segunda-feira, 28 de setembro de 2015

CHATEAUNEUF-DU-PAPE E SEUS VINHOS


" CHATEAUNEUF-DU-PAPE E SEUS VINHOS  “ –  Quem sai de Avignon pela estradinha D-7 rumo ao norte logo se vê mergulhado numa imensidão bucólica de vinhedos. Não demora muito até que um imenso château do lado direito da estrada faz todo mundo parar: ao fim de fileiras simétricas de videiras, no alto de uma colina, o Domaine Mousset não é apenas mais um castelo num país já famoso demais por causa deles. Ele é o prenúncio de que a pequenina Châteauneuf-du-Pape, uma vila de pouco mais de 2 mil habitantes que virou sinônimo de um dos melhores vinhos da França, está perto; muito perto !
Para muitos amantes de vinho, a localização estratégica do Chateau Mousset contribui para que a propriedade seja praticamente um pit-stop obrigatório para quem vai explorar aquelas terras. Basta pegar a estrada de terra cercada de ciprestes e pronto, terá a chance de começar a série de degustações.
O programa oficial em Châteauneuf é visitar vinícolas. E, claro, provar vinhos. Quem se permite um tempinho para vagar pelo sobe e desce do centrinho da vila vai encontrar uma linda comuna, recheada de casas de pedra com portas e janelas coloridas que se espalham aos pés das ruínas de um castelo do século 14 – o tal château que deu nome ao vilarejo.
Todo o centrinho da cidade é pipocado de enotecas e lojas de vinho que fazem degustações gratuitas. Vá direto ao ponto: a Cave du Verger des Papes, na subida para o castelo, é uma das melhores alternativas, com exemplares de safras especiais num ambiente pra lá de charmoso – uma grutinha de pedra que se abre em salas e mais salas, algumas com iluminação de velas.
Situada no topo de uma pequena colina com seus 3.200 hectares de vinhedos, a pequena aldeia possui uma dedicação quase espiritual à produção de famosíssimos vinhos, cujas garrafas possuem até hoje uma marca d'água cunhada no vinho, que outrora representava o importante brasão pontifical, uma honraria que se destacava como sendo um dos melhores produções da região.
É a denominação mais conhecida da parte sul do vale do Rhône. As vinhas localizam-se em torno de Châteauneuf-du-Pape e das localidades vizinhas de Bédarrides, Courthézon e Sorgues, entre Avignon e Orange, e cobrem pouco mais de 3.200 hectares. Aqui se produzem cerca de 110.000 hectolitros de vinho por ano. Produz-se mais vinho nesta zona do que em todo o Rhône setentrional (Norte)  junto.
Ao contrário dos seus vizinhos do Rhône setentrional, o Châteauneuf-du-Pape permite treze variedades de uva e a mistura está dominada normalmente pela grenache. As outras uvas tintas são cinsault, counoise, mourvèdre, muscardin, syrah, terret noir e vaccarèse. Entre as uvas brancas incluem-se a grenache blanc, bourboulenc, clairette, picardin, roussanne e picpoul.
Nos últimos anos a tendência tem sido ir incluindo menos, ou até nenhuma, das variedades brancas permitidas, e confiar principalmente (ou exclusivamente) na grenache, na mourvèdre e na syrah.

♦ Para facilitar as coisas, três informações de utilidade pública:
1) todos os vendedores vão querer te apresentar o vinho branco de Châteauneuf; depois de algumas taças do branco, muitos amantes de vinho preferirão o tinto. Beba o branco sem preocupações e sorvendo cada gota. É um dos mais belos vinhos brancos da França, pouco conhecido e por isto mesmo ainda pouco valorizado.
2) na última década, os anos de 2005, 2007 e 2009 foram safras especiais (as duas primeiras já estão no ponto; a última estará perfeita para beber em 2015 ou 2016, mas já pode ser encontrada).
3) de maneira geral, as garrafas custam entre € 15 e € 150. Mas os exemplares realmente especiais e raros de safras históricas podem chegam aos quatro dígitos.

♦ Um pouco da História de Chateauneuf-du-Pape
Bem antes da chegada dos papas, monges e eclesiásticos, os habitantes da região já haviam herdado dos romanos e dos gauleses a paixão por vinhos longos e encorpados.
No início do século 14 (em 1308), o papa Clemente V se instalou com toda a corte do Papado em Avignon e fez da região uma sede do poder católico que se estendeu até 1377, quando reinaram sete papas. Ali eles ergueram o impressionante Palais des Papes, principal atração da cidade. Não contentes, decidiram construir um castelo novo nos arredores – o tal château neuf, em francês. Amantes dos vinhos, os papas não demoraram a plantar uvas. E desta atividade surgiu a região vinícola mais conhecida na região do Rhône.
Além de revolucionar a produção até então arcaica, e de promover um grande crescimento econômico e social, a corte dos papas começou também a se abastecer na região, o que foi benéfico para os produtores locais. Com isso, a Igreja católica tornou-se o primeiro vinhateiro oficial a explorar esta região de Châteauneuf.
No século 14, por ordem do papa João XXII (de 1316 a 1333), a Igreja escolheu a cidade de Châteauneuf para construir a sua residência de verão, onde os papas moraram até o ano de 1377, quando retornaram a Roma. Obviamente, não poderia faltar um vinhedo, cujas primeiras cepas nasceram em volta do palácio, neste terroir repleto de pedregulhos cuja função é de armazenar o calor do sol durante o dia e irradiar as raízes durante a noite - o que constitui um dos segredos da riqueza das uvas desta região até hoje.
A produção ficou restrita ao consumo interno da Igreja. João XXII determinou a primeira denominação de "Vinho dos Papas".
Apesar de certo declínio no século 18, provocado por guerras, epidemias e outras pragas, o vinhedo nunca parou de crescer. Por volta de 1800, 668 hectares de terrenos, dos quais 425 hectares distribuídos em pequenas parcelas de vinhas de 1.400 m2 em média, produziam 11.000 hectolitros por ano. Em 1929, a denominação de origem, Châteauneuf-du-Pape, foi oficializada.
Châteauneuf-du-Pape é hoje uma das zonas AOC (a sigla de Appellation d’Origine Contrôlée) de maior prestígio em toda a França. Para muitos críticos, é a única que faz frente a Bordeaux e a Borgonha. Numa área de 3.200 hectares de vinhedos, cerca de 300 produtores fabricam artesanalmente um vinho encorpado, que pode usar a mescla de até 13 uvas – embora a grande estrela seja a grenache.

 Pouco conhecido de nós, a região produz o Côtes du Rhône Primeur, que é um vinho novo, que teve cerca de cinco semanas pra "envelhecer", e por isso tem um sabor diferente, geralmente muito ácido e com aroma e sabor do álcool muito forte. É um tipo de vinho "jovem" e que não se guarda.
Antigamente a vila tinha o nome de Castro Novo, (castro significa cidade fortificada) mas acabou sendo traduzido como Châteauneuf (castelo novo), denominação que remonta ao século XI e por volta do século XIII o nome passou à Châteauneuf Calcernier em referência às explorações de calcário feitas na região. O nome Châteauneuf-du-Pape foi adotado oficialmente no século XIX e faz referência à época em que os papas habitaram Avignon e à influência que eles exerceram na região.

♦ AS UVAS DO CHATEAUNEUF-DU-PAPE
A denominação autorizou nada menos que 13 tipos de uvas diferentes para constituir a força deste vinho impressionante. Contudo, vale ressaltar que nos assemblages a proporção de uva grenache costuma ser de 80%, sendo complementada em geral pela syrah e a mourvèdre. As outras variedades são usadas como tempero: cinsault, muscardin, vaccarèse, terret noir, picpoul noir, counoise.
Vale mencionar também as castas brancas que produzem vinhos cuja qualidade vem aumentando a cada ano e cuja uva dominante é a grenache blanc, seguida pela clairette, a bourboulenc, a picardan e a roussanne.

