quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

ABC DA DEGUSTAÇÃO DE VINHOS

Caros Amigos,

Alguns leitores do VINOTÍCIAS, em especial do interior de Minas, ou de outros rincões aonde o informativo chega, ou tem acesso ao Blog e Facebook, mas que não tem condições de participar, por conta da distância onde moram, de Cursos de Vinhos e Degustações, tem me perguntado se eu não poderia “encurtar” esta distância, pela edição de um “GUIA DE DEGUSTAÇÃO DE VINHOS”.

Na realidade, resolvi então criar um “A B C da Degustação” descomplicando o tema e transformando o prazer de desfrutar da bebida de Baco, num processo de conhecimento e aprofundamento para entender melhor as características de qualidade do vinho.

Pensei bem no assunto, e resolvi atender aos pedidos deste Guia, enviando-o como um presente deste Final de Ano de 2014. Além disto, o Guia estará disponível para acesso gratuíto no BLOG ou no Facebook.

Basta enviar uma mensagem contendo seu email, solicitando o seu envio deste Guia.

Este Guia não tem a pretensão de ser um documento completo ou definitivo sobre tema, sendo uma visão introdutória para quem quiser se familiarizar com a degustação de vinhos, podendo entender conceitos básicos e aproveitar melhor da bebida.

Convido-os então a partir desta semana a desfrutar das páginas deste Guia e que possam desfrutar do vinho, cada vez com mais alegria e, Saúde !

Com os Votos de Feliz 2015 para todos,

Márcio Oliveira

DIAGRAMA PARA ENTENDER QUANDO BEBER VINHO !


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

EXISTE O VERDADEIRO CONNAISSEUR ?


