quarta-feira, 26 de junho de 2013

VINHOS DO TEJO GANHAM APRESENTAÇÃO EM BH

A reputação de excelente relação qualidade-preço é histórica na região dos vinhos do Tejo. “O que tem ocorrido é que a região tem passado por uma verdadeira revolução, com melhorias seguidas na qualidade dos produtos, o que não só confirma a tradição de bom produtor, como também a ambição de mostrar os resultados atingidos”,




terça-feira, 25 de junho de 2013

CIRCUITO BRASILEIRO DE DEGUSTAÇÃO EM BH

“ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “A DECANTER DEFINITIVAMENTE NÃO É SÓ VINHO “

“ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “A DECANTER DEFINITIVAMENTE NÃO É SÓ VINHO  “ – Que a Decanter é uma das melhores importadoras de vinhos do Brasil, não há nenhuma dúvida. Como delicatessen, restaurante e cafeteria ninguém hesitaria em apontar a Enoteca como um destino obrigatório da cidade. Porém, poucos sabem que ali, todos os sábados durante o almoço, é servido um menu harmonizado de 4 serviços que não perdem em qualidade para nenhum dos nomes consagrados da restauração “belorizontina”. Os pratos elaborados pelo Chef Adenilson Fiuza e a competente harmonização de vinhos feita pelos sommeliers Nelton Fagundes e Gustavo Giacchero, são dignos de nota e aplausos, não só pela qualidade de tudo que é oferecido, como também pela ousada iniciativa em disponibilizar este tipo de serviço, tão escasso na cidade, diga-se de passagem. O lugar, por si só, já é inspirador. Em meio a caixas e garrafas de vinhos, até mesmo abstêmios e cervejeiros se contagiariam pelo encanto que a presença da bebida e tudo que a envolve proporcionam. Além do ambiente interno, onde mesas dividem lugar com prateleiras repletas de garrafas, a casa dispõe de um ambiente externo que é bastante confortável, mais claro e arejado.
O atendimento é cortes e competente, por vezes frio, porém, levando-se em conta o todo, não há com o que se chatear. A frieza notada de início foi logo desfeita pelo atendimento extremamente eficiente e solícito do sommelier Nelton, que além de dar explicações sobre cada etapa do menu, apresentou as garrafas dos vinhos que estavam sendo harmonizados, dando informações a respeito de cada um. Atitude que foi muito simpática.
Para início dos serviços, uma salada de muçarela de búfala com orégano selvagem siciliano, acompanhada do ótimo branco Sardenha Renosu Dettori. Apesar de ser um prato bastante simples, o orégano genuinamente italiano deu um toque interessante e foi maravilhosamente complementado pelo vinho de cor quase dourada e aromas de laranja e futas secas, chegando por vezes a lembrar um sauternes.
Sem dúvidas o chef Adenilson Fiuza se esmerou na preparação do Robalo com tomate cereja, berinjela, alcaparras e purê de inhame. O melhor prato do menu se destacou pelo ponto de cocção e tempero perfeitos do peixe, como também pelo esplêndido casamento desta carne delicada com o exótico e saboroso purê de inhame, tudo em extrema sintonia, acompanhado por uma taça do Cerasuolo Montepulciano d’Abruzzo 2007, simples, elegante, refrescante, com notas de morango, que deixou a comida brilhar soberana.
Para fechar com chave de ouro a parte salgada do menu, o Porceddu (leitão à moda da Sarenha aromatizado com mirto), veio à mesa bastante gostoso, com a pele crocante e guarnecido por mini batatas assadas à perfeição que, misturadas ao molho, estavam divinas. Para harmonização, Nelton não poderia ter feito melhor escolha: o Tuderi Romangia 2006, que lembrava ameixas, alcaçuz, especiarias e tons animais, fez ótima parceria com o leitão.
Para arrematar, a crostata coberta com geléia de laranja e amêndoas tinha uma massa muito bem feita, crocante e foi otimamente complementada pela geléia - que passava longe do excesso de doçura padrão tupiniquim – e pela textura peculiar das amêndoas. Encerrando a harmonização, foi servido o delicado, saboroso e floral Moscadelo di Montalcino 2009 – Caprili.
Em suma, apesar de não ser um almoço dos mais baratos – menu com vinhos e café por R$ 110,00 – em minha opinião, é das melhores opções da cidade, não só pela ótima comida, pelo formidável café Lucca e pelo ambiente sui generis e interessante da Enoteca, como também, pela inigualável oportunidade de se ter uma refeição completa e realmente acompanhada com vinhos prato a prato, o que, infelizmente, não se consegue em nenhum restaurante de Belo Horizonte.
Avaliação: •Atendimento: 11,30 / 15,00 •Apresentação e Estrutura da casa: 11,50 / 15,00 •Comida: 34,10 / 40,00 •Cartas (cardápio e vinhos/bebidas): 9,46 / 13,00 e 7,00 / 7,00 •Proposta/execução/criatividade: 8,00 / 10,00 - Total: 81,36.
Legenda: *** (extraordinário)- entre 96 e 100 pontos; **+ (extraordinário) - igual a 95 pontos; ** (excelente) - entre 90 e 94 pontos; *+ (excelente) - igual a 89 pontos; * (muito bom/acima da média) - entre 84 e 88 pontos.
SERVIÇO: Enoteca Decanter - Rua Fernandes Tourinho, 503 – Funcionários. Telefone: (31) 3287-3618. Horário de funcionamento: Segunda a quarta: de 9h às 22h30 I Quinta a sábado: de 9h às 23h30 I Fecha domingo. Aceita todos os cartões de crédito. Contatos: Gourmet à Solta por Felipe Victoria  - felipebrg@hotmail.com