♦ O VINHO EM SI
De fama mundial, conhecido pelas suas garrafas amplas e bojudas que trazem o selo das armas dos papas estampado no vidro (em geral isto já designa quem são os melhores exemplares da região), o Châteauneuf du Pape possui grande força e volume graças a uva grenache, que proporciona à sua consistência a característica de um vinho de guarda. Assim, os seus mais ricos tesouros podem esperar de 10 a 12 anos até serem consumidos, alguns dos quais podendo facilmente se beneficiar com um repouso de 20 a 25 anos.
O sul do Rhône é magnífico em história, cenários pitorescos, vinhas e seu coração está em Chateauneuf-du-Pape, o ápice em qualidade onde 13 castas de uvas estão permitidas e onde reina a grenache, seguida por outras, entre elas, a mourvedre e a syrah e cada qual empresta o seu caráter ao conjunto: cor, robustez, redondeza, perfumes.
E foi em Chateauneuf-du-Pape que o sistema de apelação controlada começou em França, com o Baron Le Roy do Châteaux Fortia que estabeleceu em 1923 o que veio a se tornar o sistema nacional de apelações controladas, estabelecendo – entre outras coisas - que os solos para os vinhos finos de Chateauneuf seriam áridos o suficiente e as variedades de uvas, quantidade, rendimento etc. seriam estritamente controlados e as uvas insatisfatórias seriam eliminadas antes da fermentação.
O tempo provou que as medidas propostas pelo Baron eram mais que acertadas, pois tiraram a região da obscuridade para tornar-se uma estrela global no mundo dos vinhos.
A sua cor mais característica é um rubi escuro com reflexos granada. Os seus aromas, por tradição, são extremamente sedutores. Entre eles, predominam toques pronunciados de frutas vermelhas maduras, de especiarias e de ervas aromáticas, sempre de grande intensidade.
No paladar, há um extraordinário equilíbrio entre acidez e álcool, sendo que o seu corpo aveludado e volumoso tem um final longo e frutado, com um amargor leve e amadeirado.
No ano de 2010, Robert Park nomeou as melhores safras do ano. Parker não economizou nas notas e classificou nove vinhos da safra com 100 pontos, sete deles do Rhône, confirmando o grande destaque que os vinhos da região tiveram nesta safra. Na relação dos 50 melhores, nada menos que 36 deles são do Rhône. Antes do crítico de vinhos Robert M. Parker ter começado a promovê-los nos Estados Unidos, os vinhos de Chateauneuf eram considerados rústicos e eram muito pouco consumidos. No entanto, o seu crescente consumo fez com que os preços quadruplicassem no decurso da última década.
Em 1995, Parker foi a terceira pessoa a receber o título de cidadão honorário do vilarejo. As duas outras pessoas foram os franceses Frédéric Mistral e Marcel Pagnol.
Espere pelo menos 5 anos para beber os Chateauneuf-du-Pape 2010 sob pena de estar bebendo-os numa fase ainda muito jovem, na qual não desenvolveram todo o seu potencial.

♦ Os melhores do ano, alguns dos vinhos Chateauneuf-du-Pape que obtiveram notas entre 98 e 100 pontos:
SAFRA  – NOME DO VINHO – PONTUAÇÃO - ESTÁGIO DE MATURIDADE – PREÇO (US$)
2010  -  Chateau Beaucastel Chateauneuf du Pape Hommage A Jacques Perrin - 100- 426-671
2010  -  Chateau de Saint Cosme Gigondas Hominis Fides  - 100 -  Jovem  - 317-394
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape Sanctus Sanctorum (Magnum) -10 - Jovem 400 
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape Deus Ex Machina  - 100 Jovem 250-565
2010  -  Dom. de la Janasse Chateauneuf du Pape Cuvee Vieilles Vignes-100 - Jovem 130-262
2010  -  Domaine Grand Veneur Chateauneuf du Pape Vieilles Vignes  - 100  - Jovem 95-276
2010  -  Mas de Boislauzon Chateauneuf du Pape Cuvee du Quet - 100  - Jovem 349-482
2010  -  Clos des Papes Chateauneuf du Pape -  99  -  105-175
2010  - Clos du Mont Olivet Chateauneuf du Pape la Cuvee du Papet -  99  - Jovem 67-157
2010  -  Domaine de la Vieille Julienne Chateauneuf du Pape Reserve  - 99  -  Jovem 313-388
2010 - Dom. Clos du Caillou Chateauneuf du Pape Res. le Clos du Caillou- 99+- ovem 139-212
2010  -  Domaine Giraud Chateauneuf du Pape les Grenaches de Pierre  - 99  - Jovem
2010  -  Domaine la Barroche Chateauneuf du Pape Pure -  99 - 125-150
2010- Dom. Raymond Usseglio Chateauneuf du Pape C.Imperiale (V.Centenaires)-99-Jovem90
2010  -  Domaine Roger Sabon Chateauneuf du Pape le Secret de Sabon- 99 Jovem - 200-286
2010  -  Les Bosquet Papes Chateauneuf du Pape Chante le Merle V.Vignes-99 Jovem-147-83
2010  -  Chateau de Vaudieu Chateauneuf du Pape Amiral G -  98 Jovem  - 75
2010  -  Chimere Chateauneuf du Pape  - 98+ Jovem
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape la Combe des Fous - 98 Jovem -  170-375
2010  -  Domain Olivier Hillaire Chateauneuf du Pape les Petits Pieds d'Armand-98-Jovem70-85
2010  -  Domaine Chante Cigale Chateauneuf du Pape Vieilles Vignes  - 98  - Jovem 55-65
2010  -  Domaine de la Janasse Chateauneuf du Pape Cuvee Chaupin - 98 - 90-126
2010- Dom. de Saint-Prefert Chateauneuf du Pape Collecion Charles Giraud-98-Jovem160-269
2010  -  Domaine du Pegau Chateauneuf du Pape Cuvee da Capo (98-100)  - Jovem 320-750
2010  -  Domaine Giraud Chateauneuf du Pape Cuvee les Gallimardes  - 98  - 65
2010  -  Le Ferme du Mont Chateauneuf du Pape Cotes Capelan  - 98 Jovem  -50
2010- Les Bosquet Papes Chateauneuf du Pape la Gloire de Mon Grandpere-98-Jovem 60-140

♦ ENOGASTRONOMIA DA REGIÃO
Qualquer carne de caça deve ser experimentada com o Chateauneuf-du-Pape, não podendo se esquecer dos queijos curados, enquanto o branco proporciona uma festa dos sentidos quando acompanha peixes de carne vermelha, e pratos com molho a base de vinho.
Ao menos uma vez na vida é preciso experimentar um Châteauneuf-du-Pape. É algo emocionante e verdadeiramente inesquecível. Na compra, vale prestar atenção na sua origem de produção. Os seus melhores exemplares são, infelizmente, bastantes caros, mas este vinho sempre dará à sua mesa um toque de nobreza e de bom gosto irrepreensível.

No Brasil, em algumas importadoras é possível encontrar alguns dos vinhos. Porém nada se iguala a degustar e conhecer a história daquele produtor e daquela vinha. 

CHABLIS 1er CRU VAILLON DOMAINE CHRISTIAN MOREAU 2012 – CHABLIS – FRANÇA

Alguns leitores do VINOTÍCIAS solicitaram que eu sugerisse um vinho por semana, anotando notas de degustação e onde comprar. Com este calorão dos últimos dias, vão ai dois vinhos para refrescar as taças. Para o vinho mostrar todo o seu potencial quando for degustado, ele deve ter sido armazenado em ambiente fresco, com controle de temperatura e umidade, livre de trepidações e sem contato com a luz. E se você trouxe a garrafa de uma viagem recente, epere o vinho descansar. Assim sendo:

