade de Guanajuato, no Estado do mesmo nome, nos hospedando na charmosa, histórica e inscrita no Patrimônio da Humanidade, San Miguel de Allende, a região mais colonial do México e onde tem também algumas vinícolas bem interessantes para se conhecer.
Finalizamos o Roteiro na Cidade do México, sendo que no seu caminho conheceremos outro Pueblo Mágico, o de Tequisquiapán, no Estado de Qerétaro, região produtora de Queijos e Vinhos. Na Cidade do México, passaremos outras 4 noites, para dedicar um dia para conhecer o famosa Basílica de Guadalupe, um ícone do mundo cristão, e como contraponto, um dos mais importantes sítios arqueológicos de outro mundo, o azteca, Teohtihuan com suas espetaculares Pirâmides do Sol e a Lua, e a Avenida dos Mortos.


Também dedicaremos um dia para o famoso “Zócalo” o centro nevrálgico da capital federal conhecida como CDMX (Cidade do México). No seu Palácio Nacional veremos os impressionantes murais de Diego Rivera, o sitio de Tenochtitlán, o Templo Maior do Aztecas onde hoje está a emblemática Catedral na qual faremos uma visita guiada no seu subsolo com os restos desta cidade azteca, e a Igreja e Hospital de Jesús Nazareno, o mais antigo hospital em operação até hoje nas Américas desde a sua fundação em 1524 por Hernán Cortes, lugar onde Cortés e Moctezuma II se encontraram por primeira vez. Em resumo, um Roteiro repleto de experiências!                   

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O Passo a Passo da Degustação – um Guia Prático para Aprender a Provar Vinhos

Quem quer um bom presente de Natal, e gosta de vinhos, não pode se esquecer de comprar o “O Passo a Passo da Degustação – um Guia Prático para Aprender a Provar Vinhos”, novo livro de Célio Alzer.

No livro, ele procura mostrar que a degustação, antes de ser um exercício exclusivo de especialistas, é uma atividade prazerosa, ao alcance de qualquer pessoa que simplesmente goste de vinhos e que tenha um mínimo de informação.

Sem prejuízo da parte técnica, usa uma linguagem simples e extremamente coloquial, valorizada pelo projeto gráfico de Marcela Perroni e pelas ótimas fotos especialmente feitas para o livro por Sergio Pagano.

Vai a dica !!!

domingo, 18 de dezembro de 2016

ESPUMANTES - FESTA SEMPRE !

ESPUMANTES -  FESTA SEMPRE ! “ –

“ O Champagne é o único vinho que uma
mulher pode beber e ainda continuar bonita”
Madame de Pompadour -amante de Luiz XV

"Na vitória a mereço, na derrota preciso dela "
Napoleão Bonaparte

Os vinhos espumantes, e especialmente os Champagnes, sempre foram sinônimo da celebração de momentos de sucesso, das conquistas realizadas e das Festas de qualidade.  Nos vinhos espumantes, durante a fermentação, o açúcar é convertido em álcool e gás carbônico. Nos vinhos normais o gás é liberado, enquanto nos espumantes ele fica retido na garrafa, dissolvido no vinho, havendo dois processos de produção: Champenoise (tradicional) e Charmat.


Outros nomes para o Champagne: na França- Mousseux ou Cremant. Na Espanha - Cava, na Itália - Spumanti ou Prosecco. Nos Estados Unidos e Austrália- Sparkling, na Alemanha - Sekt.  O vinho Blanquet de Limoux é considerado o ancestral do Champagne, foi na região de Limoux que se inventou o método "champenoise", ou seja, a formação das bolhinhas dentro das garrafas. Este é o mais antigo espumante produzido na França, combinando a riqueza da casta de uva local Mauzac, com a majestosa Chenin Blanc e a fina Chardonnay, resultando num vinho elegante, sutil, refrescante, com borbulhas discretas e de boa persistência.

De certa forma é impossível não se seduzir pelas bolhinhas que dançam pela taça, e quanto mais se conhece sobre a elegância dos espumantes, melhor são apreciados. De forma geral a primeira coisa que nos atrai é seu frescor. As bolhinhas parecem sussurrar nos nossos ouvidos, enquanto os olhos fitam a cristalinidade do vinho. Seus aromas fazem uma festa dos sentidos; devendo ser degustados frescos, na temperatura ideal entre 8 e 10ºC. Não existiriam Champagnes sem a mágica presença das bolhas, frutos das leveduras trabalhando lentamente no frescor das adegas. A fermentação natural dos vinhos, iniciada no outono, diminuía com o frio do inverno nas adegas, geralmente escavadas nas rochas calcárias da região.Quando o calor voltava, a parcela residual de açúcar voltava a fermentar, produzindo no interior das garrafas hermeticamente fechadas a efervescência que ficava presa na garrafa. O importante no processo foi entender e dominar a arte de obter a fineza extrema das bolhas e uma boa persistência.