segunda-feira, 17 de junho de 2013

VINHOS DO TEJO DESEMBARCAM EM BELO HORIZONTE NO DIA 27 DE JUNHO

● VINHOS DO TEJO DESEMBARCAM EM BELO HORIZONTE NO DIA 27 DE JUNHO - 14 grandes produtores trazem rótulos consagrados no Velho Mundo para conquistar o Brasil Chegou o momento de o Brasil descobrir Portugal. Pelas mesmas ribeiras do Rio Tejo por onde o mundo conhecido começou a dobrar de tamanho, há mais de 500 anos. Consagrados no Velho Continente, os vinhos de seis microrregiões e três terroirs que compõem o vale do leito d’água mais importante da história dos dois países têm desembarque marcado nas Minas Gerais para o próximo 27 de junho. Em Belo Horizonte, no Hotel Max Savassi (Rua Antônio de Albuquerque, 335), 14 produtores de Vinhos do Tejo promovem uma jornada de degustação para imprensa e convidados (distribuidores, donos de lojas, proprietários de restaurantes, sommeliers, chefs de cozinha e enófilos).
A prova de mais de 100 rótulos ocorrerá das 16h às 20h.  Entre 17h e 18h, haverá seminário e degustação comentada por Márcio Oliveira – editor do blog Vinoticias, orientador de confrarias de vinho, professor de Gastronomia, Vinhos e Harmonização, master em Vin de Provence, consultor para montagem de Cartas de Vinho para restaurantes, importadoras e caves, diretor e professor na seccional mineira da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-MG). Os rótulos representam as regiões de Tomar, Santarém, Chamusca, Cartaxo, Almeirim e Coruche, que se distribuem por zonas de solo e clima tão absolutamente distintos que, embora abraçadas pelo mesmo ponto do Tejo, ganharam status de terroirs: Bairro, Lezíria e Charneca. Será a oportunidade de provar castas genuinamente lusitanas, como Touriga Nacional, Trincadeira, Fernão Pires, Arinto e Verdelho. Famosos desde antes de Portugal se constituir em nação (uma menção de Dom Afonso Henriques aos fermentados da uva de Santarém data de 1170) e inseridos no mercado inglês desde o século 13, os Vinhos do Tejo sempre foram reputados pela elevada produtividade. Em tempos mais recentes, porém, conseguiram a rara proeza de conjugar o primeiro predicado com preços competitivos e altíssima qualidade. Revolução
Muita coisa mudou. Se é verdade que a área de terras imediatamente anterior à foz do Tejo, em Lisboa, manteve-se com poucas árvores e muitas e tradicionalíssimas adegas, clima ameno e precipitações regulares, por outro lado, renovou suas vinhas e métodos. Os tonéis e depósitos de cimento do passado foram trocados por tanques de aço inoxidável, sistemas de refrigeração e pipas de carvalho para envelhecimento. Atualmente, dos 19 mil hectares de vinhedos da região (cerca de 8% do total nacional), 2,5 mil levam o timbre da Denominação de Origem Certificada (DOC). Na edição de Abril deste ano da revista Wine Enthusiast no seu trabalho 2Portuguese Gens”, 18 vinhos do Tejo foram destacados entre os 52 melhores vinhos portugueses. Relembramos que em 2011 o ranking anual da Wine Enthusiast classificou um vinho do Tejo (Fiuza IKON Chardonnay/Trincadeira das Pratas) como o 6º melhor do mundo e o melhor entre os vinhos Portugueses.
Em 2012, os Vinhos do Tejo atingiram quase 30 medalhas no concursos Mundial de Bruxelas e da academia Mundus Vini, na Alemanha, e pela primeira vez conquistaram o reconhecimento da prestigiada Decanter, com mais de 15 prêmios.Segundo João Silvestre, da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, de modo geral os brancos são frutados e de aromas tropicais ou florais, enquanto os tintos são jovens, aromáticos e de taninos suaves. “Coincidência ou não, bem ao gosto dos brasileiros, pelo que registra o mercado”, observa João Silvestre, acrescentando o “ótimo custo-benefício dos rótulos do Tejo”. Aos desbravadores de novos aromas e sabores, os Vinhos do Tejo podem oferecer uma agradável recompensa. Que até a primeira caravela cruzar o leito do rio para lançar-se ao mar e revelar a outra metade do planeta, era exclusividade dos cálices ibéricos. Produtores e distribuidores selecionados para a degustação em Belo Horizonte: Agro Batoréu I Casa Cadaval I Casal Branco I Casal da Coelheira I Casal do Conde I Quinta do Casal Monteiro I Fiúza I Quinta da Lapa I Quinta Vale do Armo I Quinta do Arrobe I Quinta da Alorna I Quinta da Badula I Adega do Cartaxo I Pinhal da Torre
SERVIÇO: Degustação de Vinhos do Tejo - Dia: 27 de junho de 2013 - Local: Max Savassi Hotel (Rua Antônio de Albuquerque), 335 - Horário: Das 16h às 20h
Seminário e Prova Comentada por Márcio Oliveira das 17h às 18h – apenas 30 vagas (por ordem de chegada). Reserva de vagas até o dia 20 de junho pelo e-mail: vinhosdotejobh@gmail.com