Vinho da Semana 39/2015 ● CHABLIS 1er CRU VAILLON DOMAINE CHRISTIAN MOREAU 2012 – CHABLIS – FRANÇA – Christian Moreau tem ampla experiência internacional, sempre trabalhando em empresas de bebidas. Em 2001, recebeu de volta os vinhedos até então alugados e constituiu seu próprio domaine. É auxiliado por seu filho Fabien, da sexta geração da família no ramo de vinhos. Fabien estudou enologia em Dijon e administração de empresas em Bordeaux e passou um ano na Nova Zelândia antes de assumir os negócios com o pai, em 2002. Em outubro de 2007, a revista Decanter destacou o Chablis Grand Cru Vaudésir 2005 como “o melhor Chardonnay do mundo”. Esse domaine está listado entre os dez produtores destacados de Chablis no guia de Hugh Johnson.
A família tem como objetivo perpetuar sua tradição de seis gerações, respeitando o terroir único no mundo que é Chablis. Para cuidar do vinhedo e do solo se empenham em uma atividade inteligente, com trabalhos para evitar herbicidas, utilização de técnicas naturais de controle para evitar inseticidas e uma observação cotidiana do vinhedo para compreender e empreender a luta contra as pragas e doenças. Além disso, aplicam um política global de controle do rendimento dos vinhedos, permitindo obter uma concentração máxima dentro dos frutos e uma verdadeira expressão do terroir em seus vinhos.
  ● Notas de Degustação: Os vinhedos, com 56 anos de idade, estão situados no coração de Chablis, à margem esquerda do Serein, na encosta dos Vaillons, com exposição sul-sudeste. Os solos são argilo-calcários do kimméridgien, típicos de Chablis, ricos em fósseis marinhos, principalmente Exogyra virgula, pequena ostra típica dos solos de Chablis. A densidade é de 6.500 plantas por hectare.
As uvas são colhidas à mão e transportadas em cestos, esvaziados por sistema de vibração sem rompimento das películas. Em seguida, passam por uma mesa de seleção para eliminar os frutos indesejáveis. Após prensagem pneumática em ambiente protegido, é feita uma débourbage (decantação dos resíduos sólidos) a frio. A fermentação é feita 65% em tanques de aço inox com temperatura controlada a 20 ºC e os restantes 35% em barricas usadas de 2-3-4 anos durante 6 meses.
            Cor amarela bem clara, brilhante e límpida. Aromas de frutas brancas e cítricas, como pera, abacaxi e limão siciliano, com leve nuance mineral e toque floral. A nota mineral marcante é muito agradável. No paladar o vinho mostra um alto nível. Rico, com bela acidez. Bem equilibrado, vivo em boca, corpo médio para encorpado, persistente, um vinho com personalidade, complexidade, elegância, tipicidade e muito gastronômico. O retrogosto confirmou o olfato e o final foi longo e vivo no paladar por um bom tempo.
● Guarda: pelo menos 3 anos antes de beber ! Pode ser bebido fácil até 2019 !!!
Notas de Harmonização: Ostras cruas, ou gratinadas, bobó de camarão, bacalhau gratinado, preparaçõe com frutos do mar, ceviche de salmão, canapés e queijos leves..
Temperatura de Serviço: 9 a 10ºC
Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

BOURGOGNE LA VIGNÉE CHARDONNAY 2013 – BORGONHA – FRANÇA

Alguns leitores do VINOTÍCIAS solicitaram que eu sugerisse um vinho por semana, anotando notas de degustação e onde comprar. Com este calorão dos últimos dias, vão ai dois vinhos para refrescar as taças. Para o vinho mostrar todo o seu potencial quando for degustado, ele deve ter sido armazenado em ambiente fresco, com controle de temperatura e umidade, livre de trepidações e sem contato com a luz. E se você trouxe a garrafa de uma viagem recente, epere o vinho descansar. Assim sendo:

● Vinho da Semana 39/2015 ● BOURGOGNE LA VIGNÉE CHARDONNAY 2013 – BORGONHA – FRANÇA - Nove gerações e um legado para a vida toda. A Domaine Bouchard Père Et Fils foi fundada em 1731, em Beaune, por Michel e Joseph Bouchard, sendo uma das vinícolas mais antigas de toda a Borgonha.  Uma fortaleza construída pelo rei Louis XI datada do século 15, cujas torres edificadas se mantêm de pé, caves subterrâneas, ainda em uso, abrigam uma coleção com cerca de duas mil garrafas de suas melhores safras desde 1846 foi onde a família Bouchard escreveu sua história por séculos. Em 1995 a vinícola foi vendida para uma família muito antiga de Champagne comprometida em manter a tradição dos fundadores.

  ● Notas de Degustação: Cor amarela bem clara. Este é um delicioso Chardonnay de uma das vinícolas francesas mais prestigiadas do mundo. Um vinho jovem, elegante e perfumado. Ótimo para bebericar ou para acompanhar comida. Mineral frutado e fresco, cremoso e que impressiona com o charme juvenil e suas notas cítricas. Bela fruta e acidez fazem deste vinho uma excelente pedida para as noites quentes que estamos vivendo. Um Chardonnay clássico no melhor estilo, com excelente relação qualidade x preço.
● Guarda: até 5 anos, mas se você gostar da nota cítrica de limão siciliano já pode ser bebido !
Notas de Harmonização: bacalhau assado, moqueca, frituras, saladas e risoto de limão siciliano.
Temperatura de Serviço: 9 a 10ºC

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

QUEIJOS FRANCESES


Existem hoje mais de 1.000 tipos de queijos na França: cada vale ou colina, cada campo, cada montanha possui um queijo com as características específicas do seu terroir. 

Ao servir os queijos
Na França, o queijo é elemento comum na culinária e também está presente nas mais diversas ocasiões de consumo, seja em restaurantes ou em casa. Como parte de sua cultura, os franceses gostam muito de apresentar bem os seus queijos e de compartilhá-los com amigos e familiares. Uma das maneiras mais especiais são as tábuas de queijos (plateau de fromages), que oferecem aromas, cores e sabores diferentes, além de um belo visual. A tábua de queijos é uma opção de muito bom gosto e que, sem dúvida, será sempre bem acolhida. As variedades de queijos franceses à disposição do consumidor brasileiro já são suficientes para a montagem de tábuas de degustação bonitas, deliciosas e nutritivas.

Seguem algumas dicas práticas para a preparação de uma tábua de queijos franceses:

Variedade
Escolha entre três e sete tipos de queijos de categorias diferentes para uma experiência mais ampla. Como exemplo, podemos sugerir uma tábua de cinco queijos, como: BrieSaint-Paulin,ComtéEmmental e Roquefort.

Quantidade
Calcule entre 150g a 200g de queijo por pessoa. Assim, uma tábua para quatro pessoas deve conter cerca de 800g entre todos os queijos servidos. Não se preocupe com possíveis sobras, pois você poderá usar os queijos posteriormente em inúmeras ocasiões e receitas.

Sequência de Degustação
Também conhecida por "disciplina de degustação", a ordem de apreciação dos queijos não é difícil de ser seguida. Queijos picantes, fortes, marcantes ou pungentes predominam sobre as variedades de sabor sutil e delicado. Disponha os queijos sobre a tábua de modo que os mais suaves antecedam os mais encorpados. Seguindo o exemplo anterior, a ordem de degustação seria: Saint-PaulinBrieEmmentalComté e Roquefort. Depois das primeiras experimentações, os convidados farão as escolhas que mais lhe convierem.

Apresentação
Distribua os queijos na tábua já cortados ou com o corte insinuado, e em temperatura ambiente. Acrescente frutas, secas ou frescas. Mantenha um cesto de pães, além de potinhos de manteiga e patês próximos à tábua. 

Sirva queijos com frutas
Maçãs, peras, uvas, morangos, figos frescos e melão valorizam as tábuas e mesas de queijos, especialmente em coquetéis. Outros acompanhamentos, tais como castanhas, nozes e amêndoas ajudam na decoração e diversificam a degustação.

Os Vinhos
Se a tábua for acompanhada por vinhos, escolha um ou dois vinhos, brancos e tintos, que acompanham bem a maioria dos queijos servidos. Não é necessário ter um tipo de vinho para cada tipo de queijo, mas é importante que os vinhos selecionados não destoem dos queijos que compõem a tábua. Lembre-se que os vinhos mais leves acompanham melhor os queijos suaves e o mais encorpados vão melhor com os queijos mais potentes.

Sirva queijos
Ao planejar um menu, considere o momento em que o queijo será servido. Você poderá servi-lo como entrada; como componente do prato principal; antes da sobremesa ou como último prato, como fazem os franceses. De qualquer modo, o queijo adiciona um toque de elegância e bom gosto às refeições.  

Cuidados ao servir queijos
Antes de servir, lembre-se que queijos frescos ou macios devem ser retirados do refrigerador entre meia hora a quarenta e cinco minutos antes de serem consumidos. Queijos semiduros e duros devem ser retirados no mínimo duas horas antes. O frio inibe o sabor e o aroma dos queijos, além de afetar sua textura. 