Vinhos jovens são muito claros, os mais maduros apresentam a cor do ouro. No nariz aparecem aromas cítricos, madeira leve, violetas, amêndoas e aromas de fermento (nos Proseccos aparece pêra branca). O paladar sente o frescor do vinho, num leve “pinicar” das bolhinhas, com boa acidez.


v HISTÓRIA DO VINHO DO CHAMPAGNE
" Venham ! Estou bebendo Estrelas "
Dom Pierre Pérignon
De todo os vinhos do mundo, apenas um é popularmente atribuído a um inventor – trata-se do Champagne. Dom Pierre Perignon, monge beneditino, tesoureiro da Abadia de Hautvillers, que foi chamado para desenvolver as atividades vinícolas da comunidade, teria criado este vinho maravilhoso, entre 1668 a 1715, período durante o qual esteve presente nos trabalhos. Hautvillers possuía um modesto vinhedo de cerca de dez hectares, mas recebia dízimos em uvas das aldeias vizinhas, notadamente de Ay e Avenay, onde predominava o plantio de uvas Pinot Noir. Nesta época, os dízimos eram recolhidos em barris durante a vindima, preenchidos com uvas pisadas. A região não conseguia produzir vinho tinto de qualidade, e sua vocação parecia ser os vinhos brancos, em geral desbotados.
O primeiro sucesso de Dom Perignon foi organizar a vindima de modo a conseguir um vinho totalmente branco. Depois trabalhou a questão das técnicas de plantio, colheita e preservação de modo a tornar o vinho tão aromático quanto possível, além de sedoso na textura e com sabor persistente. Suas regras foram registradas em 1718, três anos após sua morte, pelo cônego Godinot, que o sucedeu como tesoureiro :
1-    utilizar somente uvas Pinot Noir na produção do vinho,
2-    podar as videiras afim de não ultrapassarem 90 cm de altura e produzir poucas uvas,
3-    vindimar (colher) com todo o cuidado para que as uvas permaneçam intactas e tão frias quanto possível, realizando a colheita nas primeiras horas da manhã. Descartar uvas partidas ou simplesmente machucadas.
4-    Não pisar as uvas de forma nenhuma e tampouco permitir que as cascas macerem no sumo.

Dom Perignon era abstêmio e se alimentava praticamente de queijo e frutas. O certo era que provava as uvas, em geral colhidas à tardinha e deixadas descansar numa janela, para serem experimentadas na manhã seguinte. Misturava as uvas conforme seu amadurecimento e os sabores de determinados solos, dando uma lista diária planejando a colheita do vinhedo.  O vinho era instável, com tendência a interromper a fermentação com o primeiro frio do outono e retomá-la com o primeiro calor da primavera. Guardado em barris não oferecia problema, mas dom Perignon descobriu que o vinho se cansava e perdia todo aroma, preferindo então engarrafá-lo o mais depressa possível. Mas as garrafas não agüentavam as pressões internas surgidas no processo de uma segunda fermentação e literalmente explodiam (podia-se perder até 90% da safra), e o cúmulo da loucura era percorrer uma adega de champagne sem portar uma máscara de ferro que protegesse o rosto de eventuais estilhaços de vidro. O moderno processo de remuage só teria início 100 anos depois, bem como o desenvolvimento de técnicas que permitiram o aparecimento de garrafas mais resistentes.

No entanto, a história do Champagne começa muito antes disto tudo, uma vez que a região que fica a noroeste de Paris e tem as cidades de Reims (famosa por sua catedral), e Épernay e o rio Marne com referências geográficas, sempre foi uma área de progresso e cenário de guerras. Os bárbaros germânicos já invadiram várias vezes a região, recentemente invadidas também pelos alemães nas duas Guerras Mundiais. Foi nesta região que o rei franco Clóvis venceu os visigodos, assumiu o cristianismo como religião e fundou a dinastia francesa. A partir de então, os reis franceses passaram a ser coroados em Reims. Quando em 1240 o Conde Thibaud IV retornou das cruzadas, ele trouxe as primeiras mudas de uma varietal que seus descendentes acreditam ser a Chardonnay, bem como as mudas da soberba rosa de nome Damascena. A partir desta época, o conde passou a ser conhecido também como o conde de Champagne. O Champagne Comtes de Thibaud IV ainda traz dentro de si a honra histórica de ser o Champagne oficial servidos nos jantares da presidência da República Francesa.