EXISTE O VERDADEIRO CONNAISSEUR ? ” – Há alguns anos atrás, vi um filme (Contos do Terror, no episódio "O Barril de Amontillado", baseado em conto de Edgar Allan Poe), no qual Vincent Price e Peter Lorre desempenhavam papéis brilhantes. O primeiro vivia a pele de um aristocrata sommelier acostumado a bons vinhos e o segundo o de um beberrão (mas com grande capacidade de reconhecer o vinha à sua taça). Colocados um frente ao outro, deveriam descobrir quais vinhos estavam degustando. Uma a uma as taças foram sendo bebidas e eles, acabaram acertando os vinhos apesar do espanto geral, uma vez que o sommelier teria toda condição de acertar região de produção e safra, mas um beberão ?
Isto me faz lembrar que muitas vezes somos estimulados a pensar que o conhecimento vem antes do que a prática, mas com o tempo as coisas podem se inverter. Dificilmente somos capazes de reconhecer vinhos sem termos bebido com atenção alguma “litragem” e discutido origens, técnicas de degustação, etc. No cinema a coisa pode ser assim, fácil para quem conhece, ou para quem estava acostumado a beber muito; mas na realidade, saber qual vinho estamos bebendo é uma façanha digna de nota, se não lermos o rótulo.
Com a globalização as uvas saíram dos seus habitats naturais e ganharam ares internacionais, especialmente as francesas, que foram plantadas por toda parte, buscando criar vinhos no estilo de Bordeaux ou Borgonha. Em seus novos territórios, essas uvas criaram excelentes vinhos, que nem sempre guardam semelhanças com os terroirs originais do Velho Mundo. Influenciadas por condições climáticas excepcionais, as videiras deram vinhos com fruta exuberante e alta potência alcoólica, criando um verdadeiro estilo Novo Mundo, que encanta muitos iniciados pelo fato de serem na sua maioria, vinhos arrebatadores e prontos para a taça.
O grande desafio que proposto para um enófilo é o teste às cegas. Sem saber o que será servido, ele é chamado a descrever o que está bebendo. Rodrigo Fonseca costuma dizer que não há nada que nos deixe mais humildes no Mundo do Vinho, do que uma prova às cegas. Em dezembro de 2004 (puxa, já se passaram 10 anos !), a EXAME PRIMEIRA PESSOA convidou três especialistas  para uma prova às cegas. Aguinaldo Zackia Albert, Lamberto Percussi e Ricardo Bohn Gonçalves, foram escolhidos por sua vasta experiência.
A degustação aconteceu na Enoteca Fasano/SP, às 11 horas da manhã, parte do dia em que os paladares estão mais apurados. Nos copos, cinco amostras cuidadosamente escolhidas por Manoel Beato, o sommelier principal do grupo Fasano. Na ordem, foram servidos o Sauvignon Blanc 2003 Villard (importado pela Decanter), o Châteu de Pibarnon 1999 (Expand), o Cotes de Beaune Joseph Drouhin 2002 (Mistral), o Cabernet Sauvignon Reserva 2002 da Argentina Terrazas (LVMH), e o supertoscano Lê Bronche 1999 (Enoteca Fasano). Foram confrontadas perguntas sobre as origens, os tipos de uva, as safras e quanto pagariam pelo vinho. O índice de acerto foi de 50%, considerado muito bom, porque atualmente as produções estão bastante niveladas e as uvas que indicam determinadas regiões se espalharam por todo o mundo.
Na primeira taça, o trio não teve dúvida de que se tratava de um vinho feito com a cepa Sauvignon Blanc. A cor amarelo-palha e os aromas leves e frutados, lembrando maracujá e frutas cítricas, foram citados por todos como as pistas principais. A questão foi a sua procedência: Nova Zelândia ou Chile?  “- O estilo do vinho lembra a Nova Zelândia, mas pode ser um chileno moderno”, arriscou Zackia. Era chileno.
Na segunda taça, a dificuldade foi maior. Ninguém apostou na uva Mourvèdre, característica de Provença, no sul da França. “- Foi a pegadinha da degustação”.
Na Pinot Noir, o terceiro copo, a própria cor do vinho - um vermelho violáceo mais claro, denunciou a origem para os especialistas. Os aromas de cereja e especiarias confirmaram a primeira impressão e todos cravaram, corretamente, a região de Borgonha, na França.
As duas últimas garrafas mostraram como se pode confundir numa prova às cegas. Produzidos com a Cabernet Sauvignon, os vinhos tinham estilos totalmente diversos. Na primeira, ninguém conseguiu descobrir a uva. Percussi chegou até a apontar que os dois poderiam ter Cabernet, mas desistiu no último momento. “Tem um aroma de chocolate, ameixa seca”, disse Percussi. No final, acabou apostando também na uva Malbec. No quinto e último vinho, não houve dúvida de que se tratava de um autêntico representante do Velho Mundo. “É um vinho bem encorpado, exuberante”, elogiou Gonçalves.
Existem algumas técnicas que facilitam a descoberta do vinho. A primeira é a anotação de detalhes para identificar a bebida. Reconhecer cores, aromas e, por último, as sensações gustativas. Nas uvas brancas, por exemplo, são comuns os aromas cítricos, os de abacaxi, pêra, maçã-verde e maracujá. Nas tintas, as associações passam por cereja, cassis, ameixa, amora, especiarias, couro e uma vasta gama de gostos e cheiros não tão presentes no dia-a-dia do brasileiro, criando um imenso conjunto de informações e variáveis.
Depois das anotações, o passo seguinte é recorrer à memória para identificar e classificar todas as pequenas, porém importantíssimas, pistas. E a resposta correta sobre o vinho não é fácil para ninguém, a ponto da crítica inglesa Jancis Robinson, uma grande referência na área, dizer que seria mais difícil ser aprovada no Master of Wine hoje, do que em 1984, quando ela fez o teste.
Belo Horizonte conta hoje com uma série de cursos básicos, e todos eles são um bom ponto de partida para quem se interessar mais pelo vinho. Afinal, ninguém nasceu sabendo ! ...