domingo, 9 de junho de 2013

OUTUBRO / NOVEMBRO - 2013. PORTUGAL VINHOGOURMET EXPERIENCE: DOURO / DÃO / BAIRRADA

OUTUBRO / NOVEMBRO - 2013. PORTUGAL VINHOGOURMET EXPERIENCE: DOURO / DÃO / BAIRRADA. Arte, Arquitetura Tradicional e a Moderna, Cultura em geral, Gastronomia e Enologia, e ainda a História de Portugal estarão juntas num roteiro de 10 dias de viagem, idealizado para levar você a uma experiência inesquecível pelas regiões do Douro, Dão e Bairrada. O roteiro conta com a consultoria e acompanhamento desde Belo Horizonte do enófilo e consultor de vinhos Márcio Oliveira e do guia operacional e consultor de viagens especializado German Alarcon-Martin, membros da SBAV-MG e Slow Food,  conhecedores dos segredos e história dos mais reconhecidos vinhos portugueses.
As visitas serão feitas nas regiões produtoras demarcadas do Douro, do Dão e da Bairrada, passando por cidades históricas como o Porto, Vila Nova de Gaia, Penafiel, Amarante, Vila Real, Peso da Régua, Lamego, Viseu, Anadia, Mealhada, Fátima, Coimbra, Santarém, Lisboa, entre outras. Paisagens e cenários dignos de filmes, visitando o Palácio do Bussaco, Pousadas instaladas nas Vinícolas, Restaurantes Premiados, Vinícolas reconhecidas e Produtores que surpreenderão os viajantes.
Portugal é detentor de um dos mais ricos patrimônios vínicos do mundo, quinto maior produtor da Europa, possuindo um verdadeiro tesouro que vai além das paisagens, valorizando as características ímpares das regiões produtoras e castas (mais de 250 variedades oficialmente reconhecidas). Os vinhos portugueses têm sido reconhecidos pela crítica internacional e, ao longo de 2012, foram distinguidos em prestigiados concursos internacionais, conquistando um total de 1371 medalhas distribuídas por cinco concursos de grande importância • China Wine & Spirits Awards 2012: 140 medalhas e 7 Double Gold Medals • Concours Mondial de Bruxelles: 297 medalhas • DecanterWine Awards: 291 medalhas (5 de ouro – 6% das medalhas de ouro atribuídas, 80 de prata, 206 de bronze) • International Wine Challenge: 484 (49 medalhas de ouro) • Mundus Vinis: 159 (uma medalha grande gold, 57 de ouro e 101 de prata).
As diversas competições valorizaram o permanente esforço dos produtores portugueses, que têm procurado afirmar o caráter diferenciado do vinho português, garantindo sempre elevados padrões de qualidade e procurando adaptar os seus néctares aos gostos do mercado.
VALORES: Ainda em construção. Em breve será publicado. INSCRIÇÃO: Quem desejar garantir o seu lugar pode realizar já sua inscrição com Sinal de R$ 2.000,00. Solicite a sua Ficha de Inscrição. OPCIONAIS: Após formado o grupo para o pacote básico, será oferecida a possibilidade de extensões opcionais. OBSERVAÇÕES GERAIS: Número de participantes no grupo: Máximo 24 e Mínimo 18. ● INFORMAÇÕES E PRÉ-RESERVAS: Na ZENITHE TRAVELCLUB. CONSULTORIA E OPERADORA DE VIAGENS ENOGASTRONÔMICAS. Belo Horizonte. TEL.: (31) 3225-7773. Contato: Francesca Bicalho. E-mail: fit3@zenithe.tur.br

PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: Brincando de Parisiense em Paris

“PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: Brincando de parisiense em Paris - Finalmente chegou a primavera. Essa semana, o sol decidiu aparecer e está fazendo muito calor. Se na semana passada, muita gente ainda se protegia do frio com cachecol e botas, esse fim de semana todos os parisienses sairam de bermuda, óculos de sol e chinelos.
            Essa semana a minha dica não é de restaurante. É de um hábito francês super charmoso e que finalmente o tempo está perfeito: um piquenique!
Não se preocupe, todo mundo faz piquenique em Paris! Passe num supermercado e compre frios, queijos, frutas. Escolha também um bom vinho (um Rosé para refrescar?!). Na próxima esquina, escolha o seu pão favorito, o meu é a Tradition. E escolha o seu lugar preferido de Paris!
Vou dar algumas dicas: o canal Saint Martin, o parque Buttes Chaumont, o Tuileries, o parque de Belleville ou o La Vilette e mesmo no Hôtel de Ville. E não se preocupe se tiver esquecido o saca rolhas: vai ter alguém do lado para te emprestar!

GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “COCOTTE BISTRÔ: DE PETRÓPOLIS COM TODO CARINHO

“ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “COCOTTE BISTRÔ: DE PETRÓPOLIS COM TODO CARINHO “ - A região serrana do Rio de Janeiro sempre me reservou excelentes momentos e maravilhosas refeições. Nem poderia ser diferente, já que é um dos mais importantes pólos gastronômicos do Brasil. Nesta região pode-se comer maravilhosamente bem no El Perugino, ser tratado como um rei no Imperatriz Leopoldina, sentir-se em casa – na Espanha – diante da simpatia do Paquito e seu ótimo Parador Valência, desfrutar de um inesquecível banquete russo no Dona Irene, ser arrebatado por uma verdadeira cozinha de terroir, feita com amor por Dona Laura na sua esplêndida Pousada da Alcobaça  ou, simplesmente, perder-se de paixão no belíssimo e inesquecível Locanda della Mimosa. Enfim, a região tem um charme todo especial e encanta gourmets ávidos por suas delícias e casais em busca de um refúgio romântico.
            Se por outras vezes nesta coluna tratei dos vários vieses da expectativa e, conseqüentemente da frustração - Belo Comidaria - e da surpresa despretensiosa e positiva - Est! Est!! Est!!! -, desta vez volto a abordar o tema e, muito provavelmente, o esgote aqui. Apresento-lhes, portanto, o ótimo Cocotte Bistrô, restaurante charmosíssimo, estrategicamente localizado no belo distrito de Itaipava em Petrpólis/RJ. Ali posso disser que tive todas as minhas expectativas alcançadas e, por que não, superadas. E não é que, mais uma vez, nesta região encantada tive um almoço especial e completo a todos os sentidos – paladar, olfato, audição, tato e visão!
            O imóvel onde está instalado o Cocotte Bistrô foi cuidadosamente escolhido pelo casal de proprietários Luiz De Simone e Manoela Rabin e faz lembrar as casas típicas da região francesa da Normandia, onde a chef fez parte de seu estágio internacional. Tanto os jardins como a construção são magníficos sendo, portanto, um convite à contemplação e ao bem estar. Por dentro, a casa de estrutura de madeira e tijolinhos aparentes é muito acolhedora: em sua decoração não faltam objetos charmosos e antigos, muito deles peças de família. Pode-se dizer que o Bistrô tem um ambiente rústico e extremamente elegante. Acredito que o que se quis ali foi fazer com que os comensais se sentissem em casa e muito bem acolhidos numa ótima mistura de referências franco/brasileiras. 
            O atendimento por sua vez, se mostrou irretocável. Com elegância e eficiência, o simpático Charles fez seu trabalho sem qualquer deslize ou indiscrição. Desde as explicações sobre as opções do menu, aos aconselhamentos dos pratos e vinhos, tudo foi executado com competência e na dosagem correta.