            O champagne foi o vinho da aristocracia francesa, até porque a corte em Paris ou Versailles ficava muito próxima da região, e não se pode esquecer que a região de Bordeaux era comercialmente ligada aos interesses da Inglaterra e a Borgonha era dominada pelos gascões e o arquiinimigo do rei, o Duque de Borgonha. Diz-se que Luís XIV durante sua vida só bebeu champagne (apenas teria tomado vinho tinto da Borgonha no final da vida, por conselho médico). Há inclusive a lenda da taça do champagne ter sido moldada no seio de Maria Antonieta no reinado de Luís XVI ( não a flute, mas a taça antiga, mais aberta ).  Há mais de 250 anos, em todo o mundo, o vinho Champagne acompanha os acontecimentos marcantes, participando dos momentos privilegiados e dos prazeres dos apreciadores dos grandes vinhos. Assim, beber um champagne é uma justa homenagem ao trabalho paciente dos homens que elevam à perfeição o que a natureza nos fornece de melhor, permitindo a descoberta de um pouco do mistério destes vinhos excepcionais.  As ceias galantes do rei Luís XV conferiram ao champagne seu título de nobreza. Entre os prestigiosos apreciadores do champagne elaborado por Monsieur Moët, estava a Marquesa de Pompadour, a favorita do Rei, que todos os anos encomendava 200 garrafas da preciosa bebida para acompanhar o fausto das temporadas de verão da Corte em Compiègne. Entretanto este vinho só conseguiu seu sucesso devido ao uso da garrafa e a volta do uso da rolha. A garrafa já existia desde os fenícios, que inventaram o vidro. Era artesanal, mas proliferou durante a Revolução Industrial, especialmente o tipo mais resistente à pressão do vinho (criada se diz pelos ingleses). A volta do uso da rolha teria sido sugerida por monges espanhóis que visitaram a região do Champagne.

            
           O século dezoito foi marcado pelo justo equilíbrio entre o espírito das luzes e o prazer dos sentidos, e o champagne exaltou essa harmonia. Napoleão manteve relações privilegiadas com a Maison Moët. Desde 1799, esta Maison passou a expedir regularmente seu champagne ao futuro imperador, que jamais deixou de visitar Jean-Rémy Moët em suas passagens pela Champagne. O Brut Imperial é uma homenagem à amizade que ligou esses dois homens. Hoje, a Moët & Chandon continua sendo a fornecedora oficial das cortes reais da Europa. Seja em coroações, seja em grandes casamentos ou comemorações, o champagne Moët & Chandon é testemunha e convidado dos momentos históricos. É, portanto, com razão que os grandes diplomatas e estadistas deste mundo saúdam o champagne, a exemplo do que disse Talleyrand, considerando-o como "vinho civilizador por excelência". É verdade que até 1846 o Champagne sempre foi um vinho suave e doce. Foram os comerciantes ingleses que pediram nesta época para que Perrier-Jouet fizesse um vinho seco, que também pudesse acompanhar as refeições. A firma francesa não aceitou inicialmente a encomenda, mas em 1870 apareceram os primeiros vinhos secos, chamados com desdém pelos franceses como English Cuvée. Hoje o Brut domina amplamente o mercado.