O corte apropriado
Ponto extremamente importante no serviço de queijos. Um grande queijo pode ter suas principais características arruinadas por um corte inadequado. Ele deve seguir o princípio da proporcionalidade, isto é, cada pedaço de queijo deve possuir um pouco de tudo que a fôrma original contém.

Armazenar queijos em casa
Para manter a qualidade e aumentar a vida dos seus queijos é importante armazená-los adequadamente. Retire-os das embalagens e coloque-os, individualmente, em sacos plásticos, mantendo o ar dentro dos mesmos. Feche com grampos e guarde na parte baixa da geladeira. Faça verificações, pelo menos, a cada dois dias.

Se você ficar com alguma peça de queijo duro ou semiduro, como o Emmental ou o Madrigal, e quiser consumi-la diariamente, a melhor maneira de conservá-la é embrulhar a peça com um pano limpo e úmido e mantê-la em local fresco e arejado. Dessa forma, o queijo estará sempre pronto para o consumo e não irá ressecar. (Fontehttp://www.queijosdaeuropa.com.br/site/dicas/como-servir-os-queijos).


CHATEAUNEUF-DU-PAPE CUVÉE ETIENNE GONNET FONT DE MICHELLE 2010 – RHONE SUL – FRANÇA

Vinho da Semana 38/2015 ● CHATEAUNEUF-DU-PAPE CUVÉE ETIENNE GONNET FONT DE MICHELLE 2010 – RHONE SUL – FRANÇA – A família Gonnet está estabelecida na região desde 1660. Em 1950, Etienne Gonnet fundou o Font de Michelle, hoje conduzido pelos netos Bertrand e Guillaume. Localizado no sudoeste de Châteauneuf-du-Pape, uma das melhores subregiões dessa denominação, esse Domaine tem parcelas em La Crau, o “Grand Cru” de Châteauneuf. Seus brancos têm uma mineralidade deliciosa, enquanto os tintos são tradicionais e estilosos, com vinhos encorpados e elegantes, que são a pura expressão do terroir. Sua cuvée prestige é excepcional.
            Segundo os arquivos locais, a família Gonnet está instalada em Bédarrides desde 1660. De 1866 a 1880, os vinhedos sofreram com a infestação de phylloxera e desapareceram, envolvidos pelo mato. Em 1880, Jean Etienne Gonnet construiu a sede atual do Domaine. Seu neto, Etienne Gonnet, criou o Font de Michelle em 1950, com um vinhedo de 30 hectares, de um só proprietário, magnificamente orientado no sudeste da apelação Châteauneuf du Pape. Como prefeito de Bédarrides de 1952 a 1964, Etienne foi à sua época um exemplo de perseverança e rigor. O solo da região do Domaine é argilo-calcário recoberto em grande parte de seixos vermelhos (dilivium alpin). Esses seixos armazenam o calor do dia e o difundem durante a noite para as videiras. É um solo árido, onde as raízes das vinhas devem procurar em profundidade os elementos para sua existência. O clima é muito importante: pouca chuva, um vento mistral frequentemente violento, que mantém as plantas sadias e permite uma bela concentração dos frutos no momento da colheita, e uma insolação excepcional (1.000 horas de insolação, média no verão de 7 horas a 25º). Durante todos estes anos, o objetivo da família tem sido melhorar os métodos de vinificação, elaborar vinhos ricos, concentrados e elegantes, através dos quais o terroir possa exprimir todas suas qualidades e levar às alturas a fama do Domaine.
            Segundo Robert Parker: “Uma das mais bem trabalhadas propriedades em Châteauneuf-du-Pape, fazendo vinhos de primeiríssima em estilo moderno, concentrado e cheio de caráter. O Cuvée Etienne Gonnet tem taninos mais firmes, e mais estrutura. Musculoso, carnudo, profundo, especiado, com alta glicerina, baixa acidez, pureza e maturidade admiráveis.”

  Notas de Degustação: Criado em homenagem a Etienne Gonnet, fundador da vinícola, este vinho é elaborado somente em safras excepcionais. Cor violácea intensa, profundo e com bom brilho e limpidez. Aromas de frutas negras maduras, como groselha, ameixa, cereja, passas e amoras, notas de especiarias doces como baunilha e canela, além de pimenta, alcaçuz, folhas de louro, café e chocolate no fundo. Bela complexidade. Rico, com taninos perceptíveis, finos e agradáveis. Belo equilíbrio e estrutura, boa acidez em boca, corpo médio para encorpado, persistente, um vinho com grande complexidade, elegância, tipicidade e gastronômico.
As frutas maduras foram colhidas, rigorosamente selecionadas e transportadas em pequenas caixas de 25 kg. As uvas foram imediatamente desengaçadas (50 % do total), suavemente esmagadas e colocadas em tanques de aço inox. O sistema é baseado em gravidade, sem bombeamento. Antes da fermentação foi adicionado SO2 em 7 g/hl. Todas as variedades foram fermentadas em separado, sem inoculação de leveduras. Fermentação e maceração duraram entre 25 dias a um temperatura máxima de 30 ºC. A fermentação malolática ocorreu nos tanques. O vinho de prensa foi transferido e permaneceu em tanques alguns dias antes de ser transferido para barricas de carvalho de 225 l com 2 a 3 anos de idade, a Syrah para barricas novas. A maturação durou 18 meses em foudres e pequenas “fûts” usadas apenas uma vez. Ao final da maturação os vinhos foram transferidos para um tanque de mesclagem. O engarrafamento aconteceu com leve filtragem e SO2 livre de 27 mg/l.
Corte de 70% Grenache de vinhas centenárias, com 15 % Syrah e 15 % Mourvèdre.
● Guarda: até 20 anos, mas já pode ser bebido!
Notas de Harmonização: Tournedor com cogumelos gratinados, Confit de pato na manteiga com sálvia e alho, Cordeiro em crosta de cogumelos selvagens, Ragu de ossobuco acompanhado de risoto de parmesão, Codornas ao forno com legumes e frutas secas.
Temperatura de Serviço: 17 a 18ºC

Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

CHATEAUNEUF-DU-PAPE LA SOLITUDE 2010 – RHONE SUL – FRANÇA

Vinho da Semana 38/2015 ● CHATEAUNEUF-DU-PAPE LA SOLITUDE 2010 – RHONE SUL – FRANÇA – O Domaine de La Solitude é uma das casas mais antigas de Châteauneuf-du-Pape, fundada em 1604.  Os proprietários do Domaine de la Solitude são membros da família Lançon, e são descendentes diretos da família Barberini, que veio da Itália acompanhando os Papas, com descendência direta a partir do Papa Urbano VIII. Suas uvas provêm de vinhedos próprios, localizados no plateau leste da área conhecida como “La Crau”, uma das mais quentes e precoces da região, que produz vinhos macios e complexos, prontos para beber desde jovens, mas com grande potencial de amadurecimento.
Uma raridade em Chateauneuf du Pape, esta grande propriedade tem uma única vinha  de 38 hectares situada em La Solitude, que fica ao lado do planalto rochoso famoso de La Crau (o mais adiantado em maturação e o mais prematuro terroir da denominação ). Esta é também uma das propriedades mais antigas de Chateauneuf du Pape, traçando a sua história até o século 13. O Domaine de la Solitude tem sido gerido pela família Lancon por muitas décadas. O Domaine faz quatro cuvées Chateauneuf-du-Pape tintos: Tradition, Cuvée Barberini, Cuvée Cornelia Constanzia e Cuvée Reserve Secrete. Ao longo dos últimos 5 ou 6 anos, eles têm mostrado grandes melhoramentos graças aos esforços de Jean e Michel Lançon.
  Notas de Degustação: Cor violácea intensa, com bom brilho e limpidez. Aromas de frutas negras maduras, como groselha, ameixa, cereja, notas de especiarias, café e chocolate no fundo. Boa complexidade. Rico, com taninos macios, finos e agradáveis. Bom equilíbrio, fresco, corpo médio para encorpado, persistente, um vinho com complexidade, elegância, tipicidade e muito gastronômico. O retrogosto confirmou o olfato e o final foi longo e vivo no paladar por um bom tempo.
● Guarda: até 10 anos, mas já pode ser bebido!
Notas de Harmonização: Tournedor com cogumelos gratinados, Confit de pato na manteiga com sálvia e alho, Cordeiro em crosta de cogumelos selvagens, Ragu de ossobuco acompanhado de risoto de parmesão, Codornas ao forno com legumes e frutas secas.
Temperatura de Serviço: 17 a 18ºC

Onde comprar: Em BH – ZAHIL em BH é representada pela REX-BIBENDI: Tel.: (31)3227-3009 ou rex@rexbibendi.com.br  OUTONO 81 - Restaurante e Bar de Vinhos - Rua Outono, nº 81 - Carmo/Sion.