AMARONE DELLA VALPOLICELLA CLASSICO BUSSOLA 2008 – VÊNETO - ITÁLIA



Vinho da Semana 47/2014 ● AMARONE DELLA VALPOLICELLA CLASSICO BUSSOLA 2008 – VÊNETO - ITÁLIA –Tommaso Bussola é reconhecido como um dos mais importantes produtores do Veneto, e tem uma trajetória vinícola que começa em 1977, quando começou a trabalhar na pequena propriedade vinícola de seu tio Giuseppe.
Nos primeiros anos de atividade, Tommaso seguiu fielmente os passos dos produtores tradicionalistas, respeitando as práticas de amadurecimento em barris que, naqueles tempos, eram utilizados e reutilizados várias vezes ao longo dos anos. Entretanto, em 1983, após sua primeira vinificação, Tommaso partiu para um novo desafio: o de elevar a qualidade ao vértice. Dentro desta nova mentalidade, passa a cuidar pessoalmente e intensamente dos vinhedos e das uvas, mirando sempre a elaboração de Recioto e Amarone. O reconhecimento obtido em diversas degustações pelos seus vinhos provaram que o caminho escolhido era o certo e incentivado por seus primeiros sucessos, Tommaso construiu uma nova adega (1992/1993) e introduziu o uso de barricas novas onde seus vinhos completariam a lenta fermentação.
Esses novos vinhos foram batizados com o rótulo "TB" (Tommaso Bussola) e são produzidos desde então ao lado dos rótulos tradicionais "BG" (Bussola Giuseppe), mantendo viva a tradição histórica ensinada por seu tio.
            De maneira geral, Tommaso trabalha com corte de uvas Corvina e Corvinone (75%), Rondinella (20%) e pequenas porções de Cabernet Franc, Dindarella, Croatina e Molinara (5%), cuja seleção é feita com extremo rigor para fazer seus vinhos, mas o corte varia conforme o rótulo.
Após o "apassimento" das uvas por 4 meses (para o Amarone), elas são prensadas e fermentadas por 55 a 60 dias com remontagens frequentes e colocadas em um tanque de aço inoxidável por 10 dias. Na sequência, as uvas com cerca de 40 g/L de açúcar residual, são colocadas em barris de 500 litros de carvalho americano, onde permanecem durante 30 meses em contato com as borras para concluir a lenta fermentação. Antes de seguir para o mercado, repousam por mais 4 meses nas garrafas.

● Notas de Degustação: rubi escura, muito brilho, pouco translúcido. No nariz aparecem aromas ricos e intensos de chocolate, caramelo toffe e tabaco. No paladar toda a riqueza de sabores concentrada pela passificação resulta num paladar denso, macio e sedoso, com doçura equilibrada pela acidez fina do vinho. Fiml de boca potente, persistente e longuíssimo. 
Estimativa de Guarda: 10 anos fácil.
Notas de Harmonização: Cordeiro assado, carnes vermelhas grelhadas e assadas, carne de caça e queijos maturados. Importado pela DECANTER Em BH - Enoteca Decanter - Rua Fernandes Tourinho, 503 – Funcionários – Belo Horizonte / MG. Telefone: (31) 3287-3618. ROYAL VINHOS - Loja Cruzeiro - End.: Rua Ouro Fino, 452 - Lojas 22 e 23 / Bairro Cruzeiro - Mercado Distrital – Tel.: (31) 3281-3539 - Belo Horizonte / MG.

ALMAVIVA 2000- PUENTE ALTO/MAIPO - CHILE



● VINHO DA SEMANA 47/2014 - ALMAVIVA 2000- PUENTE ALTO/MAIPO - CHILE – 
A Viña Almaviva nasceu oficialmente em 1996, através da união de dois nomes tradicionais no mundo do vinho, Baron Philippe de Rothschild e Concha y Toro, com o espírito de criar um vinho num projeto paralelo e independente, numa propriedade que segue o conceito do vinho de Château, no qual o que se busca é fazer o melhor vinho possível com seus vinhedos, ano após ano, entendendo as sutilezas de cada safra, se adaptando a elas, para tentar manter um estilo, uma identidade, o que é um pouco diferente da idéia de criar um ícone. Entretanto, safra após safra o vinho mostra uma consistência de qualidade fora do comum o que o qualifica entre os grandes vinhos chilenos. A origem nobre do Almaviva representa o seu próprio estilo. Um vinho digno de ser representante da linhagem bordalesa, mas com inegável acento mapuche (índios dominantes antigamente na região dos vinhedos), chileno, novo-mundista.
Desde as suas primeiras safras o Almaviva é um blend de Cabernet Sauvingon, com uma média de 70 a 75% do vinho, que lhe dá imponência; Carménère, como uva segundária, respondendo por cerca de 20% da mistura, incorporando o caráter indígena, erbáceo e selvagem; e um acabamento com predominância de Cabernet Franc, que lhe empresta a elegância e a feminilidade; com Merlot e Petit Verdot aparecendo com pequenas parcelas (apenas 1%) nos últimos anos, indicando suave mudança no estilo, buscando arredondar-lhe o corpo, dando textura mais aveludada, aparando arestas.
A Cabernet Sauvignon impõe o caráter bordalês, fidalgo enquanto a Carménère, representa o puro sangue chileno no mundo enológico. Na safra 2000, o tinto foi elaborado com um corte de 86% Cabernet Sauvignon e 14% Carménère, com estágio de 16 meses em barricas novas de carvalho francês. Importante dizer que o tempo de amadurecimento em barricas novas de carvalho francês e o descansando na garrafa, o vinho leva aproximadamente três anos antes de chegar ao mercado. O Almaviva é um vinho comercializado em leilões como os grandes de Bordeaux, um feito alcançado, é claro, com a influência da família Rothschild.