PIO CESARE BARBARESCO DOCG 2007 – PIEMONTE - ITÁLIA

● Vinho da Semana 512016 - ● PIO CESARE BARBARESCO DOCG 2007 – PIEMONTE - ITÁLIA – A vinícola Pio Cesare produz vinhos há mais de 100 anos e várias gerações. A tradição começou em 1881, quando Pio Cesare começou a colher uvas em seus vinhedos e comprar de alguns produtores selecionados e confiáveis ​​nas colinas de Barolo e Barbaresco distritos.
            Na Pio Cesare, sempre houve a convicção de que o grande vinho só pode vir das melhores uvas e que a produção da vinícola sempre foi limitada pela adoção dos mais altos padrões. Pio Cesare limita a sua produção utilizando apenas as uvas mais maduras e saudáveis. A maturação das uvas é cuidadosamente monitorizada e a colheita é rigidamente controlada sendo cada uva seleccionada à mão.
            Hoje, a propriedade é administrada por Pio Boffa, bisneto de Pio Cesare. Sob a sua administração, os vinhos de Pio Cesare tornaram-se famosos em todo o mundo. Grandes passos foram feitos na qualidade, e as ofertas únicas do vinhedo têm deslumbrado a imprensa especializada.
As uvas são provenientes basicamente dos vinhedos próprios de Treiso, com pequenas partidas de privilegiadas posições em Barbaresco e San Rocco Seno d'Elvio. Colheita com duração de três semanas (duas últimas de outubro e primeira de novembro). Seleção acurada das uvas, com descarte das imperfeitas. Desengace total. Prensagem delicada e fermentação nos tanques de inox em contato com os sólidos, a 25-26°C, por 20 dias.
Nesta fase as remontagens foram frequentes, mantendo as cascas sempre imersas e em contato com o mosto. Terminada a fermentação alcoólica, procedeu-se a separação do vinho da parte sólida. Faz-se a fermentação malolática completa. Trasfega aos barris de carvalho para amadurecimento. Engarrafamento e manutenção das garrafas nas frias adegas por vários meses antes da emissão ao mercado.
● Notas de Degustação: Coloração granada de média concentração. O olfato está pleno de fruta fresca vermelha como framboesa e cereja, mas também mostra a complexidade de notas de húmus, grafite e especiarias. Ataque em boca concentrado, um vinho quente, com taninos já bem integrados, sápido e muito longo em boca. Perfil clássico de Barbaresco. Um vinho gastronômico, sedutor e que fez bela harmonia com um Bife Ancho. Um vinho 100% Nebbiolo, com amadurecimento de 30 meses em carvalho, sendo 35% em barricas bordalesas (1/3 novas) e 65% em botti, barris de 2000 a 5000 litros de carvalho francês de Allier.
● Reconhecimentos Internacionais: PARKER: 92 Pontos WINE SPECTATOR: 92 Pontos DUEMILAVINI A.I.S. 2012: 4 grappoli em 5 REVISTA ADEGA: 93 pontos - Top 100 (Ano 2015)
● Estimativa de Guarda: um vinho que aguenta fácil 15 anos a partir da safra.
Notas de Harmonização: Tagliolini com trufas, polenta com ragù de ossobuco, risotto con funghi, agnolotti recheado com carnes diversas em "molhos" de assados. Servir entre 18 e 20°C.

Onde comprar: Em BH - Enoteca Decanter - Rua Fernandes Tourinho, 503 – Funcionários – Belo Horizonte / MG. Telefone: (31) 3287-3618. ROYAL VINHOS - Loja Cruzeiro - Uma tradicional adega, localizada no Mercado do Cruzeiro. End.: Rua Ouro Fino, 452 - Lojas 22 e 23 / Bairro Cruzeiro - Mercado Distrital – Tel.: (31) 3281-3539 - Belo Horizonte | MG

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O MOMENTO CERTO PARA CADA VINHO !