CHATEAUNEUF-DU-PAPE LA BERNARDINE 2010 – RHONE SUL – FRANÇA

Vinho da Semana 38/2015 ● CHATEAUNEUF-DU-PAPE LA BERNARDINE 2010 – RHONE SUL – FRANÇA – Esta ótima interpretação de Chapoutier para um vinho histórico e o mais emblemático do Sul do Rhône mereceu 91 pontos e muitos elogios da Wine Spectator na safra de 2010. O La Bernardine é elaborado com um corte GSM – ou seja, a elegante Grenache, em maioria, a emblemática Syrah e a Mourvèdre. O produtor Chapoutier é um dos maiores nomes do Rhône. Michel Chapoutier – um dos maiores enólogos da França, já foi eleito diversas vezes "enólogo do ano" pela Revue du Vin de France, e deu uma nova dimensão aos vinhos da região, atingindo a perfeição nas diversas denominações do Norte e do Sul. Seus vinhedos são cultivados organicamente e apresentam baixos rendimentos.
Os vinhedos estão localizados em terrenos típicos da Denominação com o solo coberto de pedras chamadas “cailloux roulés” (pedregulhos rolados). A colheita é manual com uma seleção exclusiva das melhores uvas. A vinificação para proteger a Grenache, muita sensível, a fermentação (entre 15 dias e 3 semanas) acontece em cubas de concreto revestido de epoxi, com controle das temperaturas. Maturação em tonéis de carvalho de meia tosta e cubas de concreto por 12 até 15 meses.
  Notas de Degustação: Cor violácea profunda, intensa, com bom brilho e limpidez. Aromas de frutas negras maduras, com notas de groselha, ameixa, cereja, notas de especiarias, café e chocolate no fundo. Boa complexidade com camadas de cedro e especiarias doces de baunilha e canela. Aparecem notas de floral e garrigue (vegetação típica do Rhône e Provence). O complexo bouquet oferece uma prévia da deliciosa sensação de boca que esse vinho proporciona. Rico, com taninos macios, finos e agradáveis. Bom equilíbrio, fresco, corpo médio para encorpado, persistente, um vinho com complexidade, elegância, tipicidade e muito gastronômico. O retrogosto confirmou o olfato e o final foi longo e vivo no paladar por um bom tempo.
● Guarda: até 10 anos, mas já pode ser bebido!
● Reconhecimentos: Wine Spectator: 91 pontos (safra 2010) / Robert Parker: 89-91 pontos - safra 2010.
Notas de Harmonização: Boeuf en Daube. Carne com molho de vinho e coelho com azeitonas.
Temperatura de Serviço: 17 a 18ºC

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

GRAN RESERVE ASSEMBLAGE LOS BOLDOS 2012 – VALLE DEL CACHAPOAL - CHILE

Vinho da Semana 38/2015 ● GRAN RESERVE ASSEMBLAGE LOS BOLDOS 2012 – VALLE DEL CACHAPOAL - CHILE – Um dos mais clássicos produtores da região de Requinoa, em Cachapoal, o Château Los Boldos usufrui da dedicação de um dos mais importantes grupos vinícolas do mundo, a Sogrape. Ao longo dos últimos cinco anos, pesados investimentos vêm sendo feitos na reestruturação da adega e dos vinhedos, com cuidadosos estudos de solo e de viticultura sendo implementados na produção. O Chateau Los Boldos foi criado em 1991 com o objetivo de produzir vinhos Premium, com seu fundador imaginando vinhos que poderiam se beneficiar de técnicas francesas centenárias combinadas com o potencial de vinificação deste terroir diferenciado no Chile e capacidade de produzir excelentes uvas para vinho.
            Esse sonho se materializou em uma única propriedade com vinha e adega na região de Cachapoal, a 100 km ao sul de Santiago, reunindo condições únicas para o Chateau Los Boldos produzir seus vinhos, controlando cada parte do processo. Ali, o terroir resulta de condições únicas geradas pela influência do Rio Cachapoal, das frias brisas andinas e do clima continental em combinação com solos graníticos, pobres e bem drenados.
            O vinhedo que existia anteriormente criou a oportunidade e potencial para a produção de vinhos Ícones devido às suas vinhas velhas. Por exemplo, o Chateau Los Boldos tem uma parcela de vinha de Cabernet Sauvignon plantada em 1948 e uma parcela Merlot plantada em 1959. Ao longo dos anos o Chateau Los Boldos firmou-se como um produtor Premium de vinho chileno, reconhecido não só pelos prêmios obtidos por seus vinhos, mas também pelo interesse que levantou em todos os mercados ao redor do mundo.
Em 2008 o Chateau Los Boldos tornou-se parte da Sogrape, uma empresa de propriedade familiar de origem portuguesa, fundada em 1942 por Fernando Van Zeller Guedes. A Sogrape expandiu sua presença a partir de Portugal, primeiro na Argentina (onde é proprietária da Finca Flichman) e depois para o Chile (Chateau Los Boldos) e Nova Zelândia (Framingham) e, finalmente, para a Espanha (Bodegas Lan), e sempre manteve os valores da família e espírito de suas origens. No Chateau Los Boldos, a gestão Sogrape criou um vasto programa de reformas e investimentos em vinhas, adega e linha de engarrafamento para potencializar a qualidade superior dos seus vinhos.
Hoje Chateau Los Boldos está presente em mais de 40 países e se esforça a cada dia para oferecer vinhos de alta qualidade aos seus clientes.

● Notas de Degustação: Cor violácea profunda, intensa, com bom brilho e limpidez. Aromas de frutas vermelhas e negras silvestres e maduras, como mirtilos, ameixa, cassis, notas de tabaco, especiarias, nota de mentol, chocolate e leve toque herbáceo no fundo. Bela complexidade onde as camadas vão sugerindo os toques de cedro, especiarias doces de baunilha e mentolado. No paladar o vinho mostra um alto nível. Rico, com taninos presentes e perceptíveis, mas finos e agradáveis. Bem equilibrado, vivo em boca, corpo médio para encorpado, persistente, um vinho com personalidade, complexidade, elegância, tipicidade e muito gastronômico. O retrogosto confirmou o olfato e o final foi longo e vivo no paladar por um bom tempo.
● Guarda: até 10 anos, mas já pode ser bebido !
Notas de Harmonização: Tournedor com cogumelos gratinados, Confit de pato na manteiga com sálvia e alho, Cordeiro em crosta de cogumelos selvagens, Ragu de ossobuco acompanhado de risoto de parmesão, Codornas ao forno com legumes e frutas secas.
Temperatura de Serviço: 16 a 17ºC

Onde comprar: Em BH – ZAHIL em BH é representada pela REX-BIBENDI: Tel.: (31)3227-3009 ou rex@rexbibendi.com.br  OUTONO 81 - Restaurante e Bar de Vinhos - Rua Outono, nº 81 - Carmo/Sion.

TRUMPETER MALBEC-SYRAH RUTINI WINES 2014 – MENDOZA – ARGENTINA

Vinho da Semana 38/2015 ●  TRUMPETER MALBEC-SYRAH RUTINI WINES 2014 – MENDOZA – ARGENTINA – A RUTINI é uma das mais tradicionais e mais antigas vinícolas de Mendoza e faz alguns belos vinhos como a linha Rutini e os “Antologias” que são vinhos realmente excepcionais. Esta linha Trumpeter sempre foi uma das minhas preferências. São vinhos para o dia a dia, a linha básica da vinícola, voltada para a exportação. Além do Malbec/ Syrah, um destaque é o branco chardonnay.