 ● Reconhecimentos: WS91 na safra 2000. Maior pontuação: 95RP nas safras 2003 e 2005.
● Notas de Degustação: cor rubi de reflexos acastanhados ainda sem granmde reflexo do tempo de guarda. No nariz aparecem os aromas complexos de frutas vermelhas maduras como morangos e cerejas em compota, depois vem as notas florais, terrosas e de ervas secas, além de toques de especiarias como a baunilha, e por fim as notas de chocolate, de café e de caixa de charuto e cedro. Na boca o vinho estava pronto, com taninos macios e finos, equilibrado, bem estruturado, boa acidez e longo e prazeroso final, quente e muito persistente. Apesar dos 14 anos de guarda, mostra muita elegância e classe, sem sinais de evolução negativa, lembrando Bordeaux de Pauillac. Afinal, nada como a tradição da Mouton Rothschild agregada ao conjunto. Estimativa de Guarda: creio que ainda agüenta mais 3 a 4 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Onde comprar CASA DO PORTO Em BH: CASA DO PORTO – Novo Endereço na Rua Felipe dos Santos, n.º 451- Loja 01. Tel.: (31) 2551-7078. CASA DO PORTO - Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-7077.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

PROMOÇÃO DE VINHOS NA ROYAL VINHOS CRUZEIRO

PROMOÇÃO DE VINHOS NA ROYAL VINHOS CRUZEIRO

Calicanto (750ml) de R$ 96,90 por R$ 86,90
Calicanto (1500ml) de R$ 193,20 por R$ 144,90
El Principal (750ml) de R$ 304,50 por R$ 249,69
Testimonio Blend Reserve Luigi Bosca (750ml) de R$ 58,50 por R$ 49,50.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

4 KILOS 2012 - MALLORCA - ESPANHA



Vinho da Semana 46/2014 ● 4 KILOS 2012 - MALLORCA - ESPANHA – Na ilha de Mallorca, em um inusitado terroir de toda a Espanha, Francesc Grimalt e Sergio Caballero criam minúsculas quantidades de "vinhos complexos e inimitáveis" na opinião do Guía Peñin. O 4 Kilos combina a casta Cabernet Sauvignon com a Callet, originando um tinto finíssimo e potente, de grande mineralidade, com exuberantes notas de fruta madura. A Vinícola já foi eleita como a Melhor do Ano na Espanha pelo Guia Penin. O nome 4 Kilos é interessante – Na  Espanha, ainda na época das pesetas, um milhão de pesetas pesava 1 Kilo. Como os sócios juntaram 4 milhões de pesetas para construir a vinícola, deram-lhe este nome !!!.
Os rótulos varaima de ano para ano, e o que degustramos é certamente um dos rótulos mais bonitos que já tive em mãos. O vinho é feito a partir de um corte das uvas: 60% Callet, 30% Cabernet Sauvignon e 10% Syrah, provenientes de vinhedos localizados na região de Mallorca. A fermentação das uvas é feita separadamente com controle de temperatura por, no máximo, 20 dias sendo 80% em tanques de aço inoxidável e 20% em barricas de 225 a 5200 litros. Depois, permanece 14 meses em barricars de carvalho francês (Allier).
● Reconhecimentos: 95 pontos 4 kilos 2008 no Guia Penin.
● Notas de Degustação: Vermelho rubi com reflexos violáceos. Boa intensidade de aromas, com frutas escuras maduras (ameixas, cerejas) com toques de alcaçuz, café, com excelente complexidade. Encorpado, com taninos macios, boa acidez, muito equilibrado. Longo e intenso final de boca. Estimativa de Guarda: 6 anos.
Notas de Harmonização: Cordeiro assado, carnes vermelhas grelhadas e assadas, carne de caça e queijos maturados. Importado pela VINCI Em BH – a Vinci é representada pela Ana Luiza Borges – Tel.: (31) 9188-1155 e E-mail:  anaborgesvinho@gmail.com