“ O MOMENTO CERTO PARA CADA VINHO ! ” –  Muitos amigos leitores me perguntam quanto tempo devem esperar para abrir uma garrafa de um vinho especial? De forma geral, as pessoas se lembram do ditado que diz: – “quanto mais velho melhor!”, mas em certas situações, vemos que se demoramos demais para degustar um vinho, ele poderá estar “descendo a montanha”, mostrando os primeiros sinais de sua decadência.
Para outros leitores, a pergunta fundamental é quanto tempo antes da degustação o vinho deveria ser aberto? Se o vinho deveria ser decantado ou não?  Cada vez mais explicamos aos amantes do vinho que a decantação é uma operação usada para separar a borra que se formou no vinho ao longo de seu período de envelhecimento na garrafa (o que é válido para bons e grandes vinhos, mas não necessariamente verdadeiro quando se trata de vinhos comuns para o dia-a-dia).
Isto não representa demérito nenhum, mas pura constatação que a grande maioria dos vinhos atuais, argentinos e chilenos que são a maioria do mercado nacional, está pronto para taça num prazo máximo entre 4 a 5 anos. A decantação é benéfica para vinhos jovens e potentes, abrindo seus aromas e sabores rapidamente, dando mais prazer para quem não consegue esperar 30 a 40 minutos para começar a beber um bom tinto. Mas não se esqueça de sentir os aromas nos primeiros momentos, afinal, como avaliar a evolução do vinho e sua melhoria, se não criarmos o parâmetro inicial? Em geral, em meia hora, o vinho se abre e fica no ponto para a taça!
Muitas vezes a dúvida é saber se é hora de beber um vinho comprado com todo carinho numa viagem ao exterior, ou trazido como lembrança por um amigo!
Há vinhos que classicamente devem ser decantados para abrirem seus aromas e separar borras, pois estiveram fechados em garrafas por muitos anos, décadas. Quantas vezes, pelo medo de desfazer uma bela coleção de vinhos, o tempo passa e determina o ocaso de um tesouro, sem respeitar nomes de rótulos, denominações de origem, produtores excepcionais, e não devidamente climatizados numa adega apropriada.
Muitas destas perguntas que são enviadas por leitores interessados em obter o maior prazer de suas taças, acabam sendo dependentes de uma palavra importante; o tempo certo para cada vinho, a hora ideal para ser degustado, é RELATIVA.
As safras podem variar de maneira catastrófica em países do Velho Mundo, onde as condições climáticas variam substancialmente ao longo das estações e dos anos. Nos países do Novo Mundo, estas mudanças climáticas são menores. Mendoza na Argentina, por exemplo, se beneficia de um clima estável a maior parte do ano por estar aos pés dos Andes (uma grande barreira natural), bem longe da influência do mar, com média de três dias de chuva/ano, somando cerca de 200 a 280 mm de precipitação anual, garantindo boa sanidade das vinhas, pois a umidade que propicia o desenvolvimento de fungos e bactérias pode ser controlada pela própria natureza local. A Irrigação no caso é feita por uma intrincada rede de canais que trazem as águas do degelo dos Andes, e que inclusive correm pela cidade de Mendoza.
Há uma grande diversidade de fatores que determinam por outro lado o momento ideal para se abrir uma garrafa. Leve em conta a grande variedade de estilos de vinhos, as castas que os produziram, mas isto não é uma regra simples, pois há bons e médios produtores, há maneiras diferentes de armazenagem para a viagem dos vinhos (containers climatizados ou não, viagens diretas ou com grandes traslados, fora problemas de greve da Polícia Federal e estivadores na chegada aos portos brasileiros). Isto tudo depende portanto da forma como as garrafas foram armazenadas, sem esquecer da qualidade das rolhas.
A questão da casta de uva que originou o vinho, idade média das vinhas, sistema de vinificação, tempo de maturação e afinamento em garrafa também contam muito nesta hora, sem esquecer a taça adequada. Quanto mais tenho tido a oportunidade de degustar vinhos feitos há 15, 20 anos, mais observo a questão. Neste ano de 2016 tive a oportunidade de degustar por duas vezes, em ocasiões diferentes, vinhos maduros. E como estavam ótimos ! No esplendor de sua vida, no momento certo para serem aproveitados ao máximo. Guardados por mais de 40 anos na garrafa, estavam excelentes (decantados para separar a borra e ir sentindo a evolução deles na taça). O raciocínio é válido para a maioria dos grandes clássicos franceses, italianos e portugueses.
Evidentemente, há certos tipos de vinhos que estão prontos para serem degustados e já são excelentes tão logo que vão para o mercado, como os brancos frutados Sauvignon Blancs chilenos, ou os Malbecs argentinos em sua maioria próprios para o dia-a-dia. Bebê-los em sua juventude será o ideal. Eles são feitos para isto. Um bom estudo de todas as características da uva, região produtora, qualidade do produtor, importador, ajudarão a saber quanto tempo o vinho poderá precisar para expressar todo o seu auge. Lembro que muitas vezes o conjunto vinho, taça, temperatura correta de serviço e harmonização é muito mais importante do que pensamos.
Aliás, em seu artigo desta semana na Folha de São Paulo, Luiz Horta fala que “a única coisa realmente definitiva, fundamental e básica para que um vinho seja bem apreciado é relativamente simples: a temperatura. Um vinho na temperatura errada é horrível e leva embora todas as suas virtudes”.
Quantos de nós não determina que um vinho só possa ser degustado quando um fato especial acontecer: Quando o time for campeão de futebol, ou não for rebaixado!. Quando o filho formar em Direito, ou a filha se casar ! Nascer o primeiro neto ! São tantas as oportunidades especiais ! A vida passa rapidamente, e a cada dia percebo que perdemos oportunidades maravilhosas de passar os melhores momentos com as pessoas que amamos. Se você escolher que esta é a hora para beber aquele vinho especial, faça-o em grande estilo. Nada é eterno !. Compartilhar a vida em cada taça de vinho, com os melhores amigos, ou num momento de reflexão, tornando cada momento um instante especial parece-me a melhor política.
A vida é muito curta para se beber maus vinhos! Para se fazer a colheita, elaborar vinhos, ter Denominação de Origem, há muitas regras; para apreciar um bom vinho há uma única regra: faça-o com gosto, aproveite o momento, divirta-se,  Tenha uma boa taça e um bom motivo... deguste!