 A vinícola foi fundada pelo italiano, Felipe Rutini, no final do século XIX e foi a primeira a instalar-se na região de Tupungato chamada de "La Rural". Hoje 70% pertence à um gupo financeiro argentino e os outros 30% a ninguém menos que Nicolas Catena (o proprietário da Bodegas Catena). Possui 22 hectares de vinhedos com as mais variadas altitudes. Usam alta tecnologia e um exemplo disso é uma máquina selecionadora das melhores uvas onde são tiradas 1.000 fotos por segundo dos bagos que registram forma, cor e tamanho. A linha ANTOLOGIA é produzida dos vinhedos da região de Tupungato a partir de videiras antigas. Estes vinhos são elaborados apenas em anos excepcionais e são denominados em números romanos. Por exemplo, o Antologia XVII é uma combinação de 90% Malbec, , 5% Petit Verdot e 5% Cabernet Franc, e vale a pena ser provado!
● Notas de Degustação: Cor violácea, escura e profunda. Um nariz rico e intenso, com frutas vermelhas e escuras, madeira doce (baunilha) e chocolate, sem que seja enjoativo. Nos aromas aparecem notas de frutas silvestres maduras, com ênfase em ameixa escura, toque de especiaria típica da Syrah - pimenta preta. Na boca é suculento, com uma acidez média para alta, taninos redondos e ótimo final, longo e persistente. Mesmo com a potência que exprime, no paladar é um vinho elegante, com taninos macios e toque defumado, levemente encorpado. Tem retrogosto bem persistente, mostrando a tipicidade da casta. Excelente amostra de qualidade x preço.
● Guarda: até 5 anos se você gostar da nota de ameixa, mas já pode ser bebido !
Notas de Harmonização: Ótimo vinho para acompanhar carnes vermelhas em geral, com destaque para um bom churrasco - a madeira do vinho vai bem com o “defumado” da carne.
Temperatura de Serviço: 16 a 17ºC

Onde comprar: Em BH – ZAHIL em BH é representada pela REX-BIBENDI: Tel.: (31)3227-3009 ou rex@rexbibendi.com.br  OUTONO 81 - Restaurante e Bar de Vinhos - Rua Outono, nº 81 - Carmo/Sion.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

OS VINHOS TCHECOS EXISTEM !

OS VINHOS TCHECOS EXISTEM !

Conhecida como um dos melhores produtores de cerveja, pode-se dizer que o vinho tcheco também existe.

A República Tcheca passou por várias mudanças nos últimos anos, e sem dúvida a enologia é uma das maiores surpresas, e certamente alguns de seus rótulos terão lugar em nossas taças,  ganhando  destaque nas conversas em torno da bebida e Baco.

O país produz vinho desde o Séc. X, com longa tradição, mas de certa forma a área de produção concentra-se na Moravia Sul, onde há 4 sub-regiões  (ou zonas). 

Ai se dá 95% da produção tcheca, onde se destacam os rótulos brancos, que são os melhores de forma geral, a exemplo do que acontece nas vizinhas Alemanha e Áustria. Os tintos ainda são objeto de desenvolvimento de produção, técnicas de vinificação e qualidade.

Os 19.000 hectares para produção de vinho foram estabelecidos por cota da Comunidade Européia, e estão divididos em:

                                                             Moravia                               Boemia
Vinhedos                                           17.080 hectares                      730 hectares
Comunidades Vinícolas                        311                                        66
Viticultores                                        18139                                       153

Assim sendo o tamanho médio dos vinhedos é de cerca de 1 hectare, portanto em minifúndios onde o produto praticamente é consumido pelo mercado interno. 

Entre os destaques que provei, dois brancos – Um Sauvignon Blanc de classe internacional, e um Pálava  (uva local, cruzamento de Traminer com Muller-Thurgau ) colhido de forma tardia, mas que pode ser bebido como aperitivo, acompanhando comida ou sobremesa.


Abra a cabeça e se possível, prove um vinho tcheco !

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

TOP WINEMAKERS 50 BARRICAS E A HISTÓRIA DA CARMENERE – parte II


“ TOP WINEMAKERS 50 BARRICAS E A HISTÓRIA DA CARMENERE – parte II “ –  Para entender o conceito envolvido neste projeto, fizemos no dia 28/08/2015 um workshop sobre esta uva emblema do Chile, conduzido por Rafael Prieto e Ariel Perez, com a presença de vários sommeliers e amantes de vinhos de BH.
Importante marcar que não há um estilo único de Carmenere chileno, até mesmo porque pode-se dividir as áreas de produção por zonas que definem de certa forma o caráter dos rótulos que foram degustrados: 1- Maipo / 2- Cachapoal / 3- Colchaga e 4- Curicó-Maule.

♦ MAIPO – É provavelmente um dos vales mais emblemáticos da zona central chilena e o que tem maior tradição vitivinícola. Foi no Maipo onde os conquistadores fundaram os primeiros vinhedos na época colonial. Situado em plena Região Metropolitana, segue o curso do rio do mesmo nome, albergando nas suas faldas boa parte do traçado urbano da capital.
            Destacam dois fatores que fazem do Maipo um vale muito especial: sua localização estratégica, a poucos quilômetros de Santiago e Valparaíso e sua topografia, que permite a produção de variadas cepas a diferentes alturas. Assim, tal como a maioria dos vales da zona central do Chile, o Maipo conta com uma importante produção vitivinícola, sendo aquele um dos seus principais atrativos turísticos.
            Os vinhedos variam desde os sopés dos Andes, onde os melhores Cabernets do país são produzidos, até o planalto central. Seu clima mediterrâneo é estável, com estações bem definidas e baixo risco de chuvas durante o período da colheita, o que garante condições ideais para o plantio de vinhedos e a produção de bons vinhos.
Terroir  - O clima em Maipo é continental,quente e seco, com 300 a 450milímetros anuais de chuvas (concentradasno inverno). Durante oito a nove meses do ano faz calor, com dias quentes e noites frias. Aqui, sente-se eventualmente oefeito do “El Nino” que pode aumentar o total de chuvas para 1.000 milímetros no ano, ou, do“La Nina”, que pode gerar uma seca extrema, baixando as chuvas para apenas 100 milímetros no ano.
            Os solos são jovens, originados do granito e de material vulcânico (quando mais perto da cordilheira). Embora pouco variado em termos geológicos, o granito pode se decompor de diversas maneiras, variando muito emtermos de textura (retenção de água) e profundidade, originando vinhos muito diferentes, mesmo em áreas muito próximas. As exceções em termos de solo são ao redor dos rios, pois as pedras se acumulam nas curvas do curso d’água e proporcionam melhor drenagem. O PH dos solos neste vale é, em geral, alto, gerando vinhos
de baixa acidez, mas com ótimos taninos e bom corpo.
            Há 3 sub-vales, com boa infraestrutura para receber o amante de vinhos, pois há 45 vinícolas abertas ao turismo. Chama-se a atenção para uma culinária chilena, simples, saborosa, de cocção curta, textura seca e sabores picantes. Você simplesmente pode desfrutar de uma empanada de pino (carne, cebola, passas de uva, ovo cozido) com pipeño, harmonizada com vinho branco de estilo campesino chileno que é parte dos segredos do vale. A cozinha desta região se dá muito bem com vinhos da casta Carmenere. De forma geral, os vinhos tem grande estrutura.
            Podemos dizer que no ALTO MAIPO aparecem as notas de mentol e algo mineral com frutas escuras como amora e cassis. Há micro-climas ideiais para Carmenere, que muitas vezes apresenta-se com vinhedos de 20 ou mais anos de plantio em espaldeira, nos solos aluvionais, região de grande luminosidade e grande oscilação térmica entre o dia e a noite. No MAIPO COSTA há a influência do mar, que traz frescor ao vinho com aromas mais elegantes.

Vinhos provados da região do MAIPO:

CARMENERE LIMITED EDITION 2013 PEREZ CRUZ MAIPO ALTO – corte de 93% CM e 7% SY, com notas herbáceas, muita fruta escura e chocolate amargo no paladar. As notas de frutas vermelhas maduras, pimenta, café, terra e especiarias oferecem um caráter especial.