            Se a visão fora agraciada pelo ambiente e decoração do lugar, a audição também teve um tratamento nobre. Luiz, que se mostrou ser um músico de mão cheia, por diversas vezes nos brindou com maravilhosas canções tocadas em seu piano, o que enriqueceu enormemente a experiência tida ali. É realmente fascinante ter uma refeição ao som de belas músicas sendo divinamente tocadas ao piano.
            Manoela Rabin trabalha com ingredientes frescos e comprados diretamente de produtores da região e, por este motivo, oferece somente a modalidade de menu degustação (R$ 99,00), em que o cliente sempre terá três opções para cada serviço – entrada, prato principal e sobremesa. Dentre as escolhas possíveis, todas se tratavam de iguarias típicas da culinária francesa. O couvert (R$ 18,00), composto por deliciosos e quentinhos pães feitos no próprio restaurante, por um correto patê de fígado de pato, uma saborosa polentinha ao molho de gorgonzola, um apurado mouse de truta defumada e um bom mix de legumes provençais, apesar da quantidade diminuta de pães, vale a pena ser experimentado. O mesmo pode ser dito de sopa de grão de bico que, com um toque de gengibre, estava muito gostosa e com ótima textura. A salada do mar, que leva camarões, folhar verdes e manga, se mostrou interessante, porém, sem muito brilho.
            De principais, tanto o Steak au Poivre como o Poulet au Vin, vinham acompanhados de apetitosas batatas, cortadas em fatias e assadas, respectivamente. Ambas as carnes tinham pontos de cocção, tempero e textura exemplares, o que faz notar a preocupação da chef em servir os melhores ingredientes disponíveis. Os molhos, apesar de acertados, poderiam ter sabores mais acentuados e se assim fosse, a meu ver, teríamos tido pratos irrepreensíveis.
            Tanto o moelleux au chocolat com sorvete de baunilha – espécie de petit gateau francês -, como a tartelette aux noisettes com sorvete, estavam um tom abaixo do restante da refeição e não se destacaram. De qualquer maneira, mostraram-se equilibrados e gostosos. Apesar de estarem em porções excessivamente reduzidas, os sorvetes que acompanharam as duas sobremesas estavam gostosos, cremosos e sem doçura exagerada. De negativo, destaco o bolo que foi assado além do tempo recomendado e perdeu sua calda quente. 
            Em linhas gerais, tudo o que foi servido estava saboroso e bastante balanceado. Portanto, pode-se dizer que paladar, olfato e tato também foram agraciados pelas competentes mãos de Manoela Rabin e sua equipe.
            A carta de vinhos da casa é diminuta, porém, apresenta rótulos interessantes e de vários países. Por se tratar de um bistrô, as opções disponíveis condizem totalmente com a proposta do lugar. Os preços cobrados passam longe de serem proibitivos e, com certeza, agradam aos amantes da bebida. Copos e serviços são corretos.
            Assim como acontece na França, a água oferecida é cortesia da casa e provêm de uma mina própria. Levando-se em consideração que a maioria esmagadora dos restaurantes no Brasil “empurra-nos goela abaixo”, muitas vezes de maneira ostensiva e constrangedora, garrafas e mais garrafas de caras águas minerais, considero ótima a iniciativa, o que demonstra muita simpatia e consideração no trato com o cliente.
            Tomando-se toda a experiência vivida no Cocotte Bistrô, pode-se dizer que se trata de uma excelente e das melhores opções numa região recheada de boas mesas. Não só bela ótima comida, como também, pelo ambiente extremamente acolhedor, elegante e pelo atendimento impecável feito pela dupla Luiz e Charles.
Avaliação: (*)
·         Atendimento: 14,00 / 15,00
·         Apresentação e Estrutura da casa: 14,50 / 15,00
·         Comida: 34,00 / 40,00
·         Cartas (cardápio e vinhos/bebidas): 9,10 / 13,00 e 4,35 /7,00
·         Proposta/execução/criatividade: 8,60 / 10,00
Total: 84,10
*** (extraordinário)- entre 96 e 100 pontos;
**+ (extraordinário) - igual a 95 pontos;
** (excelente) - entre 90 e 94 pontos;
*+ (excelente) - igual a 89 pontos;
* (muito bom/acima da média) - entre 84 e 88 pontos;