domingo, 11 de dezembro de 2016

BADIA A COLTIBUONO CHIANTI CLASSICO RISERVA 2008 DOCG – TOSCANA - ITÁLIA

● Vinho da Semana 502016 - ● BADIA A COLTIBUONO CHIANTI CLASSICO RISERVA 2008 DOCG – TOSCANA - ITÁLIA - Badia a Coltibuono, ou "Abadia da Boa Colheita", foi fundada pelos monges de Vallombrosa cerca de mil anos atrás, como um local de culto e meditação. Hoje, é a sede de um dos melhores produtores da região da Toscana.
Seu vinho Cancelli é um Sangiovese muito agradável, já o vinho Chianti Classico é bem típico. O Riserva é rico e complexo e o Cetamura mostra ótima relação entre qualidade e preço. Já o Sella del Boscone é um Chardonnay de classe, enquanto seu fantástico Sangioveto é um vinho de referência, entre um dos melhores supertoscanos, que costuma receber os "tre bicchieri" do Gambero Rosso.
No século XV, Coltibuono se desenvolveu rapidamente sob o patrocínio de Lorenzo de Medici, diplomata e político renascentista, no entanto, em 1810, sob o governo de Napoleão, os monges foram forçados a deixar Coltibuono. Nos anos seguintes, a propriedade foi vendida pela primeira vez através de um sorteio e, em 1846, foi comprada por Michele Giuntini, um banqueiro florentino e antepassado dos atuais proprietários.
Após a guerra, foi Piero Stucchi Prinetti, filho de Michele Giuntini e Maria Luisa Giuntini Stucchi, quem assumiu a propriedade e, graças à sua inteligência, energia e habilidades gerenciais, transformou-a em uma empresa moderna. Sob a orientação de Piero, a fazenda foi transformada em uma empresa que atua em toda a Itália e no exterior. Foi ele quem começou a engarrafar e vender, no mercado nacional e internacional, as melhores safras Chianti Classico da propriedade até agora preservada nas adegas antigas da abadia como uma reserva da família. Foi Piero também o primeiro a perceber o potencial de outro produto tradicional da área, o azeite extra virgem.
Ao longo dos anos, uma outra geração começou a fazer parte dos negócios. Emanuela, Roberto e Paolo, deram continuidade ao trabalho empreendido por seus antepassados. Emanuela Stucchi Prinetti começou há cerca de vinte anos, como relações públicas e marketing. Em julho de 2000, foi a primeira mulher a ser eleita presidente dessa marca histórica. Badia a Coltibuoino recebeu certificação orgânica em 1994, e depois, em 2000. Desde 2010 Roberto voltou a dirigir a empresa e mais uma vez assumiu a responsabilidade pela produção.
Descrito como "maravilhoso" por Robert Parker, o Chianti Classico Riserva da Badia a Coltibuono é um dos maiores embaixadores da região, ostentando grande classe e grande capacidade de envelhecimento. De fato, ele vai ganhando em elegância e complexidade por mais de 20 anos. É um dos poucos vinhos orgânicos da região de Chianti Classico, sendo muito equilibrado. Recebeu 91 pontos de Parker na safra 2008.
Corte de Sangiovese e Canaiolo.
● Notas de Degustação: Cor rubi brilhante com leve sinal de evolução (afinal, são 8 anos de guarda!). No nariz mostra-se frutado, com notas de frutas escuras como cerejas e ameixas secas, compotadas, e nuances herbáceas. Potente ainda no nariz e no paladar, a primeira sensação é de taninos macios e que convidam ao prazeroso segundo gole. Em segundo plano aparece a fruta da ameixa, seguida de notas de sândalo e nuances chocolate e leve aceto balsâmico. Os taninos estão macios, finos e criam uma textura cremosa em um corpo médio. Um vinho gastronômico, sedutor e que fez bela harmoniza com um steak tartar.
● Reconhecimentos Internacionais: 90 RP (2008).
● Estimativa de Guarda: um vinho que aguenta fácil 10 anos a partir da safra.
Notas de Harmonização:             carnes vermelhas, de caças, stinco de cordeiro, risoto de cogumelos e presunto de parma. Servir entre 16 e 18°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

TRINITY HILL “THE TRINITY” 2009 – HAWLE´S BAY – NOVA ZELÂNDIA

● Vinho da Semana 502016 - ● TRINITY HILL “THE TRINITY” 2009 – HAWLE´S BAY – NOVA ZELÂNDIA - A grande expertise de John Hancock, sócio-proprietário, enólogo e gerente geral da Trinity Hill, é reconhecida internacionalmente. Desde a primeira safra, em 1996, seus vinhos exibem elegância, complexidade, diversidade e alta qualidade em toda a sua variada gama. Irrequieto e inovador, John Hancock cultiva não apenas as variedades tradicionais como Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Viognier, como outras variedades europeias menos comuns na Nova Zelândia, entre as quais Arneis, Touriga Nacional, Montepulciano e Tempranillo. O Homage Syrah é um ícone e seu Viognier é considerado o melhor do país, segundo Hugh Johnson.
 