CARMENERE DE MARTINO SINGLE VINEYARD 2011 – Um vinho com 94 pontos do Guia Descorchados, com muita fruta escura e nota de café. Paladar potente, taninos presentes, bom equilíbrio, com boa acidez e persistência. No nariz possui aromas de frutas pretas, amora, notas picantes e tabaco. Na boca é volumoso, suculento. Taninos estruturados e acidez firme. Persistência longa e muito agradável. Acompanha bem carnes com temperos picantes. O enólogo Marcelo Retamal, que  prefere focar na viticultura ancestral com vinhos criados em tinajas e menor influência do uso de madeira, faz este Carmenere em Alto de Piedras, monovarietal, passando 24 meses em barricas velhas, já muito usadas.

TRES PALACIOS FAMILY VINTAGE 2011 – Um vinho de MAIPO COSTA, área de clima ameno, à 18 km do Oceano pacífico. O vinho mostra fruta escura em abundância, com notas de pimenta do reino, taninos marcantes, longo em boca e com bela acidez. Cor purpura profunda, com aromas intensos e atraentes, ressaltado frutas negras e vermelhas maduras como amora, mirtilo, morango e cereja, associadas a notas de especiarias e toques de chocolate e tabaco. Paladar com estrutura rica, de corpo intenso e equilibrado, com taninos macios e aveludados, resultando em grande volume e persistência. O vinho tem vários reconhecimentos de sua qualidade: Guia Descorchados - 92 pts ( 2010 ) / 89 pts (2009 ) e 88 pts (2008 )

♦ CACHAPOAL – a região conhecida como a “Cuenca de Rancagua”, recebe seu nome pelo rio que banha suas terras e estende-se até o lago Rapel. Situado aproximadamente a 90 km ao sul de Santiago, graças à baixa altura da Cordilheira da Costa em algumas zonas, os vinhos produzidos aqui são distintos e especiais, tornando-o um vale único na rota do vinho nacional.
            O lago Rapel converteu-se, com o passar dos anos, num grande ponto turístico da região e do vale. Formado pelos afluentes dos rios Tinguiririca e Cachapoal e sustentado por uma represa construída no ano 1968, é o lugar ideal para desfrutar de um formoso entorno natural no qual praticar esportes náuticos. Média anual de 340 mm de chuvas.
            O Vale de Cachapoal,é um dos melhores terroirs para vinicultura do Chile e está localizado a apenas 80 quilômetros ao Sul da cidade de Santiago. Ocupa a parte sententrional do vale de Rapel, enquanto o vizinho meridional é Colchágua. Embora por muito tempo se tenha falado só de Rapel, pouco a pouco ambos foram se desligando dessa vizinhança a ponto de já muitos poucos rótulos falarem em um Rapel genérico.
Existe lógica por trás dessa divisão, porque as diferenças são importantes, tanto em clima quanto em topografia. Boa parte dos produtores mais importantes de Cachapoal tem seus vinhedos aos pés dos Andes, local chamado de Alto Cachapoal. Nessa região a Cabernet Sauvignon brilha com seu frescor e elegância, mas, também, aproveitando a influência fria da cordilheira e dos pedregosos solos aluviais de média fertilidade, conseguiram-se interessantes resultados com a Viognier em brancos e Cabernet Franc em tintos.
O poente, nos arredores de Peumo, as temperaturas aumentam, especialmente nos setores protegidos da influência marítima, como em Las Cabras.  As brisas frescas da costa que deslizam pela bacia do rio Cachapoal banham os vinhedos de frescor e, ao mesmo tempo, moderam as altas temperaturas do setor. Isso explica, por exemplo, porque os tintos tem notas de ervas e frutas vermelhas maduras proporcionadas pelas brisas frescas.
De forma geral os vinhos aqui criados são untuosos, com destaque para Peumo, onde há mais argila que pedras. Nesta área são produzidos vinhos Carmenere com boa capacidade de guarda.
            As características topográficas do vale criam grandes contrastes climáticos, por exemplo o setor quente de Las Cabras e Peumo, onde alguns dos melhores Carmenères chilenos são produzidos.

Vinhos provados da região do CACHAPOAL:

MATURANA WINES 2012 – Um belo corte de 80% de Carmenere e 20% de Cabernet sauvignon, amadurecido por 13 meses em grandes de carvalho. Mostra grande intensidade de fruta, seja no aroma ou paladar. Longo em boca, com ótima acidez. Cor púrpura brilhante, intenso, profundo com reflexo azulado. Aromas complexos, com notas de groselha, licor de cassis e cereja sobre um fundo marcado pelas especiarias. A madeira está muito bem integrada com a fruta vermelha e negra. No paladar o chocolate com cereja vem à tona. Fresco e suculento, com estrutura para dez ou mais anos de guarda. Taninos finos, longo e persistente, com delicioso final aveludado.

CARMENERE RENACER 2012 – a região do vinhedo fica próxima de Carmin de Peumo. O vinho em si é um corte de 95% de Carmenere e 5% de Cabernet Sauvignon, amadurecido por 16 meses em barricas francesas (de 1º e 2º usos). Mostra bela estrutura, tem menos acidez que o vinho anterior, taninos macios, com bela expressão em boca e ótimo frescor (apesar da menor acidez). Longo e prazeroso em boca.

SANTA CAROLINA HERENCIA 2007 – outro terroir próximo a Carmin de Peumo. Obteve a maior pontuação histórica para um vinho da Santa Carolina com 94/95 pontos de Robert Parker. Produzido com 94% de Carmenere, 6% de Cabernet Sauvignon e Malbec, é sem dúvida um dos melhores Carmeneres do Chile. aromas desde longe e quando você finalmente coloca o nariz próximo, fica encantado. Aromas doces combinando frutas maduras escuras com notas de especiarias e tabaco, tudo muito bem harmonizado. No paladar mostra um belo equilíbrio entre acidez e taninos, com um final longo e prazeroso.

♦ COLCHAGA – a região é um belo local para cultivo e desenvolvimento da Syrah e Carmenere. Claro que há belos vinhos de Cabernet Sauvignon, Maerlot, e Malbec – em especial o da Viu Manent. O clima é temperado sub-mediterrâneo, com solos aluvionais (centro da região), solos graníticos (na costa) e mistura de granito e aluvional (na região de Paredones/Costa), havendo ainda vinhedos plantados em escarpas e começando a aparecer vinhedos em terraços. Aqui há estilos diferentes, em geral com grande persistência em boca, e com mais notas herbáceas.
A zona do Vale de Colchagua, palavra que significa “lugar de pequenas lagunas”, conta com ricas tradições e aspectos culturais muito interessantes de conhecer. Historicamente foi parte do império inca e posteriormente passou a ser o lugar escolhido pelas famílias da oligarquia do Chile para construir grandes mansões, algumas das quais continuam em pé.
            O vale de Colchagua é outro dos vales transversais da zona central do Chile, cujas terras estão regadas pelas águas do rio Tinguiririca e no qual estão localizadas as cidades de San Fernando e Santa Cruz, duas das mais importantes da região, e algumas localidades de grande interesse turístico como Chimbarongo, Lolol ou Pichilemu.
            Chegando a Santa Cruz, onde poderá visitar o Museu de Colchagua, que alberga algumas das coleções mais importantes em quanto ao acervo cultural nacional, conhecendo assim um pouco mais da historia desta atrativa zona e do país. Caracterizada como uma região rural, com muita produção de milho, que se refelte na comida típica – humita, salgada, mas comida com açúcar.
Os períodos de colheita no vale variam de acordo com a localização e a topografia de cada vinhedo. A colheita, conseqüentemente começa na zona mais próxima dos Andes, continua duas semanas depois em torno de Santa Cruz e termina nas áreas de grande influência do mar.
Terroir - Chuvas de aproximadamente 600 mm anuais, concentradas nos meses de inverno. O verão é seco, com dias muito quentes e noites frias. A temperatura é influenciada pelas brisas marinhas do Oceano Pacífico e pelos ventos da Cordillera de Los Andes. Solo plano, profundo, de textura argilosa e de média fertilidade.

Vinhos provados da região do COLCHAGA:

KOYLE ROYALE CARMENERE 2012 – A Viña Koyle foi fundada em 2006 pela família Undurraga, que possui tradição vinícola desde 1885. Outra particularidade é que a Koyle pratica a vitivinivultura biodinâmica, uma série de técnicas que, além da produção orgânica, busca métodos sustentáveis em todo o processo de cultivo, produção e manutenção dos vinhedos, respeitando os ciclos da Natureza. O vinho passa 18 meses amadurecendo em barricas francesas e mostra bons aromas de fruta negra e notas herbáceas, com nota ao fundo de chocolate. Este vinho é feito em Los Lingues, com um leve toque de Petit Verdot. Cor púrpura muito escura, brilhante, típica da Carménère. No nariz, os aromas mais marcantes foram os de frutas vermelhas escuras e pimenta. Na boca mostra bom corpo, é equilibrado e com taninos macios. Um vinho fácil de gostar e beber.