Nome : COCOTTE BISTRÕ
Estrada da Divisa, 807 – Itaipava – Petrópolis/RJ - Telefone: (24) 2222-3334
Horário de funcionamento: Sexta-feira – Jantar  I  Sábado – Almoço e jantar  I  Domingo – Almoço.- Pagamento somente em espécie ou cheque, não aceita cartões. Colaboração de Felipe Victoria. Contatos pelo E-mail: felipebrg@hotmail.com

segunda-feira, 3 de junho de 2013

TABELA DE SAFRAS DE VINHOS ENTRE 1995 E 2010

PROVA DE VINHOS DO TEJO EM BELO HORIZONTE 27/06/2013

“ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “VEJA COMER E BEBER – BELO HORIZONTE 2012/2013: ANÁLISES E REFLEXÕES SOBRE ESTE CONTROVERSO PRÊMIO”

“ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “VEJA COMER E BEBER – BELO HORIZONTE 2012/2013: ANÁLISES E REFLEXÕES SOBRE ESTE CONTROVERSO PRÊMIO” -  A cada ano, logo após a chegada às bancas da Veja Comer e Beber Belo Horizonte, debates acalorados e apaixonados são travados por todos aqueles que se interessam e participam da cena gastronômica da capital. Como em qualquer ranking, disputa ou eleição, sempre existirá injustiças, tanto em relação aos que ficam de fora, como em relação aos que figuram entre os vencedores. Com a Vejinha foi sempre assim, alguns anos mais que outros, porém, a polêmica vai sempre estar presente.
            Apesar de ser um ferrenho crítico em relação à maneira com que a eleição é feita – sem a necessidade de se visitar todas as casas e sem uma diretriz consistente, fundamentada e pré-estabelecida –, como também no que diz respeito ao método utilizado na escolha dos jurados – em sua maioria pessoas que não são da área -, tenho de concordar que, talvez e muito provavelmente, esta seja uma das edições menos controversas e mais justas da história da publicação.
            Ao dar uma rápida passada de olhos nas páginas da revista pude perceber que, apesar de não concordar com todos os nomes vencedores, entre a maioria dos agraciados estão os que julgo serem os melhores. Há que se dizer também que em significativa parte das categorias temos casas praticamente “Hors Concours”.
            Em 2012/2013 não houve nenhuma novidade significativa ou grande surpresa. Quem acompanha a cena de restauração da cidade há de admitir que grande parte dos vencedores obtiveram uma vitória anunciada e sem sobressaltos. Num primeiro momento, este cenário poderia ser reputado a um paradeiro no setor, o que não seria verdade, ou até mesmo a uma acomodação dos diversos concorrentes. Porém, apesar de julgar o movimento da capital um pouco sem criatividade e consistência nos últimos anos, seria injusto afirmar que vivemos um período sem novidades no setor. Tivemos um número considerável de aberturas, algumas bastante criativas e originais, como também, foi um ano movimentado e repleto de jantares especiais e chefs de fora sendo convidados a dividirem os fogões. Somente por estes fatores, já seria possível dizer que muito menos por falta de novidades e muito mais pela regularidade dos nossos tradicionais restaurantes, a eleição deste ano foi bastante previsível.
            Nas categorias cozinha italiana, cozinha francesa, carta de vinhos, peixes/frutos do mar, carnes e rodízio venceram, com toda justiça, diga-se de passagem, as casas que todos já esperavam, sendo respectivamente: o excelente Vecchio Sogno, o charmoso e competente Taste Vin, o solitário e sem concorrentes Atlântico, o La Vitória e a melhor casa de carnes corridas do Brasil, o Fogo de Chão.
            O título de restaurante revelação ficou com o Glouton. Neste caso, sinto-me feliz ao ver o esforço e criatividade de Leonardo Paixão serem reconhecidos pelo público. Em minha opinião, este prêmio não poderia ter ficado em melhores mãos. Além de ter uma cozinha competentíssima, a proposta da casa e os preços praticados são excelentes. O que, inclusive, já comentei no artigo Glouton para glutões exigentes..