Trinity Hill foi fundada em 1987, como uma parceria entre John Hancock, Robert and Robyn Wilson (proprietários dos restaurantes London’s Bleeding Heart e The Don) e os Aucklanders Trevor e Hanne Janes. Três entidades, então “Trinity Hill”. A ideia de produzir vinhos de classe mundial surgiu em 1987, culminando com a aquisição de 20 hectares em Gimblett Road, denominada Gimblett Stones. Os primeiros vinhedos foram plantados entre 1994 e 1995, com Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Chardonnay. Em 1997, foi construída a sede, em Roy`s Hill Road, um arrojado projeto do arquiteto Richard Priest, de Auckland, a tempo da safra daquele ano, e um vinhedo de Pinot Gris foi plantado no local.


A primeira safra operacional de Gimblett Road foi lançada em 1998, com vinhos de Chardonnay, Cabernet Sauvignon/Merlot e Syrah receberam aplausos da crítica e obtiveram diversas premiações. Em 2000, foram incorporados mais 20 hectares em Gimblett Gravels e nos dois anos seguintes foram plantados vinhedos de Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec, Petit Verdot, Tempranillo, Syrah e Viognier. Ao mesmo tempo, uma parte da Chardonnay de Gimblett Estate foi substituida por enxertos de Viognier, Tempranillo e Montepulciano. A Trinity Hill é uma das fundadoras do Gimblett Gravels Winegrowers Association, com 34 vinícolas, uma região que esteve ameaçada de nunca existir por um zoneamento da prefeitura, rechaçado pelos vinicultores. Em 2002, é lançado o Homage Syrah, aclamado mundialmente, culminando com um Supreme Awards na safra 2006, recebido no Air New Zealand Wine Awards de 2007.

Vinhedos - A maior parte das uvas de Trinity Hill vem de Gimblett Gravels, localidade com microclima especial e solos seixosos profundos (100 metros), antigo leito do rio Ngaruroro milênios atrás. Esses solos têm livre drenagem e baixa fertilidade, permitindo a produção de cachos pequenos nas videiras por meio do controle de umidade, concentrando sabores e aromas. São dois vinhedos, Gimblett Road e Gimblett Stones, cada um com 20 hectares. Também são adquiridas uvas de viticultores parceiros vizinhos, cultivados com o mesmo objetivo de qualidade em lugar da quantidade. Mais ao sul, na localidade Hawke`s Bay Hills, a Trinity Hill participou do desenvolvimento de vinhedos em terras de fazendeiros locais, plantados com Pinot Noir para aproveitar o clima mais fresco que o dos vales em Gimblett. Também estão plantadas Sauvignon Blanc, Pinot Gris e Chardonnay.

● Notas de Degustação: cor rubi escuro e profundo, com aromas de frutas vermelhas maduras como groselha e cassis, com notas de tostado, especiarias e nuances florais. Intenso e frutado no paladar, tem os taninos macios, com boa concentração e frescor, com corpo médio. Parte do vinho amadurece em tanques de aço inox e parte em barricas de carvalho por 10 meses. Corte das uvas Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah e Cabernet Franc.

● Estimativa de Guarda: um vinho que aguenta fácil 10 anos a partir da safra.

Notas de Harmonização: harmoniza muito bem com as carnes vermelhas, cordeiro, caça, javali. Servir entre 16 e 18°C.


Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

sábado, 10 de dezembro de 2016

● DEZ MITOS DO VINHO DESMENTIDOS POR JANCIS ROBINSON

● DEZ MITOS DO VINHO DESMENTIDOS POR JANCIS ROBINSON - Crítica inglesa lança livro em que promete transformar o leitor em especialista em 24 horas. No novo livro da crítica inglesa Jancis Robinson, uma das mais celebradas do mundo, o enxuto e divertido The 24-Hour Wine Expert, uma lista de 10 mitos do mundo do vinho é desmentida.
1. Quanto mais cara a garrafa, melhor será o vinho dentro dela. O melhor custo benefício, segundo a crítica, está entre 10 e 30 libras — o que, considerando câmbio e impostos pode ser considerado R$ 80 e R$ 300. Abaixo disso, há pouca oferta. Acima, é arriscado pagar apenas pelo status.
2. Quanto mais pesada a garrafa, melhor o vinho. Por alguma razão, produtores espanhóis e sul-americanos gostam de usar garrafas superpesadas. Jancis lembra, no entanto, que, além da prática não significar nada, ela é pouco sustentável.
3. Vinhos do Velho Mundo sempre serão melhores que os do Novo Mundo. Há coisa boa e coisa ruim nos quatro cantos do planeta.
4. Beba tintos com carnes e brancos com peixes. Mais importante é levar corpo do vinho e peso da comida em consideração.
5. Vinhos realmente bons tem uma entrada no fundo da garrafa. O declive no fundo da garrafa está lá por razões de marketing
6. Os tintos são mais “fortes” que os brancos. Muitos tintos hoje tem apenas 12% de álcool.
7. Os vinhos melhoram com a idade. Rosés e brancos simples são sempre melhores nos dois primeiros anos de vida.
8. Você vai receber uma pequena prova do vinho que pediu no restaurante para ver se gosta. Não, não espere que isso aconteça.
9. Vinhos doces e rosados são para mulheres. Por-fa!!!