CASA SILVA MICROTERROIR 2008 – Mostra muita fruta escura e vermelha, e neste vinho aparece uma nítica goiaba vermelha. Possui intensa cor vermelho-rubi com tonalidades violáceas. Os aromas são de frutas vermelhas e pretas, com toques de café. O paladar é harmonioso, com uma estrutura magnífica, taninos macios e notas de frutas vermelhas maduras, especiarias e um leve toque de pimenta preta. O final é longo e prazeroso. A madeira aparece como uma moldura, muito bem cuidada, e uma nota muito fina de alcaçuz em boca. Outro vinho muito premiado: 92 pontos - Robert Parker (safra 2006)/ 93 pontos - Robert Parker (safra 2005) / 91 pontos - Stephen Tanzer’s (safra 2005)/ 87 pontos - Wine Enthusiast (safra 2005).

EL INCIDENTE VIU MANENT 2012 – Uma mudança de estilo na Vinícola, para um estilo mais marcante, com taninos mais percepctíveis. Traço mineral de grafite, num vinho de bela estrutura, com muita fruta escura e menos presença de carvalho. Longo e persistente em boca. Corte de 91% de Carmenere, 8% de Malbec e 1% de Petir Verdot.
El Incidente é o fato ocorrido “após um lendário vôo de balão com alguns amigos sobre os vinhedos de Colchágua da Viu Manent. A viagem terminou inesperadamente quando pousaram no meio de um mercado ao ar livre na cidade de Santa Cruz“, como conta José Miguel Viu. Isto aconteceu em dia 8 de abril de 2006, 19:15 horas, na Vinícola Viu Manent, no Vale de Colchágua - Chile. A bela vista sobre os vinhedos e a calmaria do ar foi de tirar o fôlego. Até mesmo o “incidente” valeu como experiência. Tal acidente está graficamente explicado no rótulo.
É um vinho “ícone” que carrega todas as características picantes da Carménère, com sabores de geléia de amora, notas de chocolate e café que se destacam no paladar complexo e refinado. Amadureceu em barricas de carvalho francês (97%) e americanas (3%) durante 23 meses, logo depois foi engarrafado sem filtrar para conservar toda sua concentração e caráter. Vai evoluir de forma magnífica nos próximos 5 anos.

Uma observação significativa é nestes três vinhos de Colchaga, manda mais a mão do enólogo do que o terroir !

♦ CURICÓ - MAULE – a região é muito boa para variedades do Mediterrâneo, como Carignan, Syrah, Garnacha e Cinsault. Os aromas dos vinhos destas regiões mostram frutas frescas, de certa forma suaves em boca, com taninos macios. Uma área com vinhedos de vinhas muito antigas.
            Orgulhoso de ser o vale com mais hectares plantados no país, o vale do río Maule destaca no circuito do vinho chilemno. Localizado na região do mesmo nome, as primeiras plantações do vale foram feitas na época colonial. Atualmente possui uma superfície de três milhões de hectares e está constituído pelas províncias de Talca, Linares e Cauquenes, tornando a região na primeira em quanto à produção vitivinícola do Chile. Muitos dos vinhedos organizaram-se para que os visitantes possam degustar as diferentes variedades de castas da zona. Nesta região, a cozinha lembra a de mar, com muita gordura e pimenta (merquen). O clima é mais frio (mais ao sul do país), e a Carmenere tem pouca expressão local. Os vinhos de forma geral se apresentam frescos, com taninos suaves.
Curicó, que significa “Águas Negras” no idioma mapuche, tem sido um importante centro agrícola da Zona Central do Chile por séculos. Ele corresponde à bacia do Mataquito, formada pelos rios Teno e Lontué. As áreas mais quentes do vale, como Lontué, produzem vinhos de Cabernet Sauvignon de alta qualidade, especialmente nos vinhedos mais velhos, alguns dos quais com mais de 80 anos de idade.
Seu clima, caracterizado por neblina matinal e alta variação de temperatura entre o dia e a noite gera vinhos de grande acidez, o melhores de cada uma das variedades brancas, especialmente, Sauvignon Blanc, Vert e Gris.

Terroir do Maule - Clima Mediterrâneo com chuvas e frio no inverno, calor e sêca no verão. Na primavera o clima é temperado, com pouco frio e chuva, e no outono o clima é temperado sem chuvas.  As chuvas estão concentradas nos meses de inverno e primavera. Os vinhedos gozam de um clima privilegiado, com grandes diferenças de temperatura entre dias e noites. No verão, o sol invade a região, garantindo uma luminosidade extraordinária no período de maturação, que nos dá concentração de aromas e uma cor especial para os tintos. O solo é derivado de cinzas vulcânicas, arenoso e com excelente drenagem natural.

Terroir de Curicó - Clima Mediterrâneo com chuvas e frio no inverno, calor e seca no verão .     Solo entre argiloso e arenoso calcário de grande permeabilidade.

Vinhos provados da região do CURICÓ - MAULE:

VALDIVIESO SINGLE VINEYARD CARMENERE 2011 – Um vinho curto em boca, com taninos secantes, e boa expressão no paladar. A acidez aparece no final de boca. Cor vermelha com rubi intenso e reflexo violáceo brilhante. No olfato os aromas típicos da casta com o herbáceo aparecem ao lado de notas florais, café torrado e frutas negras maduras.  Na boca apresentou taninos presentes de boa qualidade, bom equilíbrio e balanço entre a fruta, acidez e madeira. Intenso, persistente, seu final um pouco secante sinaliza um vinho jovem com possibilidade de afinamento na garrafa nos próximos anos.

CASAS PATRONALES RESERVA PRIVADA CARMENERE 2012 – outro vinho com taninos secantes, mas neste rótulo há melhor integração. Boca picante, com acidez ao final. Longo em boca. Extremamente aromático, com notas de frutas escuras, ameixa preta, tabaco e também toque de baunilha. Na boca mostra fruta compotada, especiarias sobre o fundo amadeirado. Inicialmente a madeira parece sobrepor o conjunto, mas a medida que o vinho é aerado o equilíbrio é restabelecido. Final longo e agradável. Indica estágio de 12 meses em barricas de madeira e potencial de guarda de 5 anos, confirmado pelos taninos secantes.

J. BOUCHON BLACK SERIES CARMENERE 2011 – Os vinhedos da Viña J.Bouchon estão localizados na parte costeira do Vale do Maule. Cerca de 370 ha de vinhas mais velhas (> 60 de anos) são abençoados por um micro-clima privilegiado: o inverno frio e chuvoso, estação seca e quente na época do desenvolvimento da vinha, com temperaturas médias no verão de 20-32°C e nível de umidade com cerca de 50%. Noites e manhãs frias graças à brisa marinha. A irrigação é usada somente quando absolutamente necessária. Um vinho 100% Carmenere de vinhedos do Maule. É mais leve em boca, mostra ser muito bem feito e integrado. Muito complexo e aromático, com aromas que evoluem em camadas de frutas vermelhas maduras, especiarias, chocolate e café. No paladar mostra-se fresco, suculento, frutado, com taninos macios, rico e complexo, com um longo final ligeiramente mineral. Um vinho com perfil gastronômico fantástico.


TOP WINEMAKERS 50 BARRICAS - A idéia que veio de certa forma "pagar" um tributo à Carmenere, supostamente extinta no mundo e redescoberta no Chile há 20 anos, especificamente em 24 de novembro de 1994, reuniu numa garrafa a produção das 50 principais vinícolas nesta variedade emblemática do Chile.Um Carmenere de grande expressão, com notas de frutas frescas, ervas picantes, com boa estrutura, a madeira bem integrada refletindo a elegância, untuosidade, acidez vibrante e boca sedosa dos vinhos desta casta. O que se conclui? Não perca a chance de provar os Carmeneres do Chile. Você pode não saber o que está perdendo !