            Falando sobre os variados e contemporâneos, é pertinente questionar até onde vai e o que abrangem os conceitos do que são estas categorias. A meu ver, nem os editores da revista e muito menos os jurados saberiam responder a esta questão.  Para ilustrar este imbróglio, temos o D’Artagnan, tradicional bistrô francês da cidade, como um dos votados entre os variados. Em minha opinião seria mais interessante a fusão destas duas vertentes em uma só.  Questões morfológicas e conceituais à parte, não houve nenhuma surpresa nestes dois quesitos. Mesmo não tendo vitórias incontestáveis, respectivamente, A Favorita e Hermengarda ficaram com os louros, que a meu ver, foram merecidos. De qualquer forma, os prêmios também ficariam em boas mãos com DiVino, Oak, O Dádiva ou Glouton.
            Entre os brasileiros/regionais, senti a falta do Trindade. Em 2012/2013 o restaurante passou por uma excelente remodelação e reformulação - o que já foi citado nesta coluna – e apresentou um brilhante e criativo trabalho, revisitando e aprimorando a culinária mineira. Sendo assim, considero contraditório o fato de a casa, com apenas um voto, não ter sequer ameaçado o posto de melhor restaurante regional do Xapurí, sendo que Felipe Rameh levou, com toda justiça, o prêmio de melhor chef.
            Dos males o menor, se o Trindade não abocanhou nenhum prêmio, Felipe Rameh foi finalmente premiado como o melhor chef da cidade. Em minha opinião, ele é o mais preparado e criativo profissional de Minas Gerais. Além de ter vasta experiência cozinhando com os maiores nomes do mundo, vem apresentando um ótimo trabalho à frente de sua equipe. Erro corrigido, já que desde a edição passada merecia este reconhecimento.
            No mais, tivemos a Casa de Abrahão como melhor árabe, Especiali como a melhor pizzaria, Sushi Naka como o melhor asiático e Projeto Sabor levando o controverso prêmio de melhor bom e barato.
            Em linhas gerais, pode-se dizer que estamos em um período de grande movimentação no setor de serviços, especialmente na área de gastronomia e restauração. Novas e diversificadas casas são abertas a todo o momento e novidade é o que não falta para o deleite dos gourmets e gourmands de plantão. Por outro lado, é notório que nenhuma das recentes aberturas fez frente aos “peixes grandes” belorizontinos – A Favorita, Taste Vin e Vecchio Sogno –, demonstrando que, apesar das inúmeras novidades vivenciadas no setor, não houve nada que possa ser considerado excepcional ou realmente inovador. Desta maneira, fica notório que ainda carecemos de restaurantes que possam oferecer uma experiência única e memorável à mesa. Críticas à parte, posso dizer que estamos no caminho correto, porém lento, rumo à formação de um cenário gastronômico forte, coeso, diversificado e de excelência, assim como acontece nas principais cidades do mundo. Nesta caminhada, creio que falta-nos – e neste bloco incluo tanto chefs e restaurateurs, como clientes – maior experiência, ousadia, criatividade e conhecimento.
Finalizando, fico na torcida para que a sementinha plantada por Fernando Areco Motta e Jorge Rattner - no longínquo ano de 1981 -, com o saudoso Café Ideal, continue dando frutos, cada vez melhores e mais consistentes. Razões para isso não faltam, e a brilhante participação mineira no Madrid Fusión, somente endossa esta perspectiva de otimismo. Colaboração de Felipe Victoria. Contatos pelo E-mail: felipebrg@hotmail.com