10. Todos os vinhos melhoram ao serem aerados. Vinhos muito antigos podem “morrer” se passarem a um decanter, passar por uma oxidação fulminante. (Fonte - 15 novembro 2016 – ESTADÃO - por Isabelle Moreira Lima).

OS MELHORES VINHOS BRASILEIROS DO ANO, SEGUNDO USUÁRIOS DO VIVINO

Os melhores vinhos brasileiros do ano, segundo usuários do Vivino




Vinhos tintos ainda são a preferência do brasileiro e aparecem em três das quatro categorias em que o País é contemplado na premiação do Vivino. 
07 dezembro 2016 | 17:38por Isabelle Moreira Lima - ESTADÃO
O vinho brasileiro apareceu em quatro categorias nas listas de melhores do ano do aplicativo de avaliação de vinhos Vivino. A app que lê o rótulo do vinho, avalia a bebida e mostra seu preço em lojas próximas virou febre no Brasil — o aplicativo tem 2 milhões de usuários no País, que só fica atrás dos EUA.
Anualmente, o aplicativo publica listas dos melhores rótulos, de acordo com seus usuários, em diferentes categorias separadas por países. Além da de espumantes, o Brasil está representado com três categorias de tintos, uma clara preferência nacional — corte bordalês, Cabernet Sauvignon e Merlot. Veja abaixo os rankings:
Vinhos brasileiros de corte bordalês
1. Miolo Lote 43 Cabernet Sauvignon-Merlot 2005
2. Luiz Argenta Merlot-Cabernet Franc-Petit Verdot Cuvée Vinho Tinto Fino Seco 2009
3. Villa Francioni Tinto 2011
4. Villa Francioni Comendador Lote II Tinto 2008
5. Villa Francioni Comendador Tinto 2009
6. Villa Francioni Francesco Tinto 2011
7. RAR Campos De Cima Serra Rar Reserva De Familia Fino Tinto Seco Cabernet Sauvignon Merlot 2011
8. Vinícola Don Guerino Traços Gran Reserva Top Blend 2012
9. Miolo Cuvée Giuseppe Merlot-Cabernet Sauvignon 2012
10. Villaggio Bassetti Cabernet Sauvignon-Merlot Montepioli 2012
 Melhor Cabernet Sauvignon Brasileiro
1. Casa Valduga Villa-Lobos Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2010
2. Don Abel Rota 324 Fino Tinto Seco Cabernet Sauvignon 2012
3. Cooperativa Vinícola Aurora Millesimé Cabernet Sauvignon 2012
4. Luiz Argenta Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2005
5. Marco Luigi Grande Reserva Cabernet Sauvignon 2007
6. Don Abel Reserva Cabernet Sauvignon Vinho Fino Tinto Seco 2008
7. Miolo Quinta do Seival Estate Cabernet Sauvignon 2012
8. Angheben Vinho Tinto Seco Cabernet Sauvignon 2010
9. Boscato Vinhos Finos Cave Cabernet Sauvignon 2010
10. Quinta Da Neve Reserva Cacupe Tinto Fino Seco Cabernet Sauvignon 2009

Melhor Merlot Brasileiro
1. Luiz Argenta Uvas Desidratadas Merlot 2009
2. Casa Valduga STORIA Gran Reserva Merlot 2010
3. Pizzato Vinhas e Vinhos DNA 99 Single Vineyard Merlot 2008
4. Maximo Boschi Boschi Merlot Vindima Serra Gaucha Tinto Seco Fino 2006
5. Lidio Carraro Grande Vindima Merlot 2006
6. Miolo Terroir Merlot 2011
7. Terragnolo Vale Dos Vinhedos Top Merlot 2012
8. Boscato Vinhos Finos Cave Merlot 2008
9. Dom Cândido Vale Dos Vinhedos Documento Fino Tinto Seco Merlot 2011
10. Casa Valduga Leopoldina Terroir Merlot 2012
Melhor Espumante Brasileiro
1. Cave Geisse Extra Brut 2011
2. Casa Valduga RSV Reserva Moscatel Espumante 2015
3. Cave Geisse Blanc de Noir Brut 2011
4. Casa Valduga 130 Brut Espumante 2014
5. Cave Geisse Brut 2013
6. Miolo Millésime Brut 2011
7. Vinícola Hermann Lirica Crua 2015
8. Vinícola Hermann Lirica Brut 2015
9. Casa Valduga RSV Reserva Blush Espumante 2012
10. Cave Geisse Brut Rosé